Cientistas brasileiros imprimem minifígado humano que funciona

Por , em 27.12.2019

Pesquisadores brasileiros conseguiram obter organoides hepáticos, também chamados de minifígados, que conseguem exercer as funções do órgão.

Este processo a partir de células sanguíneas humanas permite a produção de tecido hepático em laboratório em 90 dias, e tem potencial para se tornar no futuro uma alternativa ao transplante de órgãos.

O estudo foi realizado no Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-tronco, financiado pela FAPESP na Universidade de São Paulo (USP).

O grande destaque do estudo foi que este tecido produzido por impressora manteve suas funções hepáticas por um período superior ao observado em trabalhos anteriores de outros pesquisadores.

A inovação está na forma de incluir as células do sangue humano na biotinta usada na impressora 3D. “Em vez de imprimir células individualizadas, desenvolvemos uma maneira de agrupá-las antes da impressão. São esses ‘gruminhos’ de células, ou esferoides, que constituem o tecido e mantêm a sua funcionalidade por muito mais tempo”, explica à Agência FAPESP Ernesto Goulart, principal autor do artigo.

Com esta técnica, evita-se a perda do contato entre as células e, por consequência, da funcionalidade do tecido.

Impressão de um minifígado

O processo completo – desde a coleta do sangue até a obtenção do tecido funcional – demora aproximadamente 90 dias, e é dividido em três etapas: diferenciação, impressão e maturação.

As células sanguíneas são reprogramadas para regredir a um estágio de pluripotência característico da célula-tronco. Depois, essas células são induzidas a se diferenciarem sob a forma de células hepáticas. Em seguida os esferoides são misturados à biotinta, que é uma espécie de hidrogel, e só então acontece a impressão. As estruturas resultantes passam por um período de maturação em cultura que leva 18 dias.

Apesar de este fígado ser uma versão em miniatura, Goulart garante que é possível aplicar a técnica à órgãos inteiros, para que no futuro possam ser transplantados. “Fizemos uma escala mínima, mas com investimento e interesse é muito fácil de escalonar”, diz ele.

Os resultados do trabalho foram publicados na revista científica Biofabrication. [Biofabrication, Agência Fapesp, Futurism]

Veja abaixo vídeo produzido pela Agência FAPESP que oferece mais detalhes sobre o trabalho inovador:

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