Descoberta: a arte mais antiga do mundo é ainda mais bela do que a maioria de nós consegue fazer

Por , em 12.10.2014

Pinturas à mão encontradas em uma caverna da Indonésia remontam pelo menos 39.900 anos atrás. Os desenhos são algumas das mais antigas imagens do tipo encontradas na história e a sua localização pode mudar a forma como enxergamos a origem desse tipo de arte.

Por muito tempo, considerou-se que os primeiro artistas rupestres haviam surgido na Europa pré-histórica em torno desse mesmo período de tempo, mas essa nova descoberta, feita na ilha de Sulawesi, amplia geograficamente essa visão.

arte ruprestre antiga 3

A arte rupestre inclui estêncis de mãos e uma pintura de um babirusa – um animal comum na região, que parece uma mistura entre um porco e um cervo – que podem ser as mais antigas artes figurativas do mundo.

As descobertas de sítios rupestres em Sulawesi levantam a possibilidade dessa arte ser anterior ao êxodo dos humanos modernos da África há 60 mil anos ou mais. “Eu prevejo que exemplos ainda mais antigos de arte rupestre serão descobertos em Sulawesi, na Ásia continental e, finalmente, em nossa terra natal africana”, diz o especialista em origens humanas Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, que não fez parte do estudo.

Handout of a Babirusa ("pig-deer") and a hand stencil

Desde os anos 1950, os estudiosos têm relatado centenas de estêncis de mãos e imagens de animais em cavernas em Sulawesi, que foram assumidas como pré-históricas, mas consideradas “jovens”, com não mais do que 12 mil anos de idade.

Um disco vermelho pintado na caverna El Castillo, na Espanha, tem, pelo menos, 40.800 anos de idade, segundo o mesmo método de datação, sendo a mais antiga arte rupestre conhecida. Lá há também um estêncil de uma mão com 37.300 anos de idade. As pinturas rupestres em Sulawesi rivalizam com esses achados. Os 39.900 anos de idade estipulados são apenas a idade mínima dos minerais que revestem a imagem, ou seja, a arte pode ser milhares de anos mais velha.

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“Nós mostramos aqui que nossos pontos de vista têm sido muito eurocêntricos sobre as origens da pintura rupestre”, diz o arqueólogo Alistair Pike, da Universidade de Southampton, no Reino Unido. “Isso muda nossos pontos de vista, e nos faz questionar as causas e não as origens da arte das cavernas”.

Como os primeiros locais das pinturas foram encontrados na Europa, a partir do século 19, a visão era de que as pessoas modernas deviam ter chegado lá da África e protagonizaram uma mudança cultural, pois competiam com os neandertais pela comida e pelas cavernas.

Em vez disso, a pintura rupestre recém-descoberta sugere que a arte pode ter sido universal entre os primeiros homens modernos, incluindo aqueles que deixaram a África e viajaram por todo o sul da Arábia para a Indonésia e Austrália nos últimos 50 mil anos.

A arte rupestre pode ter deixado a África com os humanos modernos ou possivelmente brotou independentemente entre os diferentes grupos. Os primeiros exemplos de outros tipos de arte são ainda mais antigos, como conchas perfuradas decorativas e pigmentos que datam de mais de 75.000 anos atrás.

A arte pode ter servido como uma espécie de “cola social”. Os seres humanos modernos migraram para fora da África e enfrentaram novos habitats, predadores, e a competição pode ter tornado necessário viajar em grupos maiores, estimulando a necessidade da arte como parte do tecido cultural. A pintura rupestre seria uma maneira de exibir rituais e símbolos. [National Geographic]

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