Deslumbrante foto captura canibalismo galáctico

Por , em 3.10.2012

Perto da constelação Canes Venatici, ou “Cães de Caça”, há uma galáxia que já havia sido registrada por Charles Messier no fim do século 18 e início do século 19 como M51, e que também é conhecida como galáxia redemoinho.

Quem observar a mesma, vai notar que se trata de um objeto duplo: há uma outra galáxia ali, que está toda deformada. Trata-se de M51b, que se encontra distorcida por causa da interação gravitacional com sua companheira M51a. As duas galáxias estão em um processo de fusão, semelhante ao que deve acontecer com a Via Láctea e Andrômeda, não fosse o fato da companheira da galáxia redemoinho ser menor, o que vai fazer com que ela seja absorvida, um fenômeno que é chamado de canibalismo galáctico.

Por que acontecem fusões de galáxias? No espaço, as galáxias não ficam igualmente espaçadas, elas se reúnem em grumos ou pequenos aglomerados, unidos pela atração gravitacional, que não irão se separar pela expansão do espaço – são regiões onde a gravidade ainda dá as cartas. Dançando em torno do centro gravitacional do grupo, é comum que elas sejam mutuamente atraídas e acabem passando por um processo de fusão, resultando em uma única galáxia elíptica.

Falando assim parece coisa rápida, mas uma colisão e fusão de galáxias gigantes, como a Via Láctea e Andrômeda, é um processo que dura centenas de milhões de anos, até um bilhão de anos.

Primeiro as galáxias vão se aproximando, e as forças de maré vão as deformando. Então, uma passa pela outra, e algumas estrelas mudam de galáxia – o sol é uma estrela que pode se tornar parte de Andrômeda em 3 ou 4 bilhões de anos -, até que elas se afastam, e se atraem novamente para a segunda e provavelmente última “colisão”, que vai resultar em uma galáxia disforme, parecendo mais um ovo ou algo do tipo. Com o tempo, pode ser que a galáxia resultante volte a apresentar estruturas como braços e um núcleo.

Durante o processo de fusão, é pouco provável que aconteçam colisões estelares, mas acontecem muitas colisões de nuvens de gás e poeira, que explodem em novas estrelas. Além disso, as forças de maré acabam perturbando outras nuvens de gás e poeira, que também acabam explodindo em novas estrelas.

Enquanto as forças de maré destroçam as galáxias e expulsam algumas estrelas para o espaço vazio intergaláctico, muitas outras estrelas acabam sendo geradas no processo.

A dupla M51 está a cerca de 23 milhões de anos-luz da Terra (diferentes métodos dão distâncias entre 15 e 35 milhões de anos-luz). Duas supernovas já foram registradas nesta galáxia, uma em 2005 e outra em 2011. [APOD]

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11 comentários

  • Alberto Campos:

    jodeja / 5.10.2012
    No universo tudo se atrai, tudo se choca e tudo se fundi. É assim que se formam os corpos celestiais a partir da poeira cósmica e é isto que caracteriza a entropia do universo. As galáxias se atraem e circulam em orbitas até se chocarem, que é a tendencia delas.

  • Andre Luis:

    A paisagem de andrômeda no céu noturno vai ficar fenomenal daqui vários milhões de anos!

  • jodeja:

    Quase todos falaram em colisão, mas na minha santa ignorância, creio que nunca haverá colisão como a de dois veículos, pois, da maneira que entendi, uma galáxia não vai em direção à outra e sim, dançando, rodando e tirando casquinha, como o galo e outras aves, quando quer acasalar e a fêmea fica fugindo.

  • Gargwlas Gargw Gargwlas:

    andromeda é maior

    o que me pergunto é como vao ser perturbada as orbitas planetares

    • Duda Weyll:

      Muita gente diz que não irá acontecer nada de muito novo na periferia da galáxia, os possíveis habitantes nem vão sentir se não tiverem conhecimento científico pra prever o fenômeno.

      Tipo, se a gente compara o Sol com um grão de areia grossa…

      Sol: 1,392684 milhão de km de diâmetro

      Grão de areia: 1 a 2 mm de diâmetro (vamos considerar 1,392684 mm pra arredondar)

      Agora trazer toda a proporção das grandezas da galáxia…

      Ano-Luz: 10 trilhões de km (arredondado)

      Ano-Luz na proporção do grão: 10.000.000.000.000 mm ou 10 milhões km

      Proxima Centauri (estrela mais próxima): 4,22 anos luz

      Proxima Centauri na proporção: 42,2 milhões de km

      ===

      Ou seja, a distância entre grãos de areia separados por mais de 42 milhões de km é proporcionalmente quase a mesma distância das estrelas periféricas, como é o caso do Sol.

      Pra termos uma ideia das órbitas planetárias, a Nuvem de Oort fica a quase 1 ano-luz daqui, a menos de 10 milhões de km do grão de areia da suposição, o que dá uma folga de mais de 32 milhões de km pra uma estrela de andrômeda se “encaixar” na Via-Láctea.

      Ou seja, é mais fácil termos mais estrelas no céu noturno do que um desastre, mas mesmo assim pode haver o desastre. xD

    • Andre Luis:

      Eu acho bem interessante essa nuvem de Oort. Pelo pouco conhecimento que tenho, ela tem o formato de uma bolha e é responsável por vários cometas que passam próximos a nós (se for isso mesmo). Mas afinal, esta tal nuvem existe mesmo, ou ainda é apenas uma teoria? É engraçado imaginar um sistema planetário praticamente com um único plano, dentro de uma bolha.

    • Duda Weyll:

      É hipotética pq não é observável diretamente, supõe-se a sua existência pelas órbitas dos cometas de longa duração, eles orbitam o Sol em elipses de todas as direções.

      A hipótese mais aceita pra sua gênese vem da formação dos planetas, quando os planetas de maior massa expulsavam material pra longe do Sol.

      Outra coisa interessante é que a maioria dos corpos seriam cometas em hibernação, que em qualquer caso de perturbação gravitacional podem ser arremessados pro centro do sistema solar e até causar uma chuva de cometas perigosa pra Terra.

      Há uma estrela, Gliese 710, vindo em direção ao Sol e passará bem perto daqui a 1,4 milhão de anos; foi feito um modelo em supercomputador e a chance dela perturbar a nuvem e tirar muitos cometas da hibernação é de 5%.

  • HFC:

    Centenas de milhões de anos, podendo chegar a bilhões para que o choque se resolva. E nesse meio choque de nuvens estelares, alterações de óbitas, jatos de matéria ou de raios gama, possíveis choques de buracos negros hipermassivos, e um milhar de outros eventos dos quais só temos um pouco da ideia do que devem ser …

    E o ser humano se achando a maravilha do universo …

  • Alberto Campos:

    Se fossemos classificar estas duas galáxias pelo redshift, cassificariamos a galáxia superior como mais afastadas de nós e a inferior mais próxima. Como podemos notar, pode existir um erro nas medições de distancias pelo redshifts. No passado chegou-se ao absurdo de encontrar estrelas mais velhas que o universo e se calcular a idade do universo em 8 bilhões de anos. Com novas correções se chegou a 10 e a 12 bilhões de anos luz e finalmente a 13,7. Podemos confiar cegamente nisto?

  • Murilo Mazzolo:

    Na primeira possível colisão entre a Andrômeda e a Via láctea, qual das duas seria mais “afetada”? Tipo, se faz alguma diferença, qual tem maior massa, e tudo mais…

    • Duda Weyll:

      Adequação, os núcleos provavelmente se fundiriam e as estrelas se acomodariam.

      A distância entre uma estrela e outra é tão grande que o choque tem uma probabilidade baixa, sem falar que a gravidade promove um desvio inicial entre ambas (entram em órbita binária e: se ejetam uma da outra, estabilizam a órbita binária, se aproximam gradualmente até se fundirem ou a de maior massa devora a menor).

      O grande estrago (ou renovação) seria no centro galáctico (a zona não habitável da galáxia), pois as distâncias são menores, os objetos possuem mais massa e as órbitas são muito instáveis.

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