Estudo de Harvard traz mais polêmica para as duas principais vertentes das dietas

Por , em 19.11.2018

Entre as centenas de tipos de dietas que entram e saem de moda, dois tipos principais chamam atenção: dietas que reduzem carboidratos e dietas que reduzem gordura animal. Mas qual delas é a melhor? Bom, tudo depende da sua pergunta. Melhor para quê, exatamente?

Uma das dietas até pode ser melhor para emagrecer, mas é muito pior para a saúde e contribui para morte precoce. Entre estar magro e estar vivo, é seguro dizer que a maioria prefere uma vida longa e saudável.

Um estudo recém-publicado na revista British Medical Journals por pesquisadores de Harvard concluiu que cortar a o consumo de carboidratos significa 250 calorias a menos por dia. Ou seja, entre consumir o mesmo número de calorias vindas de um pão ou vindas de uma carne traz resultados diferentes depois que o corpo processa este alimento. Comer carne faz com que o corpo armazene menos gordura.

Mas uma outra pesquisa publicada em outubro de 2018 na The Lancet por outra equipe de Harvard mostrou que quem corta o carboidrato mas aumenta o consumo de carne tem mais chances de morrer mais cedo.

Resumindo, cortar os carboidratos até pode ser um bom negócio, mas só se você for vegetariano ou flexitariano. Trocar as calorias que seriam consumidas na forma de carboidratos por calorias consumidas na forma de carne aumenta o risco de morte.

A boa notícia

Trocar carboidratos por proteína e gordura emagrece


O estudo mais recente, da revista British Medical Journals acompanhou 164 adultos com idades entre 18 e 65 anos e com Índice de Massa Corporal (IMC) de 25 ou mais. Este IMC indica sobrepeso.

Todos os participantes passaram por uma dieta inicial para perder 12% do peso, e depois foram separados aleatoriamente em três grupos com dietas diferentes para fazer a manutenção do novo peso. As três dietas eram: baixo carboidrato, médio carboidrato e alto carboidrato. Esta segunda fase da dieta durou 20 semanas (cinco meses).

Os participantes que consumiram muito carboidrato e pouca gordura queimaram, em média 250 calorias a mais do que os que comeram menos carboidrato e mais gordura animal.

A conclusão do estudo é que a composição da dieta afeta o gasto de energia independentemente do peso da pessoa. Uma dieta com quantidade alta de gordura e baixa de carboidratos pode ajudar na perda e manutenção de peso de forma alternativa à orientação convencional de restringir o consumo de calorias e aumentar as atividades físicas.

A má notícia (que tem o lado bom)

Substituir carboidratos por carne é ruim, mas por proteína vegetal é ótimo


Já o estudo do mês anterior, publicado na The Lancet, analisou dados de 15.428 adultos com idades entre 45 e 64 anos. Todas estas pessoas completaram questionários sobre a dieta entre os anos de 1987 e 1989, e 25 anos depois foram contatadas para que os pesquisadores soubessem quantas estavam vivas.

No acompanhamento feito 25 anos depois, foram contabilizadas 6.283 mortes, e os pesquisadores notaram que aqueles que consumiam entre 50 e 55% de carboidratos em sua dieta tinham o menor risco de mortalidade. Já os que consumiam menos de 40% e mais de 70% tinham maiores chances.

A chave desta pesquisa, porém, não está apenas na redução ou aumento de carboidratos na dieta, e sim no que a pessoa usa para substituir esses carboidratos. Aqueles que trocaram esta fonte de energia por proteína ou gordura animal tiveram maior risco de morte, enquanto aqueles que trocaram por produtos derivados de vegetais tiveram menos risco de morrer.

A substituição de carboidratos por nozes, vegetais, manteiga de amendoim e pães com farinha integral estavam associados a menor mortalidade.

Isso sugere que a fonte do alimento modifica radicalmente a associação entre consumo de carboidrato e mortalidade.

E aí, qual dieta vale mais a pena?[British Medical Journal, The Lancet]

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