As cicatrizes sangrentas da lua Europa

Por , em 9.07.2015

Europa – a lua de Júpiter, não o continente – é um lugar estranho. Há algo de inegavelmente biológico sobre esta imagem, enviada pela sonda Galileo da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa). Nela, a lua aparece marcada por profundas ranhuras vermelhas, assemelhando-se às veias vermelhas vibrantes que fluem através de um olho humano.

Várias sondas passaram perto de Europa no passado e Galileo a explorou com atenção durante seus muitos anos na órbita de Júpiter, entre 1995 e 2003. Dados da espaçonave apoiaram a teoria de que Europa apresenta um profundo oceano líquido subterrâneo, e minerais semelhantes à argila foram detectados na crosta gelada da lua. A sonda também descobriu provas de uma “exosfera” em torno de Europa, bem como das luas de Júpiter Ganímedes e Calisto. Esta exosfera é uma fina atmosfera em torno das luas na qual as moléculas permanecem gravitacionalmente presas.

Europa, Ganimedes e Calisto serão mais exploradas pela missão Juice da Agência Espacial Europeia (ESA) quando ela atingir o sistema em 2030. O nome da missão vem de “JUpiter ICy moons Explorer” – “Exploradora das Luas Congeladas de Júpiter”. Europa também deve receber uma maior atenção da Nasa, que irá lançar sua missão em algum momento na década de 2020.

Rachaduras vermelhas

Apesar de sua aparência enervante, a cicatrizes vermelhas que cruzam Europa não são, obviamente, biológicas. Elas são, na verdade, rachaduras e cordilheiras que marcam linhas fracas na crosta de gelo da lua, enfatizadas e exacerbadas pelo movimento das marés devido à atração gravitacional de Júpiter. Algumas destas cordilheiras têm milhares de quilômetros de comprimento. Já esta cor surpreendente se deve aos minerais contaminantes que ficam abaixo da crosta gelada e chegam à superfície – possivelmente sais do oceano subterrâneo.

As regiões manchadas de vermelho são terrenos caóticos, partes da superfície da lua com material gelado despedaçado que foi quebrado e movido pela região.

Esta imagem colorida e editada digitalmente, da coleção NASA PhotoJournal, combina fotos tiradas usando filtros violeta, verdes e quase infravermelhos. Uma versão com cores mais naturais também está disponível. Os dados foram coletados em 1995 e 1998. [Phys.org]

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