Médicos do Reino Unido arrumam problema na coluna de fetos pela primeira vez no país

Por , em 27.10.2018

Médicos do Reino Unido fizeram cirurgias nas colunas de dois bebês ainda no útero de suas mães, semanas antes do nascimento. Este tipo de cirurgia já é realidade em países como os EUA, Bélgica, Suíça e no Brasil, mas é a primeira vez que cirurgias do tipo são feitas na terra da rainha. As operações foram realizadas por uma equipe de 30 médicos do University College Hospital, em Londres. Os bebês tinham espinha bífida, uma condição em que a medula espinhal não se desenvolve adequadamente e tem uma lacuna.

Feto pode desenvolver a visão dentro do útero

O problema geralmente é tratado após o nascimento, mas quanto mais cedo for reparado, melhor para a saúde e mobilidade a longo prazo da pessoa. Durante as cirurgias, que duraram cerca de 90 minutos, os médicos fizeram uma abertura no útero e, em seguida, costuraram a lacuna na coluna dos bebês. O procedimento é arriscado e pode causar trabalho de parto prematuro, mas as mães e os bebês estão se recuperando bem.

Inovação brasileira

Pesquisadores de todo o mundo estão explorando métodos menos invasivos para este tipo de cirurgia. Um destes métodos foi criado no Brasil, pela coordenadora da linha de pesquisa do Hospital Albert Einstein, Denise Araujo Lapa Pedreira. Ela utiliza uma abordagem alemã para cirurgias em fetos, menos invasiva. O procedimento se assemelha a uma laparoscopia, um procedimento que utiliza pequenos furos e geralmente é utilizado para a retirada da vesícula biliar. Porém, ao contrário desta, a técnica de Pedreira necessita de uma ultrassonografia para identificar a placenta, o feto e a lesão.

“Essa abordagem fetoscópica já estava sendo feita na Alemanha, mas a técnica de correção do defeito propriamente dita é nossa, brasileira e inédita. Foi desenvolvida 100% aqui no Brasil”, destaca a médica em matéria publicada no site da Universidade de São Paulo (USP).

Vitamina comum pode ser a chave para impedir abortos e má-formação de fetos

Na técnica brasileira, quatro furos são feitos na barriga da mãe. Segundo a matéria da USP, através desses furos, o líquido amniótico é retirado e substituído por gás carbônico. Depois, são introduzidos os instrumentos necessários para fazer a dissecção e a sutura do defeito, além de uma câmera para filmar o feto e o procedimento.

Então, após o posicionamento do feto, a medula é colocada de volta no local adequado. Uma película de celulose é posta em cima da operação e a pele do feto é suturada. Na técnica alemã, a película é fabricada com outra matéria-prima e é suturada em volta da lesão. No entanto, os pontos deste procedimento podem, mais tarde, causar fibroses e cicatrizes no local, além de tornarem a cirurgia mais demorada.

Caso raro de “fetus in fetu”: bebê nasce “grávido” de seu irmão gêmeo

Em comparação com a técnica tradicional, na qual o útero é aberto, a abordagem fetoscópica proporciona o dobro de chances de o bebê conseguir andar e diminui pela metade as chances de desenvolver hidrocefalia. Em relação à técnica alemã, há 70% de melhora do quadro e, comparando com a americana, 40%.

A espinha bífida acontece quando o tubo neural do bebê, uma espécie de cérebro e medula espinhal primitivos do bebê, não se forma adequadamente e leva a falhas ou defeitos na medula espinhal e nos ossos da coluna vertebral. Uma cirurgia pode ser usada para fechar a lacuna na coluna vertebral na maioria dos casos, mas muitas vezes o sistema nervoso já pode ter sido danificado, levando a problemas como paralisia, hidrocefalia, incontinência e dificuldade de aprendizagem. [BBC, USP]

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (11 votos, média: 4,73 de 5)

Deixe seu comentário!