Achada vacina contra Ebola?

Por , em 9.04.2015
Thomas Geisbert, da Universidade do Texas

Thomas Geisbert, da Universidade do Texas

Uma equipe interdisciplinar de medicina da Universidade do Texas (EUA) e da empresa farmacêutica Profectus BioSciences desenvolveu uma vacina contra o ebola de ação rápida, segura e eficaz, com uma dose única. O antídoto ainda está em período de testes, mas já funcionou em primatas.

O vírus matou milhares de pessoas na África Ocidental no ano passado na maior epidemia que se tem registro da doença. Durante 2014, o surto da estirpe Makona matou quase 10.000 pessoas e causou preocupação em todo o mundo. Com o crescimento da população na região, a frequência de contato entre humanos e portadores naturais do vírus, como morcegos, provavelmente vai subir, potencialmente levando a surtos mais catastróficos.

Muitas vacinas têm se mostrado promissoras em proteger os primatas não humanos contra a versão do ebola encontrada no Zaire, a mesma que causou o surto no ano passado. Em resposta, várias dessas vacinas foram rapidamente adaptadas para uso humano. Uma vem passando por testes no Laboratório Nacional de Galveston, o único com nível de Biossegurança 4 plenamente operacional em um campus acadêmico nos EUA.

“Essas descobertas podem abrir o caminho para a identificação e produção de vacinas com doses únicas, seguras e com alta eficiência para combater os focos atuais e futuros de ebola”, prevê Thomas Geisbert, professor de Microbiologia e Imunologia na Universidade do Texas. “Estamos entusiasmados com a possibilidade de ajudar a desenvolver uma maneira de parar esta doença mortal. Temos um monte de trabalho a realizar, mas é importante notar que este é um grande passo”.

Testes

A equipe de pesquisa desenvolveu uma vacina eficaz contra o ebola com uma dose única em uma cobaia primata não humana. Esta nova vacina emprega um vírus que não é prejudicial para os seres humanos chamado vírus da estomatite vesicular, que contém uma parte do vírus ebola inserido nele. Esta vacina “cavalo de Troia” desencadeia com segurança uma resposta imune contra a estirpe fatal.

Para lidar com eventuais problemas de segurança associados a esta vacina, a equipe desenvolveu duas vacinas de nova geração que contêm novas formas enfraquecidas. Ambas as vacinas têm um nível aproximadamente dez vezes mais baixo de vírus no sangue em comparação com a vacina de primeira geração.

“Não se sabe ainda se alguma dessas vacinas poderia oferecer proteção contra o novo surto que está surgindo na Guiné”, diz John Eldridge, diretor científico da Profectus Biosciences. “Nossos resultados mostram que nossas vacinas fornecem uma proteção completa e com dose única a partir de uma quantidade letal da estirpe Makona do vírus ebola”.

Ambas as vacinas enfraquecidas têm características do tipo Mayinga do vírus ebola, assim como a maioria das outras candidatas a vacinas atualmente sob avaliação. A estirpe Mayinga, originária dos primeiros surtos na década de 1970, é bastante semelhante ao tipo Makona, que surgiu no oeste africano recentemente. Os pesquisadores afirmam que é importante testar suas vacinas da estirpe Makona para garantir que mesmo pequenas diferenças entre os dois tipos da doença não afetem a eficácia da vacina. [Medical Xpress]

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