Estudo: carne processada é associada a graves problemas psiquiátricos

Por , em 19.07.2018

Carnes processadas e curadas com nitrato, como carne seca ou bacon, foram associadas a extensos períodos de hiperatividade, insônia e perda de atenção em pessoas que experimentam episódios maníacos em uma pesquisa conduzida pela Universidade Johns Hopkins (EUA).

Os cientistas descobriram que pacientes recebendo cuidados médicos para sintomas maníacos eram três vezes mais propensos a terem comido produtos de carne processada do que pacientes que estavam sendo tratados para outras condições psiquiátricas, como a esquizofrenia.

O mecanismo exato por trás da associação ainda não está claro, mas um experimento subsequente realizado com ratos alimentados com carne seca resultou em um aumento de movimentos e sinalização alterada no hipocampo dos animais.

Alterações também foram observadas na microflora intestinal dos ratos, o que sugere um possível mecanismo pelo qual os nitratos da carne afetam o sistema nervoso.

Condições neurológicas: várias causas

O transtorno bipolar é uma condição crônica de saúde mental caracterizada por mudanças dramáticas nos níveis de humor e energia, incluindo episódios maníacos. Esses episódios podem durar semanas, ou mesmo meses, e podem coincidir com depressão e psicose.

Surpreendentemente, pouco se sabe sobre as causas da doença. Há fortes indícios de uma predisposição genética, embora, como na maioria das condições neurológicas, parece que mais de um ou outro gene é necessário para desencadeá-las.

Fatores ambientais que afetam o desenvolvimento inicial, de infecções ao tabagismo materno, têm sido explorados como possíveis gatilhos. Estresse, lesões na cabeça e nascimentos prematuros também são considerados fatores de risco potenciais.

A dieta é outra área que tem atraído atenção significativa dos cientistas, com estudos sugerindo que uma alimentação ocidentalizada com alta carga glicêmica pode contribuir para o desenvolvimento dos sintomas.

Agora, os resultados do novo estudo sugerem que uma dieta rica em muitas variedades de presunto, carne seca ou salame pode ter um papel no desenvolvimento de condições relacionadas à mania em pelo menos algumas pessoas.

O estudo

Os pesquisadores usaram registros médicos para categorizar mais de 700 pacientes voluntários portadores de mania, depressão bipolar, depressão severa ou esquizofrenia. Cada um deles respondeu questionários sobre suas dietas.

A categoria representada pelos sintomas maníacos tinha um número extraordinariamente alto de pacientes que consumiam carnes processadas.

A ligação entre essas duas coisas pode estar na adição de compostos de nitrogênio à carne, na forma de nitrito de sódio ou nitrato de potássio, usados para preservar alimentos durante séculos. Em seguida, a influência dos compostos de nitrogênio sobre as bactérias em nosso intestino pode afetar nossa saúde.

“Trabalhos futuros sobre esta associação poderiam levar a intervenções dietéticas para ajudar a reduzir o risco de episódios maníacos em pessoas que têm transtorno bipolar ou que são vulneráveis à mania”, disse o principal autor do estudo, Robert Yolken.

A importância da microflora

No passado, variações na microflora já foram consideradas responsáveis por uma digestão excessiva de nitratos nas dietas de pessoas que sofriam de enxaquecas, fazendo com que seus vasos sanguíneos se dilatassem mais que o normal e causassem dor intensa.

Nossos cérebros e as bactérias em nosso intestino têm um relacionamento complicado, o qual os cientistas ainda não entendem totalmente. Logo, não seria um choque se pesquisas adicionais confirmassem que sintomas maníacos podem ser exacerbados ou mesmo causados por certos organismos que vivem em nossos corpos reagindo a nitratos em nossas carnes.

Por enquanto, não é preciso eliminar completamente o bacon de sua dieta. Mas, tendo em vista que ele pode desempenhar um papel em episódios maníacos (e a que a Organização Mundial da Saúde considera que pode ser cancerígeno), talvez seja uma boa ideia moderar o consumo de carnes processadas.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Molecular Psychiatry. [ScienceAlert]

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