Devo vacinar meus filhos?

Por , em 6.01.2013

Muita gente nem se pergunta isso, nem questiona a validade da vacina; corre proteger seus pimpolhos. Essas pessoas estão certas.

Porém, o medo de vacina existe e não é algo novo. Quem gosta de História lembra-se do episódio brasileiro da Revolta da Vacina, que ocorreu de 10 a 16 de novembro de 1904 na cidade do Rio de Janeiro: o povo literalmente se revoltou por conta da campanha de vacinação obrigatória, imposta pelo governo federal, contra a varíola.

Jornais de oposição ao governo criticavam a ação, falando de supostos perigos causados pela vacina. Além disso, havia um boato de que ela seria aplicada nas “partes íntimas” do corpo (as mulheres teriam que se despir diante dos vacinadores). Tudo isso levou a ira do povo, que se rebelou contra o que era um simples direito seu.

Essa não foi a primeira nem a última vez em que o desconhecimento e o mau julgamento levaram a atitudes que só prejudicaram a população.

Em plena década de 2010, mais de cem anos depois da Revolta da Vacina, pessoas inocentes foram mortas pelo grupo radical Talibã no Paquistão apenas por realizarem uma campanha humanitária de vacinação contra a poliomielite. O Talibã e seus aliados pensam que as vacinas de pólio são um complô ocidental projetado para tornar os muçulmanos inférteis – ou talvez dar-lhes Aids. Com isso, quem sai perdendo são as crianças do país, que poderiam viver sossegadas com a doença erradicada.

Paranoia e teorias da conspiração à parte, outros motivos para não vacinar circulam pelo mundo afora; razões que parecem mais plausíveis, mas que os especialistas consideram igualmente mitos, como: o sistema imunológico dos bebês não está pronto para o número de vacinas dado hoje; as vacinas podem causar doenças autoimunes; a imunidade natural é melhor e mais segura. Nada disso é verdade.

Há também boatos modernos de que vacina causa autismo, por exemplo. Essa ideia também já foi desacreditada.

Por fim, há os conhecidos “efeitos colaterais” das vacinas. Existem algumas vacinas com efeitos colaterais raríssimos (por exemplo, em 2009, a americana Desiree Jennings começou a sofrer de uma condição neurológica raríssima, chamada de distonia, dez dias após tomar uma vacina antigripe. Não havia nada de errado com o lote e os profissionais de saúde não puderam dizer com certeza se foi a vacina que causou a condição).

No entanto, os especialistas alertam que, mesmo quando existem chances mais do que mínimas de algo acontecer, as crianças devem ser vacinadas; isso porque é mais provável que ela morra da doença pela qual não foi vacinada do que por uma condição rara talvez acionada pela vacina.

Por que vacinar

A vacinação é a maneira mais eficaz de evitar diversas doenças imunopreveníveis, como varíola, poliomielite (paralisia infantil), sarampo, tuberculose, rubéola, gripe, hepatite B, febre amarela, entre outras.

As ações de vacinação são seguras; são coordenadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, que tem o objetivo de erradicar, eliminar e controlar as doenças em território brasileiro.

Resumindo: vacinas salvam vidas.

Antes de ser erradicada com o uso maciço de vacinas no final dos anos 1970, a varíola matou 300 milhões de pessoas, contando apenas o século XX. O sarampo, uma doença altamente contagiosa, foi responsável por cerca de 2,6 milhões de mortes por ano antes de 1980, época em que começaram as intensas campanhas de vacinação. Já os casos de poliomielite, doença que pode causar paralisia infantil, apresentaram uma queda de 99% desde 1988, quando, mais uma vez, a prevenção com vacina teve início.

História da vacina

Mais de 1.000 anos atrás na China, África e Turquia, as pessoas inocularam-se com pus da varíola para se prevenir a doença. A prática se tornou viral, por assim dizer, em 1796, após o cientista inglês Edward Jenner descobrir que poderia usar o pus de uma forma mais branda de varíola para inocular a doença.

Nos séculos seguintes, os pesquisadores desenvolveram vacinas para doenças mortais como a difteria, tétano, febre tifoide, pólio e sarampo. Hoje, temos até vacinas que protegem contra o vírus do papiloma humano, que causa câncer. O próximo passo são vacinas terapêuticas, que estão sob investigação como um método de estimular o sistema imunológico em pacientes que já estão doentes com hepatite, HIV e câncer.

Vacinando

As vacinas utilizam os mesmos agentes causadores das doenças, mas inativados, atenuados, modificados ou utilizados apenas em parte. Quando a criança é vacinada, seu organismo produz anticorpos para aquele agente específico.

Assim, se entrar em contato com um vírus ou bactéria causador da doença, seu filho estará pronto para atacá-los.

Para saber quando e como vacinar seus filhos, procure um posto de saúde. São poucas as restrições à vacinação. Entre elas, febre alta (acima de 39ºC) e doenças ou remédios que alterem a imunidade, pois se a resistência do organismo estiver baixa, há risco de a vacina causar a doença que deveria evitar.

No Brasil

De acordo com um levantamento recente feito a pedido do Ministério da Saúde e publicado no periódico médico Vaccine, 82,6% das crianças brasileiras tomaram todas as vacinas recomendadas até os 18 meses de idade. O estudo avaliou 17.295 crianças das 27 capitais brasileiras.

Esse número é alto, mas poderia ser melhor. A pesquisa descobriu, por exemplo, que nas classes mais ricas das capitais mais ricas, a vacinação era deficitária. Em São Paulo, por exemplo, 71% das crianças da classe A (a mais rica) haviam recebido a imunização completa, contra 81% da classe E (mais pobre). Uma das razões para essa discrepância é a ideia de que é exagero vacinar os filhos contra algumas doenças.

Ainda assim, felizmente, o movimento antivacinação é pequeno no Brasil. Em países da Europa e nos Estados Unidos, no entanto, vem causando surtos que preocupam as autoridades de saúde.

Não vacinar seus filhos é um verdadeiro desserviço a eles – e a toda a população, também (já que eles podem não só ficar doentes como passar a doença adiante).

No Brasil, a garantia da vacinação está institucionalizada no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Consta no artigo quarto que é dever da família assegurar a efetivação dos direitos à saúde.

Não há nenhuma fiscalização que obrigue os pais a vacinar corretamente os filhos. Mas, de acordo com Ricardo Cabezón, presidente da Comissão de Estudos do ECA da Ordem dos Advogados de São Paulo, cabe aos pais gerenciar esses direitos, não dispor deles. Isso significa que, se a criança adoecer em função de uma falha na vacinação, isso pode levar à perda do poder familiar – e os pais podem responder por crime de abandono, omissão dolosa ou culposa.

Conclusão: vacine seus filhos! Os especialistas em saúde garantem: essa é a coisa mais amorosa que você pode fazer por eles.

Veja aqui outras perguntas frequentes sobre vacina. Acesse o Portal da Saúde do governo brasileiro para mais informações sobre vacinação. Por fim, veja aqui o calendário básico de vacinação da criança.

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1 comentário

  • Asdrubal:

    Tem havido relatos da vacina da gripe dos porcos (H1N1), há uns 3 anos atrás, de ter provocado complicações crónicas.

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