Assista batimentos cardíacos fazendo funcionar implantes no coração

Por , em 6.02.2014

Dispositivos como marcapassos e implantes cocleares se tornaram tão comuns como extensões invisíveis do corpo humano, que é fácil de imaginar um mundo sem distinções claras entre o homem e a máquina. Agora, um dos principais obstáculos para o futuro biônico pode ter sido ultrapassado. Diga adeus às baterias.

Ainda que seja maravilhoso que implantes médicos estejam impulsionando os órgãos que falham em nossos corpos, eles vêm com sua própria série de potenciais problemas. Eles tendem a utilizar baterias, para trocá-las, os pacientes podem precisar passar por cirurgias grandes e invasivas. Logo, porém, tudo isso pode ser coisa do passado, graças a John Rodgers e colegas pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

Trabalhando com um material piezoelétrico chamado titanato zirconato de chumbo, a equipe depositou pedaços de condutores sobre uma base de silicone flexível que poderia facilmente mover-se com um órgão. Quando o material é colocado sob estresse, à medida que o órgão se movimenta, ele fica um pouco deformado, apertando seus elétrons para fora do lugar e criando cargas elétricas líquidas (positivas e negativas) em cada extremidade.

A equipe, então, conectou esta tira de silicone a uma bateria recarregável e implantou-a no coração, pulmões e diafragmas dos animais usados no estudo – vacas, porcos e ovelhas. E, ainda que não sejam os primeiros pesquisadores a mergulhar no mundo dos componentes eletrônicos movidos a órgãos, eles são os primeiros a encontrar uma solução prática. De acordo com a revista “New Scientist”, o sistema foi capaz de produzir 0,2 microwatts por centímetro quadrado, o que seria suficiente para recarregar um marcapasso. Além do mais, as fitas poderiam ser empilhadas se precisarem recarregar algo que requer um pouco mais de potência.

O vídeo abaixo mostra a primeira vez que este sistema foi testado em animais com o coração de tamanho comparável ao órgão humano. O processo é bastante impressionante:

“Eu acho que o conceito de criação de energia elétrica a partir de movimentos em órgãos internos é realmente interessante”, contou Rogers à publicação semanal. “O importante é que, se você for fazer isso, precisa ser capaz de alcançar a eficiência e a potência que são necessárias ao uso prático”.

O cientista ainda aposta que esta tecnologia deverá virar moda no futuro.”Se você olhar para as tendências nos dias de hoje, você vê mais e mais dispositivos eletrônicos implantáveis​​”, explica. “Acho que vai existir uma demanda crescente por energia provida pelo corpo”.

Agora, a equipe só precisa ver o que acontece quando o dispositivo fica no corpo por vários anos. [Gizmodo, New Scientist, PNAS]

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