Estranho arco é encontrado na atmosfera de Vênus

Por , em 17.01.2017

Cientistas japoneses fizeram uma descoberta surpreendente: a atmosfera de Vênus tem uma deformação em forma de arco. Essa região parece estar fixa no planeta, rotando junto com ele. As nuvens presentes nessa área, porém, se movimentam a uma velocidade de 100 m/s.

A sonda japonesa Akatsuki foi lançada em maio de 2010, com o objetivo de estudar a estrutura e atividade da atmosfera de Vênus. Depois de uma jornada difícil, ela entrou em órbita apenas na segunda tentativa, que aconteceu em 2015.

O novo estudo publicado na Nature Geoscience relata a descoberta de uma estrutura com formato de arco. O arco foi captado pelos instrumentos de imagem da sonda, e os astrônomos notaram que a estrutura se estendeu a 10 mil km de altitude e durou alguns dias, mas depois desapareceu.

Este formato parece estar relacionado ao terreno da superfície, particularmente na região chamada Aphrodite Terra, que tem 5km de altura e o tamanho da África. A estrutura é atingida pelos rápidos ventos da altitude das nuvens.

Os pesquisadores sugerem que a “onda de gravidade” estacionária (diferente da onda gravitacional) na atmosfera pode causar o efeito. As ondas de gravidade são geradas no limite entre a atmosfera e a superfície ou então entre camadas horizontais na atmosfera. Um exemplo na Terra é a onda de vento no mar – entre a atmosfera e o oceano.

Apesar de a onda da gravidade já ter sido observada perto do solo em Vênus, essa proporção enorme é novidade. É possível que seja a maior do sistema solar.

Essa descoberta ilustra como as dinâmicas de baixa altitude ainda são pouco conhecidas.

Características de Vênus


Antes da era espacial, acreditava-se que Vênus poderia ser similar à Terra, com vegetação rica escondida abaixo de suas nuvens ricas em água. Mas agora sabemos que não há vida em Vênus e que ele é muito diferente do nosso planeta, a começar pela composição de suas nuvens: ali, chove ácido sulfúrico. O planeta tem a superfície mais quente do Sistema Solar, com temperaturas de 447°C. Tem também uma atmosfera muito grossa, com 92 vezes a pressão atmosférica da Terra. Sua rotação é lenta, levando 243 dias terráqueos, além de rodar para o lado oposto ao dos outros planetas.

Vênus provavelmente teve água em sua superfície no passado, mas essa água evaporou gradualmente por conta de sua proximidade com o Sol. Isso causou um efeito estufa, em que a atmosfera se tornou mais grossa, a superfície mais quente e mais água evaporou. Ao invés de se condensar e formar oceanos, a água se quebrou na parte superior da atmosfera.

Sem oceanos, o dióxido de carbono liberado na atmosfera por atividades vulcânicas não poderia se dissolver na água. A atmosfera de Vênus é composta principalmente de dióxido de carbono.

As primeiras missões espaciais que estudaram o planeta, Mariner, Venera e Pioneer Venus, determinaram a composição das nuvens e mediram a pressão atmosférica. Venera foi a única sonda a pousar no planeta, e mostrou imagens de terreno vulcânico e lava. Já a missão Magellan usou radares para espiar entre as nuvens, permitindo o mapeamento dos vulcões e canais de lava.

A superrotação da atmosfera de Vênus a torna muito diferente da Terra. No nível das nuvens, com altitude de 50 a 65km, a velocidade de rotação é de até 100m/s, cerca de 60 vezes a rotação do planeta. O Pioneer Venus mostrou, porém, que essa velocidade vai caindo conforme a altitude diminui, acompanhando a velocidade de rotação do planeta na superfície. [Phys.org]

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