A teoria da conspiração que mata

Por , em 3.01.2013

Por mais triste que essas notícias possam ser, já vimos o ser humano matar por muito pouco, como o caso que ficou famoso recentemente no Guarujá, litoral paulista, em que um jovem de 22 anos foi assassinado por causa de uma dívida de R$ 7.

Agora, fazer trabalho humanitário de vacinação contra a poliomielite entrou nessa lista absurda de “motivos para matar”. Pelo menos foi como agiram radicais islâmicos no Dia de Ano Novo, no qual mataram 7 trabalhadores de uma campanha de vacinação para crianças.

Mesmo pelos padrões exagerados do Taleban paquistanês e seus aliados, a execução a sangue frio de pessoas inocentes – seis delas mulheres – é um ato inexplicavelmente perverso.

Em dezembro, homens armados já haviam matado pelo menos cinco integrantes de uma equipe de campanha de vacinação contra pólio, em duas cidades diferentes no Paquistão. Segundo os jornais, é provável que os ataques tenham sido uma tentativa do Taleban de impedir a iniciativa apoiada pela ONU.

E por que essas pessoas estão sendo mortas? Se você acredita que teorias da conspiração são fantasias inofensivas, reconsidere.

O Taleban e seus aliados pensam que as vacinas de pólio são um complô ocidental projetado para tornar os muçulmanos inférteis – ou talvez dar-lhes Aids.

O Taleban se declarou contra a vacinação de pólio, dizendo que as equipes que trabalham na campanha são espiões americanos, e que a vacina em si causa malefícios.

Esta teoria da conspiração, que tende a variar de conteúdo, tem tomado áreas do Paquistão, Afeganistão e norte da Nigéria. Consequentemente, esses países são os únicos lugares onde a pólio ainda é endêmica.

Sem dúvida, a humanidade é capaz de erradicar a pólio, assim como a varíola foi exterminada em 1979. No entanto, uma suspeita medieval de que duas gotas que protegem as crianças são na verdade potenciais monstros líquidos têm causado prejuízos incontáveis – e levado a assassinatos puros e simples.

Há que se levar em conta que os motivos para desconfiar da vacina não são absolutamente zero: em 2011, a CIA (agência de inteligência americana) usou um programa de vacinação contra a hepatite para cobrir sua vigilância de Osama bin Laden (um médico paquistanês realizou um programa falso de imunização para ajudar a CIA a caçar Osama).

Mesmo assim, daí para causar doenças ou infertilidade é um passo muito grande. Além disso, a teoria da conspiração da pólio existe há muito tempo. Por exemplo, em 2003, todas as vacinas foram suspensas em três estados da Nigéria, causando um surto da doença, por causa de desconfianças infundadas.

Não só a pólio, aliás, mas muitas outras doenças persistem em certos lugares do mundo por conta de teorias absurdas de que elas fazem mais mal do que bem – inclusive de que causam autismo.

A intolerância obscurantista que permite que a pólio sobreviva é que deve ser combatida. Qualquer pessoa que entretém teorias da conspiração está ajudando a criar o clima perfeito para este mal persistir – e outros nascerem, como o assassinato em massa de trabalhadores humanitários.

Os especialistas alertam: fazer campanha contra as vacinas de pólio é o mesmo que fazer campanha em favor de crianças incapacitadas.[Telegraph, IG, G1]

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24 comentários

  • Lucas Silva:

    Analfabetismo:-Afeganistão 70%, Paquistão: 50%, Nigéria: 40%.
    E isso sem contar os analfabetos funcionais.

    Se no Brasil com 9% sofremos temos uma população tão ignorante, imagine só nesses países.

  • Lucas Silva:

    O Islã precisa urgentemente sair de sua Idade Média.

  • Pablo Silva:

    olha o motivo do medo de vacinação deles:CIA armou vacinação falsa para pegar DNA de Bin Laden, diz jornal http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110712_binladen_vacina_rp.shtml

    • Fernando Ramos:

      Erro.
      A CIA montou uma acção de vacinação, o que há partida não significa que a vacinação não fosse legitima, para poder observar e reconhecer o local.
      Com toda a certeza que a CIA não ia montar uma acção dessas com vacinas falsas correndo o risco de alguém suspeitar, mandar analisar uma das vacinas e verificar tratarem-se de placebos.

    • Cesar Grossmann:

      É, a vacinação foi verdadeira, mas serviu como acobertamento para operações da CIA.

  • Henrique Telles Dos Santos:

    isso é inacreditável veja o que foi banido do grupo talibã =leitura de alguns livros
    portar câmeras sem licença
    cinema, televisão, uso de videocassetes (considerados decadentes e promotores da pornografia ou de ideias não muçulmanas)
    uso de internet
    música
    artes (pinturas, estátuas e esculturas de outras religiões)
    as mulheres só podiam sair acompanhadas de um homem
    empinar pipas (considerado perda de tempo, além de serem usadas em rituais hindus)
    fotografar mulheres e exibir tais fotografias
    plantio de ópio

    previsão do tempo
    barbear-se
    e ainda aquele que seguir outras religiões a não ser o fundamentalista islâmico ainda leva pena de morte

    • Fernando Ramos:

      Por um lado, o “grupo” não está banido. ele existe em outros locais e países.

      Por outro aquilo que eles proíbem é proibido pela religião muçulmana.
      Claro que depende das interpretações feitas do que está escrito. Uns seguem à risca outros são mais tolerantes, mas experimente fazer algumas dessas actividades num país muçulmano e vai ver o que lhe acontece.

      Os talibãs são apenas um grupo radical que implementa a Lei muçulmana.
      Infelizmente eles têm poder para o fazer e as pessoas medo para os enfrentar pois os seus elementos estão em toda a parte.

      Estive na Bósnia em missão em 2001 e nessa altura surgiram queixas na policia local dizendo que um grupo deles andavam a ameaçar pessoas, nomeadamente jovens casais que faziam o que os jovens casais costumam fazer quando namoram dentro de carros num local isolado. Um dos casais foi ameaçado de morte se voltassem a ser apanhados a namorar.

  • claudiojandrade:

    Lastimável que grupos de pessoas violentas e desinformadas utilizem está ou outras desculpas para matar.
    A escalada da violência nesta região está alicerçada na desinformação, intolerância religiosa ou política, fim das base familiares e perca de valores como moral e ética.
    A quantidade de tais fatos faz com que pessoas, como esse daí embaixo, achem que isto é natural e corriqueiro, fato sem importância.

  • Guilherme:

    Imagino um muçulmano com trajes típicos em alguma multidão em Nova York em 12/11/2001. Não há nada de alarmante nisso.

  • digiomni:

    É uma situação terrível eu sei, mas para saná-la não deveriam pedir para algum dos superiores do talibã que os acompanhasse para ver como é feita uma vacina e ter a explicação da mesma e assim o trabalho poderia continuar?? ver a luz do conhecimento muda o ser humano, sei que será difícil mas é o próximo passo e aos poucos creio que todos os humanos conseguiram se entender

    • Fernando Ramos:

      Os talibas não aceitam esse tipo de iniciativas.
      Tudo o que vai contra o que eles acreditam simplesmente é negado.

  • Fernando Ramos:

    Se por um lado essa possibilidade existe, por outro os animais talibã usam todo e qualquer motivo para matar quem não segue as suas regras. Vivem na ignorância e querem que os outros o sejam também.
    Está na hora das pessoas (do resto do mundo) deixar de ser condescendente para com uma religião que apela à violência e à morte de quem não acredita no seu Deus.
    Está na hora de nos deixar-mos de paninhos quentes e ter medo de ferir susceptibilidades falando o que deve ser dito.
    Não pode haver tolerância para quem não é tolerante para connosco.
    Quando há uma doença no nosso organismo, ataca-se a doença para a erradicar.
    A Terra é um organismo. Estes grupos são os vírus.
    Claro que isto também se alarga aos extremistas de qualquer religião ou grupo.

    Parem de ser simpáticos e tenham a coragem de dizer exactamente aquilo que pensam.

    Eu digo que se eles não querem ser ajudados, então que sofram as consequências.
    Fechar fronteiras para delimitar a doença, repatriar os que não aceitarem as regras dos países onde vivem.

    Este texto perece-vos xenófobo e racista? Naturalmente. Ele coloca o dedo na ferida. Mas eu não sou nada disso. Só não gosto que me ameacem e me queriram obrgar a ser o que não quero.
    Se o fizeram com o Nazismo porque não agora também?

    • Valdeir:

      O Talibã não representa nenhuma ameaça a mim. Só os xenófobos é que se sentem assim.

      Já os americanos, vixi, ai tem de tudo, bomba atômica, bombardeiros de todos os gostos mortais, armas químicas, e o pior uma ganância que se por um acaso eu tiver algo que os interessa, certamente serei assaltado.

      E para piorar, logo depois serei caluniado por pessoas como você.

    • Fernando Ramos:

      Erro seu. É o senhor que me está a caluniar chamando-me xenófobo quando eu expliquei os meus motivos.
      Eu nada tenho contra estrangeiros no meu país (é isso que é a xenofobia, caso não saiba). eu tenho contra os que vêm de outros países e ignoram as leis do país anfitrião e querem ao mesmo tempo impôr a sua lei.

      Mas é natural que nada tenha contra eles. É o seu egoísmo a falar alto.
      Digo isto porque certamente como nenhum o ameaçou ou fez algo contra si ou seus familiares mais chegados, o senhor não se ente ameaçado.
      Talvez tenha o mesmo tipo de pensamento em relação a bandidos, traficantes de droga, assassinos etc. Se nenhum deles lhe fez mal, porque raio há-de o senhor preocupar-se, certo?
      Nada tenho contra muçulmanos ou qualquer outro tipo de grupo religioso. O problema está nos extremismos de ideias. Extremismos cristãos, muçulmanos, judaicos, etc.

      Mas talvez se o senhor tivesse uma consciência social e até patriótica talvez pensasse de outra forma e visse nesses indivíduos uma ameaça à sua sociedade, à sua forma de vida, ao seu país e à sua liberdade já que eles só aceitam o ponto de vista da sua religião.

      Por esta e por outras é que o mundo está como está. Falta de sentido social, de grupo e a existência de um egoísmo atroz em cada um de nós que nos leva a olhar para o lado quando é necessário fazer algo pelo próximo.

      Para acabar no próximo post deixo um poema de Bertold Brecht que reflecte bem a ideia que acabei de expressar.

    • Fernando Ramos:

      Primeiro levaram os negros
      Mas não me importei com isso
      Eu não era negro.

      Em seguida levaram alguns operários
      Mas não me importei com isso
      Eu também não era operário.

      Depois prenderam os miseráveis
      Mas não me importei com isso
      Porque eu não sou miserável.

      Depois agarraram uns desempregados
      Mas como tenho meu emprego
      Também não me importei.

      Agora estão me levando
      Mas já é tarde.
      Como eu não me importei com ninguém
      Ninguém se importa comigo.

      Bertold Brecht

    • Valdeir:

      Brecht só faltou dizer que foram os americanos que roubaram, mataram, sequestraram. Aqui no Brasil, a CIA teve por trás do Golpe militar de 64. Ou não? Acho que você lê muita VEJA e vive cego.

    • Fernando Ramos:

      Eh, eh.
      Eu não me chamo Brecht.
      Brecht é o nome do autor do poema acima.

      Aqui em Portugal a CIA também esteve por trás da Revolução do 25 de Abril de 1974. Embora tenham sido os militares a fazer esse golpe.
      Ainda bem porque até a essa altura Portugal vivia numa ditadura.

      Mas toda a gente sabe o que os americanos são. Mas pelo menos eu posso dizer mal deles à frente deles sem correr o risco de ser degolado. Posso cantar, ouvir música, dançar, tenho liberdade para ser eu e eles por mais que queiram impor-me as suas tradições eu só as aceito se quiser.

      Mas já que gosta e os defende tanto porque é que é que não vai viver para o Médio Oriente. Por exemplo, Vá para Arábia Saudita, que tem óptimas condições de trabalho, e pagam bem. Depois quando lá estiver, beba álcool ou faça aquilo que os ocidentais fazem nos seus países e quando alguém aparecer imponha-se e diga-lhes que é uma pessoa livre e que por isso vai continuar a beber, a dançar e a ouvir música ocidental.

      Aproveite e defenda também os direitos dos homossexuais…
      Seria de perder a cabeça… literalmente…

      Às vezes as pessoas falam mas nem pensam no que dizem.

  • Warllen Pantuzzo:

    Deveriam mesmo criar uma vacina era contra a Religião, que não passa de uma forma de controle. Promover a infertilidade desses radicais seria uma ótima ideia. A humanidade não precisa mais desse refugo genético. Antes que me julguem geno fóbico, pensem que a Seleção Natural a qual a humanidade era condicionada, não existe mais, devido ao nosso avanço tecnológico, e isso trouxe benefícios, porém, abriu espaço também para a degeneração genética e intelectual, crescente entre nossa especie. É preciso criar um novo método de seleção, para que nosso desenvolvimento não se corrompa.

  • Alex Sander:

    Essas teorias da conspiração são como vírus mental, infecta as pessoas com sofismas e as faz cometer coisas terríveis acreditando estarem agindo corretamente.
    Que isso sirva de exemplo para todos aqueles que creem nessas teorias da conspiração que rondam pela internet, pois sem evidencias concretas elas não passam de contos de ficção.

  • D. R.:

    Infelizmente, essa desconfiança deles parece que tem um fundo de verdade.

    O que está provocando esse pânico todo e a desconfiança em torno das vacinas foi a constatação de que lotes de vacinas contra a rubéola aplicadas em massa e de forma obrigatória em países do Terceiro Mundo como Nigéria, Filipinas, Argentina e outros países (numa campanha de vacinação promovida pela UNICEF), estavam contaminadas com o hormônio Gonadotropina Coriônica Humana – HCG.

    Este hormônio parece que acaba sendo atacado pelo sistema imunológico e acaba provocando abortos espontâneos após a concepção, evitando que o embrião se implante na parede uterina.

    Esse fato, denunciado por várias organizações pró-vida internacionais, gerou muita polêmica aqui no Brasil quando da última campanha de vacinação compulsória em massa contra a rubéola, promovida pelo então Ministro da Saúde José Temporão. Agravado pelo fato do mesmo ser um ativista pró-aborto, da campanha ser obrigatória e do fato da rubéola atingir apenas 17 crianças em média por ano no Brasil, um país de 180 milhões de habitantes.

    Verdade ou não, por causa desses episódios polêmicos e da corrupção política e também pela divulgação na internet de muitas teorias da conspiração (principalmente aquelas referentes à Nova Ordem Mundial), parece que uma parte da população está ficando desconfiada de seus próprios governos.

    Quem ainda não ouviu falar do “Bisfenol A” ou BPA usado em vários tipos de embalagens plásticas e que se suspeita ser causa de obesidade, baixa da fertilidade masculina, menstruação precoce, feminização de meninos, etc.? Um produto já proibido em vários países do mundo e cujos efeitos maléficos já se conhece há vários anos; sendo utilizado como imitador do hormônio feminino para tratamento da menopausa desde 1936? E por quê que ainda continua sendo permitido no Brasil e em outros países; sendo que a ANVISA proibiu sua utilização apenas em mamadeiras, isso em setembro de 2011?

    Não quero incentivar ninguém aqui a não tomar vacina ou não dá-las a seus filhos; mesmo porque: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Mas, se a própria ONU está promovendo e até obrigando a legalização do aborto em vários países do mundo visando o controle da natalidade, por quê não pensariam em esterilizar a população mais pobre? Quem não tem pena nem de um feto indefeso no ventre de sua mãe vai ter pena de marmanjo?

    É por causa desses e outros descasos que a gente acaba ficando desconfiado do nosso próprio Governo e muitos acabam acreditando nessas teorias da conspiração (mesmo pessoas mais bem informadas); ainda mais hoje em dia, com a facilidade do acesso à informação proporcionada pela internet. É muito provável que os extremistas do Taliban ficaram sabendo disso pela internet.

    Penso que, para resolver esse problema, entidades independentes deveriam ter permissão de analisar os lotes de vacinas antes de serem aplicados na população.

  • Guilherme Daflon:

    Até no Brasil existe um grupo gigante de pessoas que não tomam vacinas com medo dos “illuminatis” é o que eu digo se esse grupo realmente existir podem continuar tomando sua vacina em paz porque se fossem para fazer alguma coisa vão fazer por vários outros meios.

  • Vicente Santos:

    Não vejo nada de alarmante nessa notícia e bem acho que é mais que possível usarem esse artifício para matar sim! Por quê não?

    • Cesar Grossmann:

      Assassinar funcionários de saúde por conta de uma paranoia, e sem prova alguma, é injustificável.

  • Rafael Rodrigues:

    Triste, muito triste. É uma Era das Trevas em pleno Século XXI. Lamentável.

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