Humanos mortos e bichos de estimação estão sendo transformados em diamantes azuis e é assim que o processo funciona

A cremação tem se tornado uma opção cada vez mais popular na hora do luto. Mas ao invés de armazenar as cinzas de um ente querido em uma urna ou jogá-las em algum lugar simbólico, um número crescente de pessoas está fazendo algo um pouco mais ousado: transformar as cinzas em um diamante.

Isso é possível porque o carbono é o segundo elemento atômico mais abundante no corpo humano, e os diamantes são feitos de carbono cristalizado. Os pesquisadores também melhoraram maneiras de cultivar diamantes em laboratório nos últimos anos.

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Pelo menos cinco empresas oferecem o serviço. A Algordanza, na Suíça, é uma das líderes da indústria – seus serviços estão disponíveis em 33 países e a empresa disse ao portal Business Insider que vendeu cerca de 1.000 gemas corporais em 2016. A Algordanza também afirma ser a única empresa desse tipo que opera seu próprio laboratório de criação de diamantes a partir de cinzas – na verdade ela é uma entre duas no mundo – a outra fica na Rússia.

“Isso permite que alguém mantenha seu ente querido para sempre”, diz Christina Martoia, porta-voz da Algordanza US. “Estamos trazendo alegria de algo que é, para muitas pessoas, muito dolorido”.

Veja como a empresa usa calor e pressão extremos para transformar pessoas mortas – e às vezes animais – em gemas brilhantes de todos os tamanhos, cortes e cores.

Fazer um diamante a partir de uma pessoa morta começa com a cremação. O processo normalmente deixa para trás cerca de 2 a 4,5 quilos de cinzas, a maioria das quais é carbono. Os estilos de cremação diferem de cultura para a cultura. Alguns usam temperaturas mais altas por mais tempo, o que permite que mais carbono escape no ar como dióxido de carbono (o que pode significar que mais cinzas são necessárias para formar um diamante). Martoia diz que a Algordanza exige um mínimo de 450g de cinzas. “Esse é o número mágico, onde nossos engenheiros podem garantir que haverá carbono suficiente para fazer um diamante”, explica. Quando a empresa recebe cinzas de um cliente, um técnico coloca uma amostra em um forno especial para ver se há carbono suficiente para criar um diamante. Se não houver o suficiente, a quantidade de carbono em um maço de cabelo pode compensar a diferença.

Uma vez que haja carbono suficiente, o elemento é extraído e purificado de contaminantes, como sais. “Usamos um produto químico ácido para eliminar as impurezas”, diz Martoia. Isso leva a pureza do carbono das cinzas processadas para cerca de 99% ou mais. O outro 1% contém impurezas como o boro – um elemento e micronutriente que ajuda os seres humanos (e outros animais) a desenvolver ossos, curar feridas e regular o sistema imunológico.

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O boro é a impureza que colora os raros diamantes azuis encontrados na natureza – e é por isso que muitos “diamantes memoriais” também são azuis. “Os diamantes podem variar de azul claro a muito azuis”, diz Martoia. “Quanto mais boro, mais profundo é o azul”. Ela acrescenta que é impossível prever a cor exata que um diamante memorial assumirá.

“Mas uma coisa interessante a notar é que nossos técnicos estão achando uma correlação em pessoas que passaram por quimioterapia. Seus diamantes tendem a sair muito mais leves”, conta Martoia. Isso pode ser porque a quimioterapia retira o boro e outros micronutrientes importantes do corpo.

Para purificar ainda mais o carbono para 99,9% ou mais, os técnicos o embalam em uma célula que contém ferro e cobalto – aditivos que ajudam a remover contaminantes. A célula também contém um minúsculo diamante para ajudar o carbono a se cristalizar em uma forma áspera, já que o carbono cristaliza melhor quando ele toca um diamante existente. O diamante fornece um “modelo” para que o carbono funcione, o que significa que o novo diamante que eventualmente se formará exigirá menos corte e polimento.

O passo de purificação final converte o carbono em folhas escorregadias de grafite – o mesmo tipo de carbono nos lápis. As folhas planas microscópicas de carbono do grafite são um material de iniciação ideal para sintetizar diamantes. Os diamantes naturais se formam a partir do carbono que fica preso em tubos de lava a cerca de uma milha de profundidade na crosta terrestre.

Para emular esse ambiente, a Algordanza insere a célula (agora empacotada com grafite) em um prato e desliza-a para uma máquina de alta pressão.

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Essa máquina pode aquecer uma célula de crescimento a cerca de 1.400 graus Celsius. Ele também espreme a célula sob 870.000 libras por polegada quadrada de pressão. Isso é como a massa inteira da Estação Espacial Internacional se deslocando em cima de um relógio de pulso – além de aquecê-lo até uma temperatura superior à da lava. Dependendo de quão grande um cliente quer que seu diamante seja, pode levar de seis a oito semanas em uma máquina HPHT para o grafite cristalizar em uma gema. “Quanto maior o diamante, mais tempo leva para crescer”, diz Martoia. Quando o tempo passa, os técnicos removem o grafite e o abrem. Dentro está um diamante áspero, não cortado e não polido.

Alguns clientes pegam a gema áspera mesmo, mas muitos optam por ter seus diamantes memoriais cortados, facetados e polidos por um joalheiro na Suíça.

Os preços da Algordanza começam em 3.000 dólares por um diamante de 0,3 quilates. Martoia diz que a ordem média é de 0,4 a 0,5 quilates, embora os clientes dos EUA geralmente solicitem diamantes maiores, de 0,8 quilates.

Mas a Algordanza pode torná-los muito maiores: a empresa recentemente recebeu um pedido de 48.000 dólares para diamantes de 2 quilates. Após 10 meses de crescimento, a gema resultante na verdade acabou tendo 1,76 quilates – mas ainda é o maior diamante memorial já feito pela empresa.

Pedidos de diamantes feitos de cinzas humanas não são o único tipo que a Algordanza recebe. “Primeiro, tivemos as cinzas de um Shepard alemão e agora temos cinzas de um gato”, conta Martoia. [Business Insider]

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