Surto de Ebola está fora de controle, OMS pede ajuda internacional

Por , em 15.09.2014

O número de novos casos de ebola na África Ocidental está crescendo mais rápido do que as autoridades podem gerenciar, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade renovou seu apelo para os profissionais de saúde de todo o mundo irem para a região ajudar.

À medida que o número de mortos subiu para mais de 2.400 pessoas entre 4.784 casos, a diretora geral da OMS, Margaret Chan, disse em entrevista coletiva em Genebra, na Suíça, que a vasta natureza do surto – principalmente nos três países mais atingidos, Guiné, Libéria e Serra Leoa – exige uma resposta de emergência maciça.

Sarah Crowe, porta-voz da UNICEF, afirma que a agência estava usando formas inovadoras para combater a epidemia, incluindo dizer às pessoas para “usar qualquer coisa que eles tenham, como sacos plásticos, para cobrir-se se eles têm de lidar com pessoas doentes de sua família”.

“Os centros de tratamento de ebola estão cheios, há apenas três no país. Famílias precisam ajudar a encontrar novas formas de lidar com isso e com seus entes queridos e dar-lhes cuidados, sem se expor a essa infecção”, disse ela a partir de Monrovia, capital da Libéria. “É muito surreal e em todos os lugares há um sentimento deste vírus afetando todo o país. Não temos parceiros suficientes. Muitos liberianos dizem que se sentem abandonados”.

Os sobreviventes da doença, que são imunes à reinfecção, estavam sendo usados ​​para cuidar de milhares de filhos de pessoas com suspeita de ebola. Cerca de 2.000 crianças perderam um ou ambos os pais somente na Libéria, segundo Crowe.

A chave para vencer a doença, de acordo com Margaret Chan, é o poder popular. Promessas de equipamentos e dinheiro estão chegando, mas de 500 a 600 especialistas estrangeiros e pelo menos 1.000 trabalhadores de saúde locais são necessários.

“O número de novos pacientes está crescendo mais rápido do que a capacidade de gerenciá-los. Temos que aumentar nosso pessoal pelo menos três a quatro vezes para lidar com isso”, alerta ela.

Ajuda cubana

O ministro da saúde cubano Roberto Morales Ojeda afirmou que seu país enviará 165 profissionais de saúde para ajudar na luta – o maior contingente de médicos estrangeiros e enfermeiros enviados até agora. No entanto, eles chegarão em outubro e irão para Serra Leoa, enquanto milhares de novos pacientes são esperados na Libéria dentro de semanas.

Chan disse que o número real de mortos é provavelmente muito maior do que a última estimativa, de 2.400 pessoas.

“Estamos muito conscientes do fato de que qualquer número de casos e óbitos que estamos relatando é subestimado”, admite.

A taxa de infecção por ebola e as mortes têm sido particularmente elevadas entre os trabalhadores de saúde, que estão expostos a centenas de pacientes altamente infecciosos que podem transmitir o vírus através de fluidos corporais como sangue e excremento. Quase a metade dos 301 profissionais de saúde que desenvolveram a doença morreram.

O apelo por mais profissionais faz coro com os pedidos dos principais especialistas em ebola, incluindo Peter Piot, um dos cientistas que primeiro identificou o vírus em 1976.

Em artigo na revista científica online Eurosurveillance com seu colega Adam Kucharski, Piot, diretor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, disse que era difícil de controlar um surto de crescimento exponencial no número de casos.

“Atualmente centenas de novos casos da doença são relatados a cada semana. Com o número de infecções aumentando exponencialmente, elas poderão em breve ser milhares”, disseram os autores, acrescentando que o número de casos pode dobrar a cada quinzena.

“O medo e a desconfiança das autoridades de saúde têm contribuído para este problema, mas cada vez mais também é porque os centros de isolamento estão atingindo suas capacidades. Bem como a criação potencial de transmissão, um grande número de casos não tratados – e, portanto, não documentados – tornam difícil medir a verdadeira propagação da infecção e, portanto, o planejamento e a alocação de recursos”, elucida o artigo.

A agência de saúde da ONU já havia alertado que poderia haver cerca de 20.000 casos na região antes do surto estar sob controle.

Em um lampejo de boa notícia, a OMS afirma que oito distritos com casos anteriores de ebola – quatro na Guiné, três em Serra Leoa e um na Libéria – não haviam relatado nenhum caso novo nas últimas três semanas. Também, 67 pessoas que tiveram contato com uma pessoa que levou a doença para o Senegal em 20 de agosto foram testadas, e ninguém testou positivo para a doença.

O Fundo Monetário Internacional afirmou que o crescimento econômico na Libéria e em Serra Leoa pode cair em até 3,5 pontos percentuais devido ao surto, pois a mineração, a agricultura e os serviços paralisaram. [Reuters]

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1 comentário

  • Arionaldo:

    A onde fica os 20 países mais ricos do planeta que que não tenham olhos para essa situação.Será que vão primeiro deixar essa epidemia se espalhar pelo mundo para poderem tomarem uma solução. Acho que a hora é agora.

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