Dietas: 8 mitos nos quais você possivelmente acredita

Por , em 28.05.2013

Há vários mitos e invenções sobre dietas e outras questões da área de nutrição e saúde. Mesmo os profissionais de saúde constantemente acabam se contradizendo. Está na hora das coisas ficarem mais claras, não?

Mito 1: Uma caloria é uma caloria

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É um mito comum de que tudo o que importa para a perda de peso são as calorias. Naturalmente, as calorias importam. Mas os tipos de alimentos que comemos também são relevantes para as dietas.

Aqui estão três exemplos de como “uma caloria não é uma caloria”:

Frutose x glicose: frutose é o açúcar mais suscetível a estimular a fome, provocar o aumento da obesidade abdominal e resistência à insulina, em comparação com a mesma quantidade de calorias de glicose;
Proteína x gordura: Comer proteína pode aumentar a taxa metabólica e reduzir a fome em comparação com gordura e carboidratos;
Ácidos graxos de cadeia média x ácidos graxos de cadeia longa: ácidos graxos que são de cadeia média (por exemplo, a partir de óleo de coco), aumentam o metabolismo e ajudam a reduzir a fome em comparação com os ácidos graxos de cadeia mais longa.

Diferentes alimentos afetam nossos corpos, fome e hormônios de diferentes maneiras.

Mito 2: Dietas de comer muita proteína são ruins para você

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Algumas pessoas pensam que dietas ricas em proteínas irá prejudicar os seus rins e causar osteoporose. É verdade que a ingestão de proteína pode fazer você excretar mais cálcio em curto prazo, no entanto, estudos de longo prazo mostram que a ingestão de proteína está associada com a melhoria da saúde dos ossos e um menor risco de fraturas, e não o contrário.

Os dois fatores de risco mais importantes para a insuficiência renal são diabetes e pressão arterial elevada. Comer proteína adequada ajuda a ambos, o que deve reduzir o risco de doença renal na vida adulta. A menos que você tenha algum problema de saúde que o impeça de ingerir proteínas, não há nenhuma razão para ter medo de incluí-las em sua dieta.

Mito 3: As dietas mais saudáveis são as de baixa gordura equilibrada

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Nos EUA, as diretrizes para dieta de baixo teor de gordura saíram em 1977, quase exatamente ao mesmo tempo em que a epidemia de obesidade começou. Esta dieta nunca tinha sido realmente comprovada, portanto tinha base apenas em observações, até que o Instituto Nacional de Saúde decidiu testá-la. Dezenas de milhares de mulheres foram colocadas em dietas com baixo teor de gordura, ou continuaram a comer a dieta ocidental padrão como antes.

O estudo durou 7 anos meio, e as conclusões foram muito claras:

– A dieta não impediu o ganho de peso. O grupo de baixo teor de gordura pesava apenas 0,4 kg a menos do que o grupo controle;
– A dieta também não impediu doença cardíaca. Não houve diferença entre os grupos.

Mito 4: Para fazer dietas, todod têm que cortar o sódio

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O sódio é um eletrólito essencial para o corpo. Por um longo tempo, pensou-se que ele seria responsável por elevar a pressão arterial e, portanto, aumentar o risco de doenças. É verdade que ele pode elevar ligeiramente a pressão arterial a curto prazo, no entanto, estudos não comprovam que a redução de sódio ajuda a prevenir ataques cardíacos, por exemplo.

Ensaios clínicos sobre a restrição de sódio mostram que não há nenhum efeito sobre a doença cardiovascular ou morte. Eles também mostram que a restrição de sódio pode aumentar os níveis de triglicerídeos e colesterol. A menos que você tenha pressão arterial elevada, não há razão para evitar adicionar sal aos seus alimentos para torná-los mais saborosos, mas com moderação.

Mito 5: As gorduras saturadas elevam o colesterol ruim e provocam doença cardíaca

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O mito de que a gordura saturada aumenta o colesterol e provoca doenças cardiovasculares ainda está vivo hoje. As ideias são baseadas em estudos observacionais falhos realizados nos anos 60 e 70. Desde então, muitos estudos têm reexaminado essa relação e descobriu-se que:

-Não há literalmente nenhuma associação entre o consumo de gordura saturada e doença cardiovascular;
-Gordura saturada aumenta o HDL (o colesterol bom);
Não há razão para evitar os alimentos naturais que são ricos em gorduras saturadas. Por exemplo, carne, óleo de coco e manteiga são alimentos perfeitamente saudáveis.

Mito 6: Café é ruim para você

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O café tem obtido uma má reputação no passado. É verdade que a cafeína, o composto ativo estimulante no café, pode aumentar ligeiramente a pressão arterial, a curto prazo. Apesar destes efeitos adversos leves, estudos de observação a longo prazo, na verdade, mostram que o café diminui o risco de muitas doenças. Café pode:

-Melhorar o funcionamento do cérebro;
-Ajudá-lo a queimar mais gordura;
-Reduzir o seu risco de diabetes (alguns estudos indicam que em até 67%);
-Reduzir o seu risco de doenças como Alzheimer e Parkinson;
-Proteger o fígado contra cirrose e câncer.

Mito 7: Ovos são ricos em colesterol e podem causar doença cardíaca

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Ovos foram injustamente demonizados por conterem grandes quantidades de colesterol, porém, ovos estão entre os alimentos mais nutritivos e saudáveis que você pode comer, carregados de vitaminas, minerais e antioxidantes.

Estudos mostram que o consumo de ovos realmente melhora o perfil lipídico do sangue, porque elevam o HDL (bom colesterol). No entanto, nenhuma pesquisa mostra associação entre o consumo de ovos e o risco de doença cardíaca.

Mito 8: Dietas de baixo carboidrato são ineficazes ou perigosas

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Dietas de baixo carboidrato têm sido consideradas perigosas devido à sua alta quantidade de gordura saturada. Por esta razão, imaginou-se que aumentariam o risco de doenças do coração e outras doenças crônicas.

No entanto, desde o ano de 2002, mais de 20 ensaios clínicos foram realizados comparando dietas de baixo carboidrato com dieta de baixo teor de gordura.

Em quase todos esses estudos, as dietas de baixo carboidrato:

– Apresentaram significativamente mais perda de peso do que dietas com baixo teor de gordura;
– Diminuíram os níveis de triglicerídeos, um importante fator de risco para doença cardíaca;
– Elevaram o HDL (o bom colesterol);
– Melhoraram o açúcar no sangue e os níveis de insulina, especialmente em diabéticos.

Dietas baixas em carboidratos também são mais fáceis de seguir e têm um perfil de segurança excelente. Não há nenhuma evidência de quaisquer efeitos adversos. Elas são certamente uma escolha muito melhor do que as dietas de baixo teor de gordura e dietas de restrição de calorias.[Popsci]

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12 comentários

  • Marco Andrade:

    Dr. Lair Ribeiro vive falando isso a um quilhao de anos…

  • XBen Cento e um:

    Mito 5: As gorduras saturadas elevam o colesterol ruim e provocam doença cardíaca

    Aí fiquei na dúvida, até aonde eu aprendi no colégio Gorduras Saturadas tem na sua formação Ácidos Graxos Saturados que transportam e AUMENTAM o mau colesterol (LDL).

    Alguém me explica isso.

    • Zip:

      A verdade é esta notícia não tem pés nem cabeça, e como estudante de nutrição nem me dou ao trabalho de a ler, o que diminuí o colesterol é o exercício e optar por gorduras insaturadas.
      Apenas as gorduras de origem vegetal, óleos, é que não aumentam, pois têm zero colesterol.

      Agora uma dieta baixa em carbohidratos é perigosa porque têm muita gordura saturada? Não faz sentido nenhum, uma pessoa pode optar por um peixe e juntar umas couves, sem carbohidratos e tem alguma gordura gordura saturada? Praticamente zero

  • Beto Jose Uarrica:

    obrigado sertas coisas eu nao tinha conhecimento

  • Lorenna:

    Obrigada! Sempre tive medo de comer ovos.
    Tanto que comia uma vez por mês…

    • Tiago Soares:

      Desde que não sejam fritos (principalmente em oleo!) não há problema nenhum em comeres uns 2 ovos por dia.

  • Gerson Alencar:

    É ISSO. SABEMOS QUE POR TRÁS DE MUITAS DEMONIZAÇÕES EM TERMOS ALIMENTARES, ESTÁ O INTERESSE DA INDÚSTRIA EM “VENDER SEU PEIXE”. O ALIMENTO SÓ PREJUDICA OS GLUTÕES; SEJA ELE LAITE DAITE, OU IN NATURA.

  • Neide Santos:

    INTERESSANTÍSSIMO…. OS 8 MITOS SOBRE DIETAS..

  • Evandro Oliveira:

    [Por favor, publique este comentário é importante.]

    Há muita desinformação nessas colocações e mitos.
    Pode-se encontrar diversos artigos, estudos… alias, muitas noticias sobre tais mesmo aqui no Hypescience… que falam o contrário.

    Apenas para citar: Mito 2 – Comer Muita Proteína

    A principio já há muitos estudos quanto já as proteínas sintéticas que não são muito boas e devem ser consumidas moderadamente acompanhado por um nutricionista. (como os suplementos para fisiocuturistas)

    Simplesmente níveis altos de proteína causa um quadro clinico muito ruim chamado “Proteinúra”. O corpo funciona num equilibrio, se há qualquer substancia, inclusive proteína em excesso, o corpo precisa de alguma maneira equilibrar isso, seja expelindo, seja armazenando em tecidos. E quando há proteína em excesso no organismo, além de aumentar a quebra dessas em forma de amonia que é mais tóxica do que uréia e acido úrico, também sobrecarrega os rins, podendo causar assim o que mais determina a proteunúra, que é quando a urina passa a excretar proteína.

    Além disso, o excesso de proteína no sangue está comumente associado com diabetes. Pode provocar a diminuição da pressão vascular oncótica (hipoproteinémia), provocar edemas, ascite, acúmulo de líquidos na cavidade pleural (hidrotórax), insuficência renal.

    O texto também é incoerente. No título fala “Comer muita proteína é ruim”. Mas no decorrer do texto em nenhum momento fala isso, nem tampouco sobre isso. Apenas fala sobre o consumo adequado e que não deve ser cortado da dieta.

    Todas as coisas tem um equilibrio.

    Esses supostos mitos que na verdade tem muito mais verdade apenas deveriam ser melhores compreendidos, ao invés de serem taxados, como aqui foi feito, de mentiras. O do café, por exemplo, tem diversas associações com o aumento da produção de cortisona que aumenta o estress e a ansiedade (e seus efeitos secundários), além de ser um veneno para quem sofre de gastrite, aliás, é um causador de mesma. A do sal então! Sem contar que não faz nem distinção entre o sal refinado e o integro. O problema do sal não é apenas para quem tem hipertensão. Isso é um absurdo! E não é por menos, a toa, que está havendo tanta luta nos últimos anos de médicos e pesquisadores sérios buscando diminuir a quantidade de sódio nos alimentos industrializados, que normalmente são colocados em altas quantidades para aumentar o sabor, a durabilidade e excitar o paladar e a sede. O das gorduras saturadas então…

    Cuidado com o que leêm. O papel aceita tudo, inclusive um texto sensacionalista como esse.
    Antes de tomar alguma atitude sobre tais, consulte médicos especialistas em tais e vejam o que eles dizem sobre tais e o que será prejudicial ou não para você.

    • Leandro N:

      É importante diferenciar estudos epidemiológicos que no máximo mostram correlações e servem pra criar hipóteses a serem testadas, de ensaios clínicos randomizados.

      Ensaio clínico randomizado é a prova de fogo de uma hipótese. É o único critério para a aprovação de medicamentos pelos órgãos competentes.

      Infelizmente, o padrão que vale para introdução de medicamentos não é o mesmo padrão que vale para a criação de diretrizes governamentais para nutrição. O meio da nutrição está totalmente perdido em um lamaçal de desinformação.

      Mas se você se der ao trabalho de seguir os links do artigo original da popsci, vai ver que os mitos foram derrubados com base em ENSAIOS CLÍNICOS CONTROLADOS. Por exemplo, este link: http://authoritynutrition.com/randomized-controlled-trials-in-nutrition/

      Por outro lado, as notícias criadoras de mitos se baseiam em correlações vindas de estudos epidemioloógicos. Correlação é diferente de relação causa-efeito.

      Estude mais e você vai ver.

    • Jefferson Nascimento:

      Um exemplo de estudo epidemiológico clássico e esclarecedor é o que relaciona sorvete com ataques de tubarão. Cientistas perceberam que muitas vendas de sorvetes estava relacionada a muitos ataques de tubarões. Quer dizer que tomar sorvete causa ataque de tubarão? Claro que não. Existe uma relação não causal entre os dois fenômenos e o sorvete é inocente nessa história. O fato é que quanto mais quente o dia, mais sorvetes vendidos e também mais pessoas se refrescando no mar.

  • Edgardo Aquiles Prado:

    Que legal este artigo.

    PARABÉNS Ana Claudia !

    Estou repassando …

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