Coronavírus: quando nossas vidas voltarão ao normal?

Por , em 25.03.2020

Você está provavelmente vivendo em uma cidade fantasma agora, com escolas e comércio fechados, restrições de viagens e proibições de aglomerações, como festas e comemorações.

Por enquanto, esta é sem dúvida a melhor estratégia para combater o surto de coronavírus. Mas e a longo prazo?

Obviamente, não será possível manter tal isolamento por muito tempo – “cancelar” grande parte da sociedade não é sustentável e o dano econômico seria catastrófico.

Então quando tudo isso irá “acabar” e nós poderemos voltar a nossas vidas normais?

Três meses é uma estimativa

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson disse que acredita que o Reino Unido poderia “virar a maré” contra o surto nas próximas 12 semanas.

Mesmo que os casos diminuam nos próximos três meses, esse certamente não será o fim. Para extinguir quase totalmente o coronavírus, será necessária uma estratégia de longo prazo, como uma vacina, um número suficientemente grande de pessoas imunes, ou mudanças radicais na sociedade.

Infelizmente, nenhum país desenvolveu uma saída estratégica dessa pandemia até agora – este é um desafio científico e social imenso.

Vacina

Uma vacina que desse às pessoas imunidade contra o coronavírus seria o ideal. Se 60% da população estivesse imune, a doença já não poderia causar surtos, por exemplo.

Estamos acelerando esse processo – uma pessoa já recebeu uma vacina experimental nos EUA, depois de apenas semanas de desenvolvimento. Os pesquisadores foram autorizados a testar seu produto em humanos pulando os experimentos em animais. Só que essa rapidez toda também não garante uma imunização eficaz.

Atualmente, as melhores estimativas indicam que uma vacina segura ainda levará 12 a 18 meses para ser lançada, se tudo correr bem.

É claro que não dá para viver com tamanhas restrições por um ano e meio, então…

Imunidade natural

Uma estratégia a “curto prazo” é tentar reduzir os casos o máximo possível para evitar que os hospitais fiquem sobrecarregados. Assim, não faltariam leitos em unidades de tratamento intensivo e as mortes não aumentariam por conta disso.

Quando alcançássemos essa baixa, as medidas de restrição poderiam ser retiradas por um tempo, até que os casos aumentassem novamente e assim por diante.

Só que esse cenário também não é o ideal. Isso porque poderia levar anos para a população desenvolver uma imunidade natural ao vírus, se é que isso existe – outros coronavírus que causam sintomas de resfriado comuns levam a uma resposta imune muito fraca, e as pessoas podem pegar a mesma doença várias vezes durante a vida.

Sem ponto final bem definido

Uma terceira opção seria impor alterações permanentes em nosso comportamento para manter as taxas de transmissão do vírus baixas.

Isso incluiria manter algumas das medidas atualmente em vigor, como a distância física de pelo menos um metro entre as pessoas, ou introduzir testes rigorosos para isolar os doentes e evitar surtos – embora os especialistas apontem que isso já foi feito e não funcionou.

Desenvolver medicamentos que pudessem tratar o COVID-19 com eficácia é outra coisa que ajudaria muito a controlar o surto. Eles poderiam ser usados logo que as pessoas apresentassem os primeiros sintomas, em um processo chamado de “controle de transmissão”.

Também poderia reduzir a pressão nas unidades de terapia intensiva, o que ajudaria os países a lidar com os casos antes de ter que reintroduzir medidas severas de isolamento.

Conseguir expandir unidades de tratamento intensivo também, em tese, melhoraria a capacidade dos governos de lidarem com surtos maiores.

Conclusão: a longo prazo, claramente a vacina seria a melhor maneira de impedir novos surtos e voltar à vida normal. A curto prazo… Bom, a sociedade e a ciência ainda precisam de soluções o mais rápido possível. [BBC]

5 comentários

  • ENAX:

    O uso de soro ou plasma humano de pessoas que já contraíram a doença pode ser a solução de curto prazo. Basta que aqueles que já contraíram o vírus e que se curaram possam doar sangue para retirada do plasma. Muito simples, e está funcionando na Índia e na China… O plasma de quem já se curou tem os anticorpos necessários para diminuir a carga virótica, além disso não existe contraindicações ou riscos, bastando para tanto que o sangue tenha o mesmo tipo. Como muita gente contraiu o vírus e não contraiu a doença, tem os anticorpos necessários para doar àqueles que precisam. A doação é rápida e a solução imediata. Em 24 horas doentes que experimentaram esse tratamento já estavam de pé ou melhoraram significativamente.

    • Cesar Grossmann:

      Parece que é um dos tratamentos que está dando resultado. Mas é tratamento, não é prevenção. E os resultados tem que ser bem avaliados, muitas doenças podem ser espalhadas por uma doação de sangue precipitada, e o sujeito se cura de coronavírus e vai morrer de cirrose virótica, por exemplo…

  • Joaquim De Souza Lima Filho:

    Cadê meu comentário

  • Joaquim De Souza Lima Filho:

    Uma receita milenar: “prevenir é o melhor remédio.” A 2ª opção é uma vacina preventiva. Só que há uma infinidade de vírus já existentes, que se fortificam assim que é feita uma vacina. É aí que entra a intervenção do governo, já que arrecada impostos sufocantes pra isso. Ou não?

    • Cesar Grossmann:

      Primeiro a ciência tem que desenvolver a vacina. Não tem como o governo providenciar uma vacina que ainda não existe…

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