A ciência de se demitir da melhor maneira

Por , em 23.09.2016

Pesquisadores da Universidade do Estado de Oregon (EUA) estudaram a forma como as pessoas se demitem ao redor do mundo e perceberam que há sete formas de deixar o local de trabalho, cada uma com suas vantagens e desvantagens para o empregado e para o empregador.

Essas sete formas de se demitir podem ser divididas em dois grupos: positivas e negativas. A forma escolhida pelo funcionário para deixar o trabalho indica como ele se sente em relação ao ambiente de trabalho e se sente que foi tratado com respeito pelo chefe ou empresa. Aqueles que sentem que são respeitados e tratados de forma positiva tendem a passar pelo processo de desligamento de forma positiva.

“Como um empregado, você praticamente não tem nenhum poder durante todo o tempo de trabalho, até que você decide sair. Este é o único momento em que você se sente empoderado e tem uma chance de acertar as contas, caso sinta que foi tratado de forma injusta” explica Anthony Klotz, professor do curso de Negócios da universidade e autor principal do trabalho.

Lidar com a demissão espontânea faz parte da rotina qualquer empresa ou negócio: a taxa de desistência da vaga na Europa e EUA é de 10% ao ano, enquanto na Ásia é muito mais alta. O que os pesquisadores queriam saber no trabalho é como as pessoas se demitem e que consequências isso traz para elas e para a empresa.

“Há muitas pesquisas sobre o que motiva as pessoas a se demitirem, mas sabemos pouco sobre como as pessoas se demitem”, justifica Klotz. “Empregadores e empregados querem saber qual é a melhor forma”. O trabalho final do pesquisador foi publicado no Journal of Applied Psychology.

Através de entrevistas com empregados e empregadores, os pesquisadores verificaram que existem sete formas de se demitir:

7. Seguindo as regras

Esse tipo de demissão envolve conversas cara-a-cara com o chefe para anunciar a desistência, o cumprimento do aviso prévio e a explicação sobre o que motivou a decisão.

6. Por mera formalidade

Essa demissão é semelhante à “seguindo as regras”, mas a reunião tende a ser breve e o motivo da desistência não é informado ao chefe.

5. Adeus com gratidão

Nesse caso, o funcionário mostra gratidão em relação ao seu empregador e costuma oferecer ajuda no período de transição.

4. Com a participação do chefe

Nesse tipo de demissão, o colaborador informa o chefe sobre suas intenções com bastante antecedência, avisando que está pensando em sair ou que está procurando outro emprego.

3. Fuga

Isso ocorre quando um empregado deixa que o RH da empresa ou outro mentor avise o chefe sobre sua saída, ao invés de conversar diretamente com ele.

2. Fechando a porta

Esse tipo de demissão acontece quando o empregado quer causar danos para a empresa ou para seus membros, normalmente com agressão verbal, mas às vezes com alguns atos insanos.

1. Demissão impulsiva

Neste caso, a pessoa simplesmente abandona o emprego sem conversar com ninguém da empresa. Isso pode deixar o empregador com um problema, já que não houve aviso prévio e é preciso aguardar vários dias até que seja confirmado abandono de emprego e a pessoa possa ser oficialmente desligada do quadro de funcionários.

Os dois primeiros casos descritos são os mais comuns, mas 10% de quem se demite opta pelo estilo “fechando a porta”. Os empregadores se frustram especialmente com quem desiste das formas “por mera formalidade”, “fechando a porta” e “fuga”.

O estudo também mostrou que os chefes responderam melhor a demissões “com a participação do chefe” e “seguindo as regras”. Nesses casos, eles ficam mais inclinados a fornecer cartas de recomendação para o colaborador ou até recontratar a pessoa no futuro.

Entender por que um colaborador deixou a empresa da forma que deixou é muito importante para instituições que querem evitar que ex-funcionários causem danos à sua imagem. “Vingança é comum, é caro, atrapalha, e pode ser contagiosa. Então como empregador, você quer que os funcionários se demitam de forma positiva”, diz o professor.

As empresas também devem prestar atenção na forma com que seus colaboradores estão a abandonando para perceber o quanto antes sinais que indicam que há um problema de administração de pessoas.

Klotz agora quer aprofundar o estudo para saber se cumprir o aviso prévio nos casos de demissão por vontade do colaborador realmente é vantajoso para as empresas. “É melhor dizer ‘tchau’ e pagar a pessoa pelo período de transição ou pedir que ela fique para ajudar no treinamento de seu substituto?”, questiona ele. “Esse é um período estranho tanto para o empregador quanto para o empregado”. [Phys.org]

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