Aja como se já estivesse contaminado com o coronavírus

Por , em 20.03.2020

Um novo estudo de colaboração internacional indicou que as pessoas que não demonstram nenhum sintoma do coronavírus (COVID-19) são possivelmente as que estão o espalhando mais.

Dois terços dos casos        

Os pesquisadores criaram um modelo de transmissão e mostraram que esse tipo de propagação do vírus, chamado de “transmissão furtiva”, contribui muito para o rápido crescimento de casos.

“A transmissão furtiva refere-se ao fato de que pessoas que apresentam sintomas leves e discretos ou são assintomáticas estão contribuindo bastante para a disseminação do vírus. O novo estudo sugere que dois terços dos casos podem ser transmitidos dessa maneira, de acordo com a modelagem matemática”, explicou Kirsten Hokeness, professora da Universidade Bryant (EUA) e especialista em imunologia, virologia, microbiologia e saúde humana.

Inclusive, o estudo sugere que pode haver 5 a 10 casos não detectados para cada um que conhecemos.

O que é um caso leve?

Se você não tem sintomas, não sabe que está infectado. Mas também pode ter sintomas leves e igualmente não notar que pode estar doente, como febre baixa imperceptível ou corrimento nasal sendo que você possui alergias.

Isso é o que torna o COVID-19 tão “angustiante”.

“Essas pessoas podem ser rotuladas como infectadas, mas assintomáticas. Essas são as pessoas que podem infectar outras pessoas, e as outras ficam realmente doentes o suficiente para chegar aos hospitais”, disse Jagdish Khubchandani, professor de ciências da saúde na Universidade Estadual Ball (EUA).

Período de transmissão

Tem muita coisa que não sabemos sobre o COVID-19 ainda, mas é possível que pacientes infectados permaneçam infectados e com o poder de espalhar o vírus por um bom tempo.

O período de incubação do COVID-19, ou o tempo entre contraí-lo e o aparecimento dos sintomas, é de cerca de cinco dias.

Um estudo alemão cultivou o vírus em laboratório e descobriu algumas coisas importantes. Por exemplo, que indivíduos podem espalhar o COVID-19 logo depois de serem infectados, antes de qualquer sintoma aparecer. Além disso, ele fica transmissível por um longo período depois da infecção inicial.

No geral, os cinco primeiros dias são os mais infecciosos. O vírus continuava infeccioso, embora menos, até o oitavo dia de sintomas.

“No primeiro dia, que pode ser muito moderado para você, você já está produzindo muitos vírus ativos que são transmitidos pelas gotículas respiratórias e adquiridos diretamente por indivíduos suscetíveis ou capturados nas superfícies”, esclareceu Hokeness.

Ou seja: aja como se você já tivesse coronavírus

É por esse motivo que o distanciamento social é tão importante. Respeitar a quarentena e se isolar é a chave para evitar a propagação do vírus, criando uma barreira que protege as pessoas mais vulneráveis da comunidade.

“Isso é fenomenalmente importante para uma doença como o COVID-19, na qual não há imunidade natural na população e para a qual não existe vacina. Isso significa que a única maneira de o vírus deixar a população, em certo sentido, é infectar todos ou limitar a capacidade do vírus se espalhar de pessoa para pessoa”, argumentou Hokeness.

No momento, o melhor a se fazer é prestar a atenção a higiene, lavar as mãos com a maior frequência possível, evitar aglomerações e manter-se isolado o máximo que puder.

“Não aja como se nada estivesse acontecendo, continuando a se reunir e organizar encontros ou socializar. Quanto mais rápido podemos nos isolar e limitar o contato, mais rápido podemos fazer com que esse vírus desapareça, por assim dizer. Se ele não conseguir encontrar o próximo hospedeiro, nós o pararemos”, conclui Hokeness.

O artigo foi publicado na revista científica Science. [HuffPostBR]

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