Até que ponto é realmente possível fazer várias coisas ao mesmo tempo?

Por , em 24.08.2010

A rotina do homem do século XXI, nos centros urbanos, não o leva a penas a ter um dia cheio, sem tempo para nada. Mais do que isso, somos constantemente obrigados a fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo, e com eficiência em todas, se possível. E é aí que entra a questão. Essa eficiência em atividades simultâneas é realmente viável? Pensando nisso, alguns estudiosos da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos resolveram avaliar isso mais a fundo.

Um jornalista inglês passou a investigar o que foi publicado a respeito nos últimos anos, mas começou analisando sua própria rotina. Em um determinado dia, ele assistia a um documentário educacional na televisão, do qual deveria tirar as principais ideias, ao mesmo tempo em que conversava com três pessoas na internet a respeito de um planejamento para o fim de semana seguinte. Ao final dessa jornada, ele se deu conta de que não prestou a devida atenção ao documentário e tampouco tirou uma conclusão útil de suas conversas: logo, não fez bem nem uma coisa nem a outra.

Segundo um relatório do Departamento de Comunicações da Grã-Bretanha, o pessoal de lá gasta em média sete horas por dia com mídias eletrônicas. Mas esse número sobe para nove se contarmos individualmente o tempo que se usa cada uma individualmente. Assim, são duas horas diárias em que se faz uso concomitante de dois aparelhos que exigem atenção.

Dois estudos feitos nos EUA sugerem que essas duas horas são quase totalmente improdutivas. Em um deles, da Universidade da Califórnia, descobriram que quando as pessoas estão continuamente distraídas de uma tarefa, elas até trabalham mais rápido, mas produzem menos. Outro estudo, este da Universidade Stanford (também na Califórnia) colocou estudantes para resolver um exercício de matemática. Aqueles que foram colocados para fazer outra tarefa, enquanto resolviam o problema, demoraram 40% a mais para achar a solução, além de ter maior desgaste cerebral.

Os pesquisadores de Stanford são taxativos: o ser humano não é feito para fazer várias atividades ao mesmo tempo. Eles afirmam que a execução mútua de tarefas é inversamente proporcional à eficiência. Quanto mais coisas você faz, menos se concentra em cada uma. Exemplo: quando deixamos de fazer determinado trabalho para mandar ou ler um e-mail, levamos um minuto para recuperar a linha de raciocínio. Se, durante este minuto, recebemos outro e-mail, ou um telefonema, ou uma mensagem de celular, a contagem zera: levará mais outro minuto para recobrar a atenção na tarefa principal. Outra pesquisa americana comparou as notas de crianças que estudavam enquanto assistiam TV e as que focavam apenas nos cadernos. O resultado, a esta altura, não vai te surpreender: as que estudavam com a televisão ligada tiveram notas mais baixas, em média.

É claro que não somos completamente limitados a fazer concomitantes, explicam os pesquisadores. Podemos andar e falar, almoçar e ver televisão (o que não é recomendado), dirigir e conversar (o que é menos aconselhável ainda). Os estudiosos falam em execução automática das tarefas. Quando ela se torna parte do subconsciente, podemos executá-la normalmente, dando mais atenção para outra.

E é a habilidade de dirigir o exemplo que melhor ilustra este caso. Quando se coloca um volante nas mãos de um aluno inexperiente, recém-saído da auto-escola, é de bom grado evitar conversar com ele, chamar a atenção dele, respirar na presença dele, porque o mínimo desvio de atenção pode levar o caro em direção a um poste. Com o tempo, no entanto, as tarefas como trocar de marcha, pisar na embreagem, dar sinal e acionar o limpador de pára-brisa vão ficando automáticas. Nesse estado de condicionamento do cérebro, ganhamos liberdade para nos concentrar em outras coisas (embora ninguém aqui esteja apoiando a ideia de falar ao celular enquanto estiver dirigindo). E há uma teoria, ainda não totalmente comprovada, de que as mulheres são superiores aos homens nesse quesito. Ainda são necessários mais alguns estudos para que possamos chegar a conclusões definitivas. [BBC News]

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5 comentários

  • Werneck:

    Acredito que atualmente não seja possível fazer uma só coisa por vez. Sou consultor de T.I e no dia a dia, enquanto faço dois acessos remotos ao mesmo tempo, estou escrevendo manuais relacionados às nossas práticas e processos. Isso, ao mesmo tempo em que recebo e respondo SMS’s… Tenho dúvida se isto realmente é prejudicial ao cérebro ou se o ajuda a ser mais utilizado 😀

    • Alexandre:

      Ola Werneck,
      Talvez o meu caso é parecido com o seu, pois além de fazer várias coisas ao mesmo tempo, tbm faço uma POS em T.I. e estou percebendo que não gravo mais nada, pouca concentração e dificuldades em raciocinar e assim vai. Gostaria de saber se voce tem alguma informação ref. ao seu caso.

  • Jin:

    É isso aí, vida longa ao totalitarismo, Facismo e Ditadura! (Testando para ver se boicotam meu comentário também).

  • Thiago dos Reis:

    cala a boca anderson, seu homofóbico maldito.

    Ae, as mulheres são superiores aos homens no quesito ir de encontro ao poste..

  • ju:

    infelizmente a vida é assim, cada vez mais ganhamos menos e trabalhamos mais, os patrões pagam pouco e cada dia que passa exige mais da gente, por isso que cada dia q passa trabalahamos mais, eles (os políticos) deveriam rever a situação do povo brasileiro e votar numa lei que ajudasse mais, parasse de roubar um pouco e dividisse com o povo…….

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