Astrônomos encontram acidentalmente uma “galáxia monstruosa invisível” do início do universo

Por , em 24.10.2019

Uma nova pesquisa da Universidade do Arizona (EUA) descobriu uma galáxia enorme nascida no início da história do universo, praticamente invisível para nós, utilizando o grupo de mais de 60 telescópios do Atacama Large Millimetre Array, no Chile.

Por que invisível?

As observações realizadas pela equipe indicam que a galáxia tem 12,5 bilhões de anos, ou seja, surgiu apenas um bilhão de anos depois do Big Bang, uma época que é considerada a “infância” do universo.

A luz que os pesquisadores observaram é provavelmente o brilho de partículas de gás formando estrelas dentro da galáxia. A poeira bloqueia outros comprimentos de luz, incluindo a luz das próprias estrelas.  

“A luz parecia não estar ligada a nenhuma galáxia conhecida. Quando vi que essa galáxia era invisível em qualquer outro comprimento de onda, fiquei muito empolgada, porque significava que provavelmente estava muito longe e escondida por nuvens de poeira”, explica Christina Williams, pós-doutoranda na Universidade do Arizona e principal autora do estudo.

“Faz você pensar se isso é apenas a ponta do iceberg, com todo um novo tipo de população de galáxias esperando para ser descoberta”, disse outra pesquisadora do estudo, Kate Whitaker, em um comunicado à imprensa.

O vídeo abaixo é uma simulação de como a nova galáxia se parece:

Elo perdido

A nova galáxia é interessante por um número de fatores. Por exemplo, enquanto possui o mesmo número de estrelas que a Via Láctea, é 100 vezes mais ativa.

Os cientistas já previam que tais galáxias enormes e “maduras”, fábricas velozes de estrelas, existiam no início do universo, mas nunca tinham encontrado uma.

O Telescópio Espacial Hubble encontrou alguns objetos semelhantes, porém muito menores. Logo, o achado pode ajudar os pesquisadores a compreenderem melhor seus modelos do universo jovem.

“Nossa galáxia monstruosa invisível tem precisamente os ingredientes certos para ser o elo que falta”, afirmou Williams.

Próximos passos

Os cientistas esperam que tecnologias futuras possam oferecer mais detalhes sobre essa galáxia e outras semelhantes.

Por enquanto, é muito difícil observá-la, mas telescópios como o James Webb, que deve estar ativo em março de 2021, podem trazer muitas novas informações.

“O Telescópio Espacial James Webb poderá olhar através do véu de poeira para que possamos aprender quão grandes são realmente essas galáxias e quão rápido elas estão crescendo, para entender melhor por que os modelos falham em explicá-las”, resumiu Williams.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica The Astrophysical Journal. [ScienceAlert]

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