Cientistas encontram sangue de dinossauro de 75 milhões de anos

Por , em 10.06.2015

Cientistas descobriram o que parecem ser glóbulos vermelhos e fibras de colágeno em ossos de dinossauro, o que significa que restos orgânicos podem ser encontrados em muito mais fósseis do que eles pensavam.

Os fósseis analisados

Usando microscopia molecular, uma equipe britânica analisou oito fragmentos de ossos de dinossauros que viveram cerca de 75 milhões de anos atrás, no período Cretáceo.

Os fósseis estavam tão mal conservados que era impossível dizer exatamente qual tipo de animal alguns deles foram.

As amostras incluíram a garra de um dinossauro carnívoro, alguns ossos do dedo do pé de um ceratopsiano (grupo que incluía o chifrudo tricerátopo), o bico de um hadrossauro e fragmentos de costela de uma espécie desconhecida. Todos os ossos vieram de um parque em Alberta, no Canadá, e estavam no Museu de História Natural de Londres há 100 anos, desde quando foram desenterrados.

“O que descobrimos são estruturas que poderiam ser células vermelhas do sangue, e também outras estruturas que poderiam ser fibras de colágeno originais”, disse um dos coautores do estudo, Sergio Bertazzo.

A surpresa

Há muito tempo se pensava que moléculas de proteína não podiam sobreviver por mais de quatro milhões de anos.

Bertazzo e sua equipe usaram um microscópio especial com um feixe de átomos pesados para fazer cortes de escala nanométrica (um nanômetro é um bilionésimo de um metro) nas amostras. “O microscópio também tem um braço robótico com uma micro agulha que pode ser usada para pegar e mover coisas no interior do microscópio”, explica Bertazzo.

Combinando o feixe e a agulha, os pesquisadores cortaram pequenos pedaços de fósseis e realizaram uma análise para verificar se havia fragmentos de aminoácidos.

A equipe tinha a intenção de analisar as lacunas deixadas no osso por material orgânico decomposto, e não imaginavam que iriam encontrar estruturas parecidas com células vermelhas do sangue e fibras de colágeno, uma proteína que compõe a maior parte dos tecidos conjuntivos em animais.

Caça por sangue de dinossauro

Outros pesquisadores já encontraram restos de material orgânico em ossos de dinossauros, mas apenas em fósseis excepcionalmente bem preservados, que são raros.

Sendo assim, a nova descoberta indica que a probabilidade de encontrar material orgânico em fósseis é muito maior do que se pensava, pelo menos na escala microscópica.

No futuro

Por enquanto, mais evidências são necessárias para confirmar a natureza das estruturas. Caso fique provado que estamos diante de sangue de dinossauro, e mais amostras possam ser coletadas em outros fosseis, os pesquisadores poderão responder várias questões sobre a evolução animal.

Os dinossauros são ancestrais distantes das aves modernas, e os cientistas esperam que este tipo de pesquisa revele como e quando um lagarto de sangue frio deu origem a aves de sangue quente com um metabolismo rápido.

Em vertebrados, quanto menor o glóbulo vermelho, maior a taxa metabólica. “Se pudermos encontrar células sanguíneas em muitos dinossauros diferentes, sua gama de tamanho pode fornecer uma linha independente de evidência sobre quando os dinossauros passaram a ter sangue quente”, disse Bertazzo.

Quanto à probabilidade de encontramos DNA dinossauro, não se empolgue. Muitos mais estudos devem ser feitos antes de os cientistas sequer poderem dizer se isso é possível ou não. [Phys]

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6 comentários

  • Darcy Araujo:

    A pergunta do Abraão faz sentido. Não se acha base científica para este material durar 50 mil anos, muito menos 4 ou 75 milhões(!) de anos.

  • Abraão:

    Se tem sangue, então não tem 75 milhões de anos. Pq insistir nessa mentira de milhões de anos?

    • Cesar Grossmann:

      Quem disse que se tem sangue não tem 75 milhões de anos? De onde você tirou isso?

  • Henrique Araujo:

    Será que jurassic park poderá ser real em algumas decadas ou seculos?

    • Marcelo Ribeiro:

      Sequer temos tecnologia hoje para fazer um bicho apenas do DNA dele. Talvez um dia cheguemos lá. No entanto, até onde sabemos, não há como DNA ser preservado por tanto tempo. Ele inevitavelmente degrada em alguns anos. Talvez cheguemos ao ponto de sermos capazes de modificar animais de maneira a se assimilarem a dinossauros, por exemplo. Mas seria engenharia genética “criativa”. Mais ou menos como fizeram no último filme. E há inúmeros dilemas éticos para isto.

      Impossível em algumas décadas/séculos: não. Se seria realizado, talvez. Se a tecnologia ficar tão simples como usar uma impressora 3D hoje.

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