Bairros pobres podem significar saúde mais pobre também

Por , em 20.10.2011

Em meados dos anos 1990, oficiais de habitação federal americanos criaram um programa para ajudar mães solteiras de famílias em bairros pobres a se mudar para áreas de baixa pobreza.

Além de fornecer melhor acesso a casas, empregos e escolas, o governo também queria estudar como as famílias que se mudaram passaram a viver ao longo do tempo, em comparação com aquelas que continuaram em bairros pobres.

Depois de mais de uma década, os resultados mostraram que passar de áreas de alta para baixa pobreza parece ter tido pouco impacto sobre as medidas econômicas, como emprego e renda.

Já em outro campo, a mudança foi mais acentuada: os pesquisadores descobriram que as taxas de diabetes e obesidade grave foram cerca de um quinto menores nas mulheres que se mudaram do que nas que continuaram em bairros pobres.

Segundo os pesquisadores, as melhorias aparentes na saúde associadas às áreas de baixa pobreza são comparáveis aos resultados típicos vistos em programas que incentivam a alimentação saudável ou o exercício, ou que fornecem medicamentos para pessoas com diabetes.

Vários fatores podem contribuir para uma melhor saúde em áreas de baixa pobreza, incluindo melhor acesso a alimentos saudáveis, um ambiente mais seguro e mais propício para o exercício ao ar livre, e menores níveis de estresse psicológico.

Com a mudança de bairro, muitas coisas mudaram ao mesmo tempo para essas famílias, por isso é difícil para os cientistas descobrirem exatamente o que fez uma maior diferença.

Os especialistas dizem que os resultados chamam a atenção para um aspecto frequentemente ignorado de epidemias de obesidade e diabetes. Muitas vezes, os estudos focam nas decisões das pessoas, e no que eles fazem de errado, etc. A nova pesquisa fornece evidência de que não é só as decisões dos indivíduos, mas também o ambiente – o bairro – que realmente importa.

A ideia de que os bairros poderiam ter um impacto sobre a saúde não é nova. Estudos sobre este tema datam de 1700, e, mais recentemente, um crescente corpo de pesquisa relacionou a obesidade e outros problemas de saúde às características da vizinhança, tais como o número de supermercados e restaurantes fast-food.

Mas esta é a primeira vez que os pesquisadores foram capazes de comparar a vida em um bairro com a mudança para outro bairro, melhor, da mesma forma que os novos medicamentos são comparados com placebos em ensaios clínicos.

Os pesquisadores seguiram 3.186 mulheres que participaram do programa. Eles calcularam o índice de massa corporal, ou IMC (uma relação simples entre peso e altura) de cada mulher, e coletaram amostras de sangue, que eles testaram para um tipo de proteína que indica níveis de açúcar no sangue.

Das mulheres que ficaram em seus bairros originais, 20% tinham níveis de açúcar de acordo com diabetes e 18% tinham um IMC de pelo menos 40 (o ponto de corte não oficial para a obesidade mórbida).

Em contraste, apenas 16% das mulheres que se mudaram para áreas de baixa pobreza tinham diabetes e somente 14% eram obesas mórbidas.

O estudo não afirma que mudar de uma área alta para uma área de baixa pobreza garante perda de peso ou proteção contra a diabetes.

Apesar das limitações do estudo, os pesquisadores concluíram que os programas de saúde pública que objetivam bairros pobres poderiam gerar benefícios sociais substanciais.

Ser ativo em sua comunidade e trabalhar para torná-la mais segura pode realmente afetar a saúde das pessoas que vivem ali. Nem todo mundo pode sair de seu bairro, mas talvez haja uma chance de melhorá-lo no que ele é.[CNN]

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8 comentários

  • Mario:

    não lí nem o texto, mas de agora em diante nunca mas fale: um bairro umílde ou fulano é umílde porque é pobre pois nada tem haver uma coisa com a outra, umíldade é uma característica de pobres e ricos.

  • gloria:

    Grande descoberta! Isso todo mundo sabe q pobre vive de sem vergonha q é!Violencia ñ é só previlegio da pobreza ñ. os filhinhos de papais, empresarios, políticos e de curso superior tbm se drogam e traficam, mulheres filhas de ricos bem educadas tbm se prostiruem se drogam roubam, matam, ,o q faz o pobre ser mais evidente nos crimes ,é o dinheiro, quem paga e tem “padrinhos”nunca vai preso, mas são tão marginais quanto o pobre.

  • leandro:

    A pobresa nunca vai acabar,as pessoas que tem um nível um pouquinho melhor, tem 2 filhos em média e conseguem dar um pouco de educação(familiar) já os pobres tem em media 6 filhos, e ai na maioria dos casos eles ficam dependendo do governo pra tudo, e a vida familiar é uma guerra, as crianças crescem sequeladas e ai repetem com seu filhos, é um circulo vicioso, ter mais de dois filhos sem ter condições deveria dar cadeia, é um crime contra a vida.

  • Gustavo de Costa:

    SÉRIO MESMO? QUE DESCOBERTA! ¬¬

  • Clara Telis:

    Sério mesmo ?Como descobriram ?

  • Alex:

    podem significar???
    Ah, eu cresci em um bairro, e acredite, é claro que a saude é menor que em um bairro de classe mais alta…
    isso é fato

  • Jefferson:

    Obrigado capitão óbvio!

  • Elizabeth:

    “Nem todo mundo pode sair de seu bairro, mas talvez haja uma chance de melhorá-lo no que ele é”

    Esta frase no final do texto resume tudo. Não é exatamente a pobreza que deixa as pessoas doentes mas o modo de vida, a higiene… o saneamento.

    Acho errado comparar a pobreza à saúde ruim, faz pensar que todos os pobres não tem hábitos saudáveis e sabemos que não é bem assim. Quem nunca ouviu alguma dona de casa dizer: “minha casa é pobre mas é limpinha”.

    O que falta para alguns é educação para a saúde. Isso é que pode melhorar os bairros e a saúde das pessoas.

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