Cientistas editam o DNA de embrião humano saudável

Por , em 27.09.2016

Desde que a técnica CRISPR foi inventada, tem havido um debate intenso sobre se devemos ou não editar o DNA de embriões humanos viáveis.

O CRISPR é uma ferramenta poderosa que permite que “cortemos” pedaços do DNA, por exemplo, eliminando doenças genéticas em embriões antes de eles se tornarem bebês, como o HIV.

A polêmica

Um cientista sueco, o biólogo do desenvolvimento Fredrik Lanner, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, reconheceu publicamente que está fazendo edição de gene em embriões humanos saudáveis que poderiam hipoteticamente se desenvolverem em bebês.

Embora seja altamente provável que ele não esteja sozinho em seu esforço controverso, um encontro global em Washington, nos EUA, em dezembro passado, deixou claro que é ilegal modificar um embrião humano que vai se tornar uma pessoa.

No entanto, vários grupos de pesquisa estão buscando aprovação para realizar experimentos de edição de gene em embriões humanos viáveis.

O Instituto Crick Francis, no Reino Unido, recebeu recentemente autorização das autoridades reguladoras nacionais para fazer um estudo, o primeiro endosso deste tipo que o mundo já viu, desde que os embriões fossem terminados após sete dias da fertilização.

A pesquisa de Lanner

Lanner é o primeiro a declarar aberta e claramente que está usando a tecnologia em embriões humanos viáveis, sem ter autorização para tanto. Ele utiliza embriões que sobram de fertilização in vitro.

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Com a sua capacidade rápida e altamente precisa de “cortar” pedaços do código genético e substituí-los por novos, a técnica CRISPR tem a capacidade hipotética de melhorar o genoma humano, por exemplo, nos dando imunidade a certas doenças ou condições.

Com isto em mente, Lanner disse que espera usar a ferramenta para descobrir novos tratamentos de infertilidade e para aprender mais sobre células estaminais embrionárias, o tipo que pode se tornar praticamente qualquer célula do corpo humano.

“Se pudermos entender como essas células são reguladas no embrião, esse conhecimento vai nos ajudar no futuro a tratar pacientes com diabetes ou Parkinson, ou diferentes tipos de cegueira e outras doenças”, disse.

Críticas

Entre uma infinidade de outras preocupações, os críticos de tal técnica de edição de gene estão preocupados que isso poderia acidentalmente resultar em embriões humanos “alterados” em estágios avançados do desenvolvimento.

A fim de amenizar essas preocupações, Lanner observou que seu grupo de pesquisa nunca deixa os embriões passarem de 14 dias de desenvolvimento.

Os benefícios deste tipo de trabalho não são nada menos do que notáveis. Teoricamente, doenças genéticas poderiam ser “editadas” de bebês antes mesmo deles nascerem, salvando-os de uma condição debilitante ao longo da vida.

No entanto, um deslize poderia inadvertidamente causar um erro de DNA imprevisto. Em última análise, isto poderia introduzir uma doença nova para a população humana, por exemplo.

Além disso, há a questão da técnica permitir “bebês projetados” com modificações do código genético, o que envolve um debate ético. “Eu sou contra qualquer tipo de pensamento que se deve usar isso para projetar bebês ou melhorá-los para fins estéticos”, afirma Lanner. [IFLS]

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