Economizar energia é inútil, afirma novo estudo

Por , em 24.11.2009

A propaganda para economia de energia e cuidados com meio ambiente não mudam a realidade: de acordo com o cientista Tim Garrett, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, isso não ajuda a estabilizar nem reduzir as emissões de gases à atmosfera. Em seu novo estudo, o pesquisador argumenta que a conservação ou eficiência da energia não chega a economizar energia, mas sim aumenta o crescimento econômico e acelera o consumo de energia.

Por que economizar energia é inútil?

No estudo, Garret afirma que a “estabilização das emissões de dióxido de carbono nas taxas atuais irá exigir aproximadamente 300 gigawatts de produção de energia ‘limpa’ anualmente — aproximadamente uma nova usina nuclear – ou equivalente — por dia”. De acordo com o cientista, não há outras opções sem destruir a economia.

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A descoberta mais importante feita no estudo é que a produção econômica durante toda a história foi ligada à taxa de consumo de energia em um nível global. Basicamente, isto significa que uma “constante” de 9,7 miliwatts é necessária para a produção de um dólar na economia – ajustado às taxas de 1990. Testando sua teoria, Garrett descobriu que esta relação é constante entre o uso da energia a a produção econômica em qualquer época.

Ele utilizou as estatísticas das Nações Unidas sobre o Produto Interno Bruto (PIB) global, dados do Departamento de Energia dos Estados Unidos sobre o consumo de energia em todo o mundo entre 1975 e 2005, além de analisar outros estudos que estimaram a produção econômica global há até 2 mil anos. O estudo também envolveu um estudo sobre as implicações das emissões de dióxido de carbono.

“Ao descobrir este fator constante, o problema do crescimento da economia global fica muito mais simples”, afirma Garrett. “Não é mais necessário considerar o crescimento das populações e as mudanças no padrão de vida, porque eles marcham na velocidade da disponibilidade de abastecimento de energia”, explica.

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Segundo o pesquisador, a aceleração das emissões de dióxido de carbono não devem mudar tão logo, pois o uso que fazemos da energia atualmente está muito ligado à produtividade econômica do passado da sociedade. “Observando por esta perspectiva, a civilização evolui em compasso com o consumo de energia e incorporação de materiais do ambiente”, diz. Ele compara a situação a uma criança que cresce consumindo alimento, e quando termina de crescer, pode consumir mais comida, o que permite que ele cresça mais ainda.

Uma das ideias mais polêmicas de Garret é que a conservação de energia não reduz o uso da energia, e sim aumenta o crescimento econômico e contribui para o aumento do uso de energia: “Ao fazer com que a civilização seja mais econômica[mente próspera] simplesmente faz com que ela cresça mais rapidamente e consuma mais energia”, afirma.

Ele diz que a ideia que a conservação de recursos naturais acelera o consumo destes recursos foi proposta em 1865 no livro “The Coal Question” (“A questão do carvão”, em tradução livre), escrito por William Stanley Jevons, que notou que os preços do carvão caíram e o consumo aumentou muito depois de melhorias na eficiência de aparelhos a vapor.

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Garret afirma que não está tentando convencer as pessoas que conservar energia não importa: “Apenas estou dizendo que não é realmente possível conservar energia de um modo significativo, porque as taxas atuais do consumo dos recursos são determinadas pelo passado da produção econômica, que é imutável”, argumenta. “Se você se sente bem ao conservar energia, tudo bem, mas não tenha a pretensão de que isso fará alguma diferença”, completa.

Apesar do seu ceticismo, o pesquisador sugere que “Se a sociedade investir recursos suficientes para meios alternativos de energia, que não utilizem o carbono, então talvez ela possa continuar crescendo sem aumentar o aquecimento global”. [Scientific Blogging]

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14 comentários

  • Ruben Zevallos Jr.:

    Realmente o problema atual é mais econômico que ambiental….

  • Deep:

    “novas tecnologias deveriam ser utilizadas só em pesquisa e não por usuários comuns…”

    Deixa disso seu eco-fascista!

    Acha q tem as soluções todas e q a maior delas é alijar as pessoas, protegê-las de si?

    É um erro de cálculo, ou de opção.

    As pesquisas é q devem ser pautadas por outros parâmetros, devem preocupar-se apenas em gerar produtos saudáveis ao planeta.

    A pesquisa em questão é excelente pois evidencia a manipulação absurda q há por trás dos dados q nos chegam, por trás das opções dos governos para o gerenciamento de nosas vidas…

    Agora mesmo, em minha cidade, estou tendo de sujeitar meu corpo ao artificialismo extremo de um horário dito de verão… Lá fora a natureza segue indiferente ao ajuste dos relógios… Mas nós, em nome de uma pretensa economia de energia – q o estudo sugere ser inútil – precisamos modificar nossas vidas…

    Isso é opressivo e burro, infelizmente.

    Oxalá um dia mude!

  • Juka:

    Isso é obvio: quanto mais energia hà disponível maior é o consumo. É parecido com a questão do aumento de renda: quanto maior é a renda de uma pessoa, mais ela consome. Realmente esclarecedora esta pesquisa, ela é um tapa na cara dos hipócritas que proferem aquele papinho de “politicamente correto” ou “ambientalmente correto”; nenhuma ação humana está livre de impacto ambiental, os únicos seres humanos “ambientalmente corretos” eram os homens das cavernas que matavam um animal selvagem aqui, colhiam umas frutinhas ali, etc, mas à partir do momento que se constroem cidades, estradas, fazendas e países, um passo que se dá ja exerce um grande impacto ambiental. E o pior: não hà mais volta para as mudanças do aquecimento global. O melhor que podemos fazer, é o que os cientistas mais lúcidos que pesquisam este assunto ja determinaram: é preciso tirar as pessoas da pobreza. Porquê? Porque já está comprovado que os que mais vão sofrer com as consequencias das mudanças climáticas são os pobres. Um exemplo claríssimo para ilustrar: depois que o furacão “Katrina” passou sobre Nova Orleans o que é que se via: apenas os mais pobres (na sua maioria, negros) ainda continuavam na cidade, numa situação que a deixava parecida com um campo de refugiados da África. E porquê isso? Porque os mais pobres não tinham os recursos necessários para fugir da intempérie: não tinham casas em outros estados, não tinham carros, tiveram que “se virar” com o que possuiam, neste caso, ficar em suas próprias e torcer para continuar vivo, daí o motivo de a maioria dos mortos ser pobre. Outra coisa: o mundo está sendo atacado por uma terrível praga: a praga humana. Como uma nuvem de gafanhotos que ataca uma plantação e a consome por completo em horas, nós os humanos, estamos consumindo, sugando os recursos do planeta muito além do que ele pode nos dar. A solução? Ja que é impossível acabar com esta praga neste momento, temos que controla-la nos anos (e provavelmente séculos) vindouros. Por favor, não estou falando de um genocídio em escala global, mas de uma conta racional do que podemos consumir e o que de fato consumimos. Levar adiante idéias românticas e ilusórias é a pior atitude que podemos ter com nós mesmos. Abraços.

  • Gustavo:

    O problema é que no Brasil a energia é gerada apartir de Hidroeletricas, Usinas que utilizam a água como fonte de energia.
    Então se o consumo de energia for reduzido cada vez mais, o volume de água consumido pelas usinas diminuirá propocionalmente.
    Conscientizem-se.

  • Sergio:

    A economia da energia é uma outra forma de dizer”Vamos consumir menos”.
    Alguns dirão que isto é contra a economia e o progresso.E é.
    Jaques Cousteau, o grade cientista e ambientalista françes, disse que pagariamos caro pelo consumo desenfreado a que estavamos submetendo a Terra.
    Mas economizar, não só energia, mas qualquer coisa, é melhorar o mundo sim, pois, se a população irá continuar crescendo, temos que adotar o pensamneto dos alemães pós guerra que é: “todos precisam possuir menos para que todos tenham o suficiente”.
    A conciencia e a inteligencia de cada um deve imperar nesta hora.

  • Marcus:

    Alguém ae jah viu ´Zeitgest: Ademdum? tenhu 4 palavras: Projeto Venus ou Morte!

  • Ricardo:

    Infelizmente o aquecimento global que tranforma-se em realidade será o grande ônus da população a ser pago nos anos vindouros; oportunamente soluções científicas realistas virão, senão por inspiração Divina. O planeta vai vencer mais este desafio…. Entretanto, inversamente à necessidade mundial de se abordar o problema como sendo de “cunho social ” de se frear as necessidades humanas individuais ou seja um controle de natalidade visando a num futuro próximo; se não diminuir, mas limitar as necessidades das diversas produções de insumos necessários à manutenção de cada novo indivíduo. As nações, por conseguinte do aquecimento global, funestamente utilizam-se do processo para elaboração de verdadeiras barreiras de crescimento econômico imposta para frear o desenvolvimento econômico da outra nação para, digamos, respirar melhor e ter oportunidades de atingir sua própria meta econômica de desenvolvimento. É LAMENTÁVEL!

  • Marcos:

    Como a matemática é linda!!!

    Destruindo as ilusões do senso comum e nos forçando a achar alternativas…

    Lindo artigo.

  • Liad:

    “Se a sociedade investir recursos suficientes para meios alternativos de energia, que não utilizem o carbono, então talvez ela possa continuar crescendo sem aumentar o aquecimento global”.

  • Gustavo:

    é triste ver todo esforço inutil das pessoas que se preocupam com o meio ambiente!

    Vivemos na inércia de um movimento que leva ao fim.

    nosso planeta é um sistema perfeito, assim como um ferimento cicatriza, uma arvore podada cresce novamente, um rio se purifica se não receber mais impurezas, podemos sim reverter a situação……..mas para isso os interesses dos humanos teriam que mudar……….teriamos que abandonar as vidas que vivemos hj e passarmos a trabalhar para o planeta….ISSO É POSSIVEL……QUEM VAI COMEÇAR???………teriamos que nos submeter a termos só o necessário para viver agua, ar, terra, sexo, e não um carro bonito ou super novo computor que será utilizado pra colocar fotos no orkut.

    o lixo eletronico é podre e giganteee……..novas tecnologias deveriam ser utilizadas apenas para pesquisas e não usuários comuns …….

    só um desabafo de alguém que já esta disiludido em pensar que algo pode mudar

    o ser humano é preguiçoso e vive no conforto momentâneo, não se preocupa de verdade com o futuro e sim com o momento………..assim realmente fica dificil

  • Alberto:

    Não é so a energia elétrica que falta com o aumento da população.
    O excesso de população é o maior culpado por tudo de ruim que acontece no planeta terra. A extinção dos animais, poluição do ar, dos rios, dos mares, os sem terra, sem teto, a mendicância, a pobreza, a miséria, a violência, o analfabetismo, a péssima qualidade de vida em que vivemos, a falta de petróleo, de água, de energia elétrica, de escolas, de cadeias, de cemitérios, os congestionamentos sem fim, etc.
    É urgente que tomemos uma decisão contra isto, ou acabaremos em guerras ou revoluções, como aconteceu no passado, com mortes aos milhares. A natureza toma suas decisões a fim de equilibrar as coisas.

  • Gustavo:

    vivemos

  • marcia:

    Realmente, é inutil, a economia de energia. Pois se olhar para outro fator, tambem ligado à economia de energia, verifico que quanto mais eu faço economia, mais eu pago a cada mês…… Eu economizo e companhia de energia, inventa taxas e aumenta o valor da minha fatura…..

  • AC/DC:

    Com certeza o aumento populacional anula qualquer benefício da redução de consumo,já esta hipótese acho razoável,talvez seja melhor aprofundar as pesquisas…

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