Bizarros objetos são descobertos próximos ao centro da nossa galáxia

Por , em 17.01.2020

Astrônomos da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA) descobriram uma nova classe de objetos bizarros no centro de nossa galáxia, próximo ao nosso buraco negro supermassivo, o Sagittarius A*. 

A descoberta 

Em 2005, Andrea Ghez, da Universidade da Califórnia, e sua equipe descobriram um objeto estranho no centro da nossa galáxia, nomeado G1. Mais tarde, em 2012, astrônomos alemães identificaram outro objeto bizarro semelhante, por sua vez nomeado G2. 

Seriam esses achados objetos isolados, ou uma nova classe? Para responder a essa pergunta, Ghez e seus colegas vasculharam o centro da Via Láctea com o auxílio do Observatório Keck, no Havaí, e de uma tecnologia pioneira chamada de “ótica adaptativa”, que corrige os efeitos de distorção criados pela atmosfera da Terra, determinando a existência de quatro novos objetos, G3, G4, G5 e G6.  

Segundo Ghez, esses objetos se parecem com gás, mas se comportam como estrelas. São compactos a maior parte do tempo, mas se esticam quando suas órbitas os levam para mais perto do buraco negro da Via Láctea. Tais órbitas variam entre 100 e 1.000 anos. 

“Uma das coisas que deixou todo mundo empolgado com os objetos G é que as coisas que são arrancadas deles pela força das marés, enquanto passam pelo buraco negro central, devem inevitavelmente cair no buraco negro”, disse um dos autores do estudo, Mark Morris, da Universidade da Califórnia. “Quando isso acontecer, poderá produzir um impressionante show de fogos de artifício, já que o material consumido pelo buraco negro esquentará e emitirá radiação abundante antes que desapareça no horizonte de eventos”. 

O que sabemos 

Os pesquisadores acreditam que todos os seis objetos identificados até agora eram estrelas binárias – ou seja, um sistema de duas estrelas orbitando uma a outra – que se fundiram por causa da força gravitacional enorme do buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia. Tal evento de junção levaria mais de um milhão de anos para se completar. 

“Fusões de estrelas podem estar acontecendo no universo com mais frequência do que pensávamos e provavelmente são bastante comuns. Os buracos negros podem estar levando estrelas binárias a se fundirem. É possível que muitas das estrelas que estivemos observando e não entendendo possam ser o produto final de fusões que são calmas agora. Estamos aprendendo como as galáxias e os buracos negros evoluem. A forma como estrelas binárias interagem umas com as outras e com o buraco negro é muito diferente de como estrelas únicas interagem com outras estrelas únicas e com o buraco negro”, explicou Ghez. 

A equipe já identificou mais alguns candidatos a objetos G, e o próximo passo será analisá-los. 

Um artigo sobre a descoberta foi publicado na revista científica Nature. [ScienceDaily]

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