Buracos negros supermassivos não são ativados por colisões entre galáxias

Por , em 18.07.2011

No centro de praticamente todas as grandes galáxias, existem buracos negros supermassivos com até bilhões de vezes a massa do sol.

Em muitas galáxias, incluindo a nossa Via Láctea, esse buraco negro central é calmo, mas em outras galáxias conhecidas, ele é ativo, com a matéria do núcleo da galáxia emitindo radiação intensa, uma vez que é sugada para dentro desse buraco negro.

E o que cria esses buracos negros supermassivos, então? Anteriormente, os cientistas acreditavam que uma colisão entre galáxias criava uma “festa de matéria” a ser comida pelos enormes buracos negros ocultos em seus centros.

Os cientistas pensavam que os buracos mais ativos eram “disparados” (começavam suas atividades) por duas galáxias em fusão, ou passando perto uma da outra. Tais distúrbios titânicos poderiam dirigir o material de uma galáxia em direção ao núcleo de um buraco negro.

Agora, uma nova pesquisa indica que essas colisões entre galáxias não são responsáveis pelas ingestões excessivas de buracos negros. Em vez disso, forças misteriosas dentro das galáxias podem ser culpadas pelo nascimento dos gigantes.

Uma equipe internacional de cientistas analisou mais de 600 galáxias ativas, o que lhes permitiu fazer um mapa tridimensional mostrando suas localizações.

Como a luz leva tempo para viajar, conhecer a distância dessas galáxias da Terra também ajuda a revelar suas idades. Os cientistas calcularam que as galáxias ativas mais brilhantes eram mais comuns no universo cerca de 3 a 4 bilhões de anos após o Big Bang, enquanto os núcleos menos brilhantes apareceram mais tarde, atingindo um máximo de cerca de oito bilhões de anos após o Big Bang (o universo tem agora cerca de 13,7 bilhões de anos).

Embora algumas das galáxias ativas sejam extremamente brilhantes, a maioria deles é apenas moderadamente brilhante. Surpreendentemente, os pesquisadores descobriram que as colisões galácticas não eram responsáveis por ativar a maioria desses núcleos mais comuns, menos brilhantes.

Se núcleos ativos fossem consequências de galáxias em colisão, como era esperado, os cientistas teriam os encontrado apenas em galáxias com massa moderada – cerca de um trilhão de vezes a massa do sol.

Em vez disso, os pesquisadores descobriram que os núcleos mais ativos residem nas galáxias com massas cerca de 20 vezes maior do que a teoria da colisão havia previsto – galáxias que contêm grande quantidade da matéria escura invisível, ainda não identificada, que compõe cerca de 85% de toda a matéria no universo.

Mesmo no passado distante, até quase 11 bilhões de anos atrás, quando o universo era novo, colisões de galáxias só podiam representar uma pequena percentagem das galáxias moderadamente brilhantes ativas.

Naquele tempo, as galáxias estavam mais próximas e fusões deveriam ser mais frequentes do que no passado mais recente, por isso os novos resultados são ainda mais surpreendentes.

As descobertas indicam que os buracos negros são geralmente alimentados por processos dentro da própria galáxia. Por exemplo, nuvens moleculares em um disco de galáxia massiva poderiam ter impulsionado seu buraco negro central através de perturbações no disco, o que o fez começar a se alimentar. Mais estudos devem esclarecer essa questão.[LiveScience]

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4 comentários

  • Leo Madruga:

    Ótima a matérioa, na línga portuguessa não existe a palavra “massivo”; o correto seria maciço.

  • Pensador®:

    Não sabemos quase nada sobre os buracos negros. Talvez daqui a uns 100 anos nossa tecnologia possa nos ajudar.

  • Campos:

    Em “Olhando o Universo”, esta explicado exatamente isto. Galáxias em formação, emitem muitos jatos de energia pelo hotizonte de eventos, assim como galáxias que não adquiriram uma rotação certa, etc. No artigo publicado a pouco tempo:
    “Explosões estelares podem estar na origem da poeira do Universo”. Tambem esta previsto. Neste blog eu digo que a poeira cósmica (matéria) se forma na periferia do universo, pelas descargas de raios gama e que as partículas mais pesadas como as magnéticas (ferro), são arremessadas com violencia pelos fortes campos magnéticos das descargas eletromagnéticas dos raios gama (isto seriam os raios cósmicos). Com isto digo tambem que a matéria se forma na periferia do universo e caminha para o centro, pela ação da gravidade do centro do universo (e formaria a apoeira cósmica), que vai se aglutinando e formando astros, semelhante a uma galáxia. “O universo seria como uma gigantesca galáxia”. Note tambem que saiu a poucos dias uma notícia de que descobriram um movimento de rotação do universo, que havia sido negada pela ciencia em 1982. Aos poucos vou assistindo a confirmação da minha teoria da criação do universo.

  • Bruno Juncklaus:

    Achei que ia ficar só no “Em vez disso, forças misteriosas dentro das galáxias podem ser culpadas pelo nascimento dos gigantes.”

    😀

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