Companhias aéreas culpam celulares por problemas nos voos

Por , em 14.06.2011

Se quando você entra em uma avião, recebe um aviso claro: “desligue seu celular ou qualquer outro aparelho eletrônico”, deve ser por um bom motivo, não?

Infelizmente, as pessoas são autosuficientes e acham que sabem melhor. Agora, os pilotos e suas tripulações reportaram a Associação International de Transporte Aéreo que, entre 2003 e 2009, celulares, iPods, laptops e outros equipamentos causaram inúmeros problemas.

26 dos incidentes afetaram controles de voo, incluindo piloto automático e pouso. Outros 17 incidentes afetaram sistemas de navegação, 15 casos de interferências afetaram sistemas de comunicações e 13 acionaram advertências sobre problemas no motor.

Acredita-se que, durante um voo, aparelhos eletrônicos tenham feito o piloto automático desengatar 1.370 metros. O relatório diz: “O piloto automático se desativou sozinho. Os comissários de bordo foram imediatamente avisados para procurar passageiros com equipamentos eletrônicos. Os assistentes relataram quatro passageiros operando dispositivos eletrônicos (um handphone e três iPods)”.

Depois de um anúncio informando aos passageiros para não usar seus aparelhos eletrônicos, “para sua própria segurança e segurança do voo”, o voo prosseguiu sem maiores incidentes.

Em outro incidente, uma unidade de GPS na cabine fez uma leitura errada porque dois laptops estavam sendo usados nas proximidades. A interferência eletrônica também causou medições rápidas e mudanças de altitude em um voo diferente. Os passageiros foram convidados a desligar seus aparelhos e as leituras voltaram ao normal.

“Depois de uma hora, foram observadas alterações novamente. Foi feito um segundo anúncio e os fenômenos pararam”, diz o relatório.

O relatório salienta que não se verificou exatamente que os dispositivos eletrônicos causaram os problemas. Porém, muitas tripulações acreditam que telemóveis são responsáveis por 40% dos incidentes.

Os números vão agitar o debate sobre o uso de dispositivos eletrônicos em voos. Nem todos acreditam que eles sejam um problema; alguns especialistas acham que as regras são excessivamente cautelosas.

“Existe muita evidência anedótica, mas nenhuma prova”, diz John Nance, ex-piloto comercial e piloto da Força Aérea. “Acontece algo e o piloto não sabe explicar. Essas histórias não são convincentes, visto que há 32.000 voos no país por dia”, completa.

Entretanto, a Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido concluiu que a interferência eletrônica a partir de telefones pode levar a “erros” na mostra de instrumentos e criar ruído nas rádios piloto. A Boeing disse que os problemas podem ser particularmente graves em aeronaves mais antigas, cujos instrumentos não são bem protegidos. Em 2008, o uso de telefones móveis foi proibido nas alturas. E porque não prevenir, ao invés de remediar?[Telegraph]

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19 comentários

  • Campos:

    Seria ótimo se pudesse usar a internet a bordo. As veses são mais de 12 horas de voo, ininterrupto. Por causa de talvez medo estes confortos não são usados.

  • Tião Carrero:

    Se um avião pode sofrer inferência nem devia sair do chão. A potência é muito pequena comparada e outras fontes, imaginem passando sobre uma antena de rádio!??! Pura enganação para o passageiro usar os servições de bordo.

    • David:

      Pois é. Se um débil-mental pode pegar um fuzil e atirar na turbina, o avião também não deveria sair do chão. Se um irresponsável pode passar o sinal vermelho e matar um inocente, ninguém deveria sair de casa, não é mesmo?

      Não, não é pura enganação. Você é o típico passageiro que acha que sabe mais que todo mundo.

      A diferença para os serviços de bordo está no fato de que os serviços de bordo são isolados e testados exaustivamente para assegurar que eles não irão interferir nos instrumentos (malhas de aço em fios, antenas direcionais que impedem a interferência com partes sensíveis do avião, dentre outras coisas). Já o seu celular ou laptop emitindo microondas com antenas omnidirecionais (que espalham a radiação pra todas as direções) não é testado nos laboratórios dos fabricantes de aviônica simplesmente porque é impossível testar todos os modelos existentes no mundo.

      Sou engenheiro eletrônico, já fiz estágio na Rockwell Collins (fabricante de instrumentação aeronáutica), e um dos temas abordados era justamente a interferência de rádio entre celulares/laptops/wifi e os instrumentos.

      Infelizmente, existem infinitas variações (tanto que alguns testes só podem ser feitos em voo, para refletir a precisão dos testes), mas sob alguns cenários, ocorre tal interferência. Num dos casos, tínhamos uma falha na comunicação por rádio (chiado) com o controle quando tentávamos fazer também ligação por celular. Conseguimos reproduzir o problema, sempre com os mesmos resultados para aquele cenário específico. Claro, nem sempre isso ocorre, depende do modelo de celular, do modelo de avião e dos instrumentos, de uma série de fatores, por isso que ainda não se conseguiu prever com exatidão quando e onde as interferências ocorrem.

      Mas que elas ocorrem, ocorrem. Enquanto isso, teremos passageiros como você, que agem perigosamente colocando todos sob risco. E claro, pessoas como você opinando irresponsavelmente sobre um assunto que claramente desconhece.

      Como se diz, melhor ficar calado e deixar que as pessoas achem que você não sabe de nada do que abrir a boca e acabar com toda a dúvida.

    • David:

      E aliás: NÃO, a potência de um celular NÃO é pequena. É mais do que suficiente para gerar interferência.

      Quanto à antena de rádio, é verdade. Elas geram interferência muita, especialmente rádios piratas (que às vezes entram na frequencia errada). No entanto, a 30 mil pés a interferência não é grande, sem falar que em voos pelo país raramente se passa por alguma delas exatamente embaixo do avião. Nessa altura um celular pode interferir mais que uma antena de rádio.

      Finalmente, mesmo que antenas de rádio também causassem interferência, não é por causa disso que nós vamos aumentar a interferência, não é mesmo? Não é porque a porta está destrancada que vamos escancarar.

  • cllara fontinelle:

    acho isso muito complicado depois de ler muito , cheguei a conclusão q aqui é implssivel tiramos alguma duvda

  • Cesinha:

    Tenho um monomotor (Corisco2) com muita eletronica embarcada…
    Com exceção em momentos de decolagem e pouso, sempre utilizo o celular (como telefone) quando tem sinal… Sem problemas… Utilizar em voos de carreira, em modo avião, não vejo problema algum. Conforme foi comentado, não vamos poder utilizar nem relógios eletronicos…(detalhe: e nos aviões da AA e da TAM??? onde podemos utilizar normalmente???)

    • Luiz:

      Sua muita eletrônica deve ser um ou dois gps no painel, dois VOR/ILS, ADF e talvez um sistema dinâmico de abafamento de ruido com um som de CD acoplado. Os comandos de vôo são mecânicos por cado, e nem o comando de flap é elétrico… Não dá prá ter mais do que isso.
      Corisco com muita eletrônica embarcada… é transporte de equipamentos para revenda ?
      Certamente você usa porque é dono do avião, e seu empregado, que pilota o avião prá você (e está doido prá ir trabalhar em outro lugar), se omite porque estão voando visual, mesmo.
      “Mais aeronaves já se acidentaram por arrogância, do que por falhas mecânicas…”

  • Rodrigo Paim:

    As pessoas tem de entender que, quando falam para deixar o celular desligado no avião, tem um bom motivo.

    Não da para ficar nem algumas horinhas sem esses aparelhos ? Leva um livro pra não ficar entediado, pronto, que tal ?

    Qualquer erro nos esquipamentos de um avião pode por em risco a vida de centenas de pessoas, então é preciso levar isso a sério.

  • Campos:

    Sempre houve acidentes de avião e antes não existiam aparelhos celulares e computadores. Quando não se sabe o motivo dos acidentes, como no caso do triangulo das bermudas, o problema se tornou um mistério. Este mistério atualmente é transferido para aparelhos eletronicos, na aviacão. Existem misterios ate hoje que não foram resolvidos como o caso da combustão expontanea de uma pessoa. Sugiro que leiam sobre o problema no blog Olhando o universo, onde se fala das destruicões por raios gama.

    • Ezio José:

      Concordo em parte com este comentário, porém, devemos levar em conta uma série de fatores que deve ser analisados. A proporção de aeronaves em relação à tempos anteriores tem aumentado; tembém tem aperfeiçoado os sistemas automáticos de segurança com as tecnologias disponíveis que cocorrem paralelamente com outros dispositivos de uso pessoal e que trabalham com sistemas e frequências paralelas. Isto tudo tem seus benefícios e malefícios; as interferências nesses dispositivos são uma realidade e devemos evitá-las. Só quem conhece a teoria e prática de como funcionam os aparelhos que funcionam com comandos elétricos de pulsos fequências pode ter noção da coisa.

    • David:

      PQP!!!

      Raios gama?!?!?! Triângulo das Bermudas?!?!?!?

      Afff….

  • Pedro Bó:

    Bom, pelo que pude notar, não é, necessáriamente, o uso de eletronicos que interferem nos equipamentos dos aviões.

    Pelo que percebi caso ocorra algum problema nos controles do avião, basta fazer um anuncio aos passageiros que o problema é resolvido. Isso tb é valido no caso de perda de altitude ou queda eminente

    • Ezio José:

      É! Dependendo da corrente de ar por onde o vião esteja voando, não dá tempo de ficar pedindo pro FDP desligar a merda dos aparelhos que já é avisado antes da decolagem para não serem usados. Um pequeno desvio das aletas da aeronave é destino fatal na certa.
      Tem que pegar o FDP que tiver usando essas tranqueiras durane o vôo e dar-lhe uma boa sova. Para tudo existe lugar e tempo certo, só para surrar irresponsáveis que não.

  • wellington:

    Uma vez tive que discutir com um senhor executivo, que apesar dos avisos, continuava a usar seu celular.
    Fui muito grosseiro, admito, apesar dos olhares de condenação de alguns passageiros, o cara desligou.
    Em minha casa esses aparelhos interferem até nos controles de TV.

  • davis:

    Mas eu fiquei com uma duvida, o problema não era apenas com celulares por causa da transferencia de dados?!??!

    Pq hoje eu dia, a maioria dos celulares tem o “modo (de) avião” onde a telefonia não funciona

    No artigo fala-se de Ipod, e eles não transferem dados assim como o “modo de avião”, ou seja, posso estar falando besteira mas ao meu ver, se não há transferencia de dados não há nada de errado

    Pq se vão proibir o Ipod, e o Celular em modo de avião também terão de proibir relogio digital ¬¬

    • Ezio José:

      A frequência que certos aparelhos irradiam podem entrar em ressonância com a frequência dos dispositivos de orientação e de segurança de uma aernoave, sim. Isto é uma lógica, uma realidade. Não sou didático para explicar como funcionaria, mesmo assim, isso levaria muitas linhas escritas para fazer entender.
      Trabalhei alguns anos com manutenção de aparelhos eletrônicos diversos (TV, Rádios, HandCom e outros) até quando começou surgir os componentes integrados para substituir os transitores que substituiram as válvulas. Isto me levou a abandonar a profissão. Nã se conserta mais aparelhos eletrônicos como fazíamos algumas décadas.
      Hoje em dia qualquer pessoa pode tornar-se um técnico sem conhecimento teórico de como funciona os sitemas eletrônicos. Mas para quem viveu essas exigências mais profundas que a teoria antecipava a rática sabe muito bem das interfências frequênciais em outros dispositivos.

  • Raton:

    Em vez de fazerem algo melhor, do telefone ao avião, simplesmente proibem as pessoas de usarem os aparelhos, e aí se acontece alguma coisa a culpa não é deles.

  • César:

    Um bom motivo para se planejar em construir aeronaves com tecnologia proprietária, livre de intempéries da tecnologia atual.

    • Ezio José:

      A maior interpérie da tecnologia é o ser humano atrevido, irresponsável e metido a besta que não se coloca no lugar certo para as coisas certas.

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