10 teorias da conspiração ridículas sobre a crise do ebola

Por , em 14.10.2014

O perigo que o ebola representa para o mundo é bem real. No entanto, o problema passou de um extremo a outro: antes, o vírus não recebia a atenção devida, agora, o pânico sobre ele atingiu níveis absurdos, com teorias da conspiração ridículas circulando sobre a doença no mundo todo.

Veja:

10. Os EUA fabricaram o ebola

O professor da Universidade Estadual de Delaware (EUA), Cyril Broderick, publicou uma carta no jornal Daily Observer da Libéria em setembro acusando o governo dos EUA de fabricar o ebola. Broderick alega que o vírus é um organismo geneticamente modificado que a América quer usar como arma e por isso a está testando na África, sob o pretexto de distribuir vacinas (o fato de a doença já ter chegado aos EUA meio que põe essa teoria por água embaixo, aliás).

Ele ainda cita o Canadá, o Reino Unido e a França como países em conluio com a América, além de um suposto envolvimento da OMS e da ONU. Broderick menciona principalmente Leonard Horowitz, um adversário de vacinação que pensa que os cientistas americanos também inventaram a AIDS. O professor ainda fala do livro “The Hot Zone”, legítimo trabalho de não ficção que na verdade não apoia suas reivindicações.

A universidade para qual Broderick trabalha não o despediu, e disse que o professor tem o direito de dizer o que quiser em seu tempo livre. Mas fez questão de esclarecer que eles não endossam sua carta, e que Broderick não tem experiência no assunto.

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9. O vírus não existe

Uma ex-enfermeira causou uma revolta violenta em um hospital de Serra Leoa quando uma multidão a ouviu dizer que o vírus ebola não existia. O surto, segundo ela, era apenas uma desculpa para os médicos realizarem rituais de canibalismo no hospital. Não demorou muito para convencer o povo local. Muitos em Serra Leoa e nos países vizinhos desconfiam naturalmente de hospitais. A maioria dos pacientes e suas famílias optam por se tratar com curandeiros ao invés de médicos e enfermeiros estrangeiros. Uma mulher infectada com o vírus foi removida de um centro de tratamento por sua família e levada para um curandeiro tradicional. Ela foi reencontrada, mas morreu em seu caminho para o hospital mais próximo.

No final de julho passado, a violência aumentou no país à medida que mais pessoas começaram a acreditar na conspiração. Pessoas ameaçaram incendiar clínicas e centros de tratamento e remover os pacientes a força. Nesse ponto, Serra Leoa tinha o maior número de doentes de ebola, e policiais tiveram que ficar de guarda no principal hospital de Kenema. Eles atiraram bombas de gás lacrimogêneo contra a multidão e dispararam acidentalmente contra um menino de nove anos de idade. Este incidente também levou várias organizações de saúde a retirar seu apoio aos pacientes na área, uma vez que os voluntários estavam sendo atacados por membros da comunidade.

8. Água salgada cura ebola

Alegações falsas de curas têm causado problemas em algumas partes da Nigéria. Uma delas é beber água salgada que, longe de curar qualquer doença, pode desidratar as pessoas a ponto de levar a suas mortes. Pelo menos quatro pessoas morreram de beber água salgada na tentativa de se protegerem do ebola. Essas pessoas eram saudáveis e viviam a centenas de quilômetros do foco mais próximo da doença.

A Organização Mundial de Saúde emitiu um comunicado para alertar as pessoas contra tratamentos não indicados por médicos ou enfermeiros. Eles especialmente alertaram contra acreditar em supostos remédios postados em plataformas de mídia social. No entanto, como já dissemos, muitos na região afetada desconfiam de médicos e preferem acreditar em outras fontes.

7. Ebola é um castigo de Deus

Em julho, mais de 100 líderes cristãos reuniram-se na capital da Libéria, Monrovia, para discutir como responder à ameaça do ebola. Em seguida, o grupo declarou por unanimidade que Deus estava irado com a Libéria e tinha enviado o vírus como uma praga para punir seu povo por homossexualidade e corrupção, entre outras coisas. A melhor maneira para o país responder a doença seria com três dias de jejum e oração. O chefe de uma mesquita liberiano, Sheikh Salah Sheriff, ecoou esses sentimentos. Ele culpou o surto de ebola por pecados como homossexualidade, fornicação, adultério, assalto à mão armada, maldade geral e desrespeito às autoridades – todas graves afrontas à Alá – e admitiu que os seguidores deveriam escutar os conselhos médicos para evitar a exposição, mas afirmou que, para realmente derrotar o ebola, os liberianos tinham que “começar a temer a Deus em vez do vírus”.

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6. Ebola é coisa de magia negra

Um outro rumor que circula em partes da África Ocidental é que o ebola vem de bruxaria. A consequência disso é que as pessoas consideram o vírus como uma morte sobrenatural da qual não podem escapar, e por isso recusam o tratamento médico que poderia salvá-las, inclusive prejudicando esforços para deter a propagação da doença.

Por exemplo, quando Médicos Sem Fronteiras levaram duas irmãs doentes para um hospital na Guiné, ambas haviam perdido totalmente a esperança e não queriam lutar contra a doença. Por sorte, a filha de 12 anos de uma delas não acreditava em bruxaria e assegurou que as três poderiam sobreviver se seguissem as instruções dos médicos – o que de fato aconteceu.

Outra consequência do medo irracional do ebola é o desnecessário ostracismo das vítimas. Pacientes dos hospitais, especialmente as crianças, devem receber visitas regulares de sua família para terem suporte e poderem se recuperar bem. Mas os membros da família têm tanto medo da doença que muitas vezes se recusam a visitar os pacientes, apesar dos pedidos dos médicos.

5. Os médicos é que estão espalhando o ebola

Em algumas aldeias africanas, as pessoas não só acham que os médicos são inúteis em tratar a doença, como creem que eles estão ativamente espalhando o vírus. Por isso, evitam ou mesmo combatem médicos que tentam ajudar. Este medo pode decorrer de incidentes em que os pacientes foram ao hospital para resolver outras questões médicas e acabaram sendo infectados por doenças mortais.

Em casos extremos, moradores chegaram a ameaçar matar qualquer médico ou assistente que quisesse tratar pacientes locais. Na aldeia de Kolo Bengou, na Guiné, as pessoas bloquearam estradas com troncos para impedir que os Médicos Sem Fronteiras entrassem. Como resultado, a doença se espalhou mais. Os rumores persistentes de que curandeiros podem salvar os doentes também contribuem para a falta de fé nos médicos de verdade, o que dificulta o tratamento eficaz.

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4. O vírus começou com uma cobra

Uma lenda africana fala de uma mulher com um saco na fronteira entre Guiné e Serra Leoa. Alguém abriu o saco e viu uma cobra dentro dele. Assim que olhou para o animal, a mulher morreu. A pessoa que tinha aberto o saco morreu em seguida, e a cobra deslizou para o arbusto mais próximo. E foi assim que o vírus entrou em Serra Leoa.

Este conto estranho tem pequenos (minúsculos) pedaços de verdade no que diz respeito à história do ebola. De fato, especialistas teorizam que o surto começou na Guiné e foi em seguida para Serra Leoa, mas as semelhanças param por aí. Os crentes dessa lenda pensam que aqueles que apresentam sintomas não têm uma doença, mas sim foram amaldiçoados.

3. Ebola é espalhado por adoradores de uma deusa racista

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A imagem acima apareceu em um site da Nigéria em setembro. Junto com ele veio uma história que parece combinar os piores aspectos de vários mitos perigosos sobre o ebola.

Essa enfermeira em estilo anime segurando o crânio é chamada de “Ebola-Chan”. Cultos na Europa e América a adoram como uma deusa, segundo o site. Eles realizam sacrifícios de sangue em altares para ela e comem o coração das vítimas da doença. Em troca de seu apoio, a deusa espalha ebola em toda a África. Os médicos que infectam manualmente vítimas com o vírus fingindo tratá-las fazem parte desse “culto”.

A postagem não veio de uma pessoa preocupada da Nigéria, como o boato afirma, mas sim um de meme. A piada de extremo mal gosto sobre o extermínio de todos os africanos – ou melhor, o criminoso meme – pode ajudar a piorar a crise dessa doença letal na África.

2. Ebola pode ser transformado em uma bomba

O Dr. Peter Walsh, um antropólogo biológico da Universidade de Cambridge (Reino Unido), afirmou que terroristas poderiam fabricar bombas contendo um pó do vírus ebola, que por sua vez poderiam matar um grande número de pessoas em cidades britânicas. Esta ameaça parece particularmente grave no Reino Unido, porque há poucas razões para esperar que a doença entre no Estado de outra forma.

Enquanto bioterrorismo é sempre uma possibilidade, se terroristas quisessem atacar cidades com um vírus, provavelmente não escolheriam o ebola, que não é propagado nem pelo ar nem por via aquática. Em resumo: ele é muito menos contagioso do que a maioria dos outros vírus.

1. O ebola vai criar uma Nova Ordem Mundial

Talvez a teoria da conspiração mais estranha de todas seja uma que afirma que uma elite em busca de uma Nova Ordem Mundial foi quem criou o vírus ebola, como meio de despovoar a Terra. O número de pessoas que devem morrer para chegarmos a uma “população administrável” é incrivelmente enorme: cinco bilhões.

De acordo com essa conspiração insana, a elite da Nova Ordem Mundial tem três principais formas de garantir o despovoamento: a fome que o desenvolvimento insustentável gera, a guerra que surge de conflitos artificiais e doenças manufaturadas. Só a elite possui a cura para tais doenças. A epidemia de ebola em especial foi criada para despovoar a África, com o resto do mundo sendo seu próximo alvo. [Listverse]

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2 comentários

  • Andreia Rodrigues:

    Muito obrigada por explicar as coisas tão claramente. Já curti o site e partilhei o artigo,pois vi um artigo no fb de um amigo,que falava também em uma ou 2 destas teorias sobre o ébola e decidi pesquisar pois não acredito nessas mesmas teorias.A questão é que o ébola é uma doença grave e tem de ser encarada como tal,não alarmando demais mas tomando as devidas precauções,ao invés de teorias que só levam a que morram mais pessoas.Só espero que encontrem uma vacina o mais rápido possível.

    • Cesar Grossmann:

      A Nigéria mostrou o caminho a seguir. Eles treinaram equipes, e movimentaram uma estrutura toda para combater o Ebola. Conseguiram livrar o país do Ebola, e espera-se que não volte a ter Ebola tão cedo, por que as medidas persistem, não dá para afrouxar a vigilância.

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