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10 escolas de pensamento e seus princípios

Por , em 18.12.2017

Existem diversas escolas de filosofia no mundo. Algumas delas fazem parte do inconsciente popular, mas muitas vezes apenas ideias rasas sobre elas são difundidas, fazendo com que muitas vezes seus princípios sejam incompreendidos, confundidos e até mesmo invertidos. Nesta lista, você pode conferir mais alguns detalhes sobre 10 das mais conhecidas escolas de pensamento já criadas pela humanidade.

10. Niilismo

O niilismo é conhecido popularmente como uma escola de pensamento que afirma que nada tem sentido, e há um fundo de verdade nessa definição: a palavra “niilismo” é derivada da palavra latina nihil, que significa “nada”. A ideia-chave do niilismo é a falta de crença no sentido ou na substância de alguma área filosófica. Por exemplo, o niilismo existencial, o mais conhecido, é a ideia de que a vida não pode ter significado e nada tem valor, mas existem outros tipos: o niilismo moral argumenta que os fatos morais não podem existir; o niilismo metafísico argumenta que fatos metafísicos não existem, e assim por diante.

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No vídeo acima, Clóvis de Barros, professor de Ética da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) explica a diferença do niilismo compartilhado pelo senso comum e daquele explicado por Nietzsche.

Ao contrário do entendimento popular, Nietzsche não era um niilista. Pelo contrário: ele escreveu sobre os perigos colocados pelo niilismo e ofereceu soluções para eles. Autores como Fiódor Dostoiévski são célebres por criarem obras e personagens niilistas.

9. Existencialismo

O existencialismo é uma escola de pensamento originada no trabalho de Soren Kierkegaard e de Friedrich Nietzsche. O existencialismo surge como uma forma de resposta ao problemas impostos pelo niilismo existencial. Qual é o ponto da vida se a vida não tem um propósito inerente? Onde podemos encontrar valor após a morte de Deus? Como enfrentamos o conhecimento de nossa morte inevitável? Estas são algumas das respostas que os existencialistas tentam responder, além de perguntas sobre livre arbítrio, escolhas e as dificuldades de ser um indivíduo.

Os existencialistas também incluíam Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Martin Heidegger. Albert Camus foi associado ao movimento, mas se considerava independente dele.

8. Estoicismo

A ideia central do estoicismo é a aceitação de todas as coisas que estão além do seu controle. Popular na Grécia e na Roma antigas, o estoicismo é praticado hoje por muitas pessoas em ambientes de alto estresse, como atletas que pretendem se concentrar no seu próprio jogo e não no que o adversário está fazendo.

O estoicismo é uma escola que se concentra em como viver em um mundo onde as coisas não saem como você queria. Como quando perdemos um ônibus que passou antes do horário ou temos uma reunião com alguém que não consegue se concentrar em uma palavra do que você diz. Para o estoicismo, a dor destes problemas passa, mas nós permanecemos, por isso é melhor nos concentrarmos naquilo que podemos controlar. Estoicistas famosos incluem Seneca e Marcus Aurelius.

O vídeo acima, com legendas em português, dá mais detalhes sobre o esoicismo e seus ensinamentos de auto-controle e auto-desenvolvimento.

7. Hedonismo

O hedonismo é a ideia de que prazer ou a felicidade são as únicas coisas com valor intrínseco. Essa ideia tem sido espelhada por muitas outras escolas de pensamento em toda a história, como a utilitarista. O hedonismo muitas vezes é confundido como uma busca incessante e egoísta pelo prazer, mas isso não é completamente verdade.

Muitos filósofos hedonistas consideravam o prazer como uma espécie de felicidade, mas poucos o consideravam a única felicidade. A maioria dos filósofos hedonistas sugeriria a leitura em vez de uma noite de bebida, pois a leitura é um tipo de felicidade mais elevado do que ficar bêbado.

O pensador grego Epicuro era hedonista, mas seguia a escola de pensamento dentro de um sistema de ética da virtude baseado na moderação. Ele argumentava que a moderação leva a maior felicidade para o indivíduo a longo prazo.

Hedonistas famosos incluem Jeremy Bentham, Epicurus e Michel Onfray. O hedonismo é também a filosofia mais antiga registrada, fazendo uma aparição em The Epic of Gilgamesh, um poema épico de cerca de 2100 a.C.

No vídeo acima, que possui legendas em português, explica mais sobre Epicuro e sua busca pela felicidade.

6. Marxismo

O marxismo é uma escola baseada nas ideias de Karl Marx, filósofo alemão do século 19, e também nas ideias que outras pessoas adicionaram à teoria após sua morte. As ideias-chave do marxismo são todas críticas ao capitalismo, como a ideia de que o modo de produção capitalista nos aliena dos resultados do nosso trabalho e a teoria da mais valia, a diferença entre o valor final de uma mercadoria e o valor dado ao trabalho e aos meios de produção. Ele também propôs algumas ideias para ajudar a resolver os problemas que encontrou no capitalismo.

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O marxismo cultural existe, mas não é aquilo que você vê nos comentários dos portais de notícia. Na realidade, é um método de criticar nossa sociedade consumista por reduzir tudo a mercadorias. O marxismo cultural também critica os fenômenos de marcação de massa que atingem todas as partes de nossas vidas. Estas críticas foram propostas por filósofos alemães, que, por sinal, não gostavam do sistema soviético.

Os marxistas mais famosos incluem Lenin, Stalin, Mao e Slavoj Zizek – todos chamados de hereges em um ponto ou outro por outros marxistas. O vídeo acima explica um pouco mais das ideias de Marx usando personagens do jogo Mario Bros.

5. Positivismo Lógico

O positivismo lógico é a ideia de que absolutamente todo conhecimento precisa ser baseado na lógica e em evidências empíricas. Do contrário, caso não seja possível, o tema em questão não teria “valor real”. O positivismo lógico surgiu como uma forma de juntar a filosofia e a ciência em uma mesma escola de pensamento.

Esta escola se popularizou nos anos 20 e 30, e tinha como base o verificacionismo, que buscava basear todo o conhecimento em dados empíricos ou em verdades lógicas. Por esta ideia, a metafísica, a ética, a teologia e a estética, por exemplo, não poderiam ser estudadas filosoficamente, pois não oferecem ideias com valores verdadeiros.

A escola ainda teve muita influência mesmo depois de começar a ser desacreditada, particularmente no trabalho de Karl Popper e Ludwig Wittgenstein.

Os membros famosos do movimento incluíam Bertrand Russell, Ludwig Wittgenstein e o chamado círculo de Viena. Após o declínio da escola, a maioria deles foi para outros projetos.

4. Taoísmo

O taoísmo é uma escola de pensamento baseada em Tao Te Ching, escrita pelo antigo filósofo chinês Lao-Tzu quando ele deixou a China para viver como um eremita. O taoísmo é baseado em ideias de humildade, foco no indivíduo, simplicidade e naturalidade. É geralmente praticada como uma religião popular pelos chineses, e os taoístas muitas vezes fazem oferendas a vários deuses.

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O pensamento taoísta mais tarde se fundiria com o budismo. Elementos dele também seriam incorporados ao conceito de neo-confucionismo. Os princípios do taoísmo influenciaram o físico Niels Bohr, que admirava a habilidade do taoísmo de ver os opostos como complementares.

3. Racionalismo

O racionalismo defende o princípio fundamental de que o conhecimento deve vir principalmente da razão e do pensamento, ao invés das evidências empíricas.

Esta escola de pensamento foi muito difundida ao longo da história. Pensadores que defendiam o racionalismo incluem Sócrates, Rene Descartes e Spinoza. A visão de que a razão poderia revelar as grandes verdades do mundo, porém, caiu em desuso por conta da necessidade de um grupo mais diversificado de métodos para encontrar a verdade. O filósofo britânico Galen Strawson explicou o limite das abordagens racionalistas do conhecimento quando explicou: “você pode ver a verdade apenas deitado no seu sofá. Você não precisa se levantar do seu sofá e sair e examinar a maneira como as coisas são no mundo físico. Você não precisa fazer nenhuma ciência”. Uma ideia que logicamente não se aplica mais ao nosso mundo. Hoje, a maioria dos pensadores combina noções racionalistas com dados empíricos.

2. Relativismo

O relativismo é a ideia de que as opiniões são relativas à perspectiva ou a considerações. Isso pode ser aplicado à moral ou à própria verdade – alguns relativistas afirmam que não existem fatos morais ou verdades absolutas. Da mesma forma, o relativismo situacional é uma ideia da ética que diz que uma regra deve ser seguida em todas as condições, exceto em algumas, quando então deveríamos seguir outra regra. Por exemplo, não matar ninguém, a menos que você salve outras vidas fazendo isso. Essa ideia, sob uma forma revisada, foi apoiada pelo filósofo americano Robert Nozick em seu livro Anarchy, State and Utopia.

Existe uma corrente chamada “relativismo cultural”, que é a noção de que a moralidade de duas culturas diferentes não pode ser comparada e uma pessoa fora de uma cultura não pode criticar os valores e a moralidade de outra. Essa ideia, porém, não é defendida por grandes filósofos e geralmente é vista como autodestrutiva por aqueles que trabalham com a ética.

1. Budismo

Uma religião baseada em torno dos ensinamentos de Siddhartha Gautama, o Buda, um príncipe indiano, o budismo é dedicado à ideia de que o sofrimento tem causas que incluem nosso apego excessivo e pode ser eliminado através da meditação, da renúncia e de outras práticas.

As muitas escolas do budismo são bastante diversas em seu pensamento, unidas principalmente pelas ideias do Buda sobre o sofrimento. Alguns não são teísmos enquanto outros têm um panteão de deuses e demônios. Alguns afirmam que o karma existe e a reencarnação é parte da vida, enquanto outros rejeitam qualquer discussão de uma vida após a morte.
No ocidente, as ideias budistas sobre meditação geralmente são amplamente compartilhadas, enquanto outros elementos da religião são ignorados, como as quatro nobres verdades, um dos principais ensinamentos deixados pelo Buda: a natureza do sofrimento, sua origem, seu fim e o caminho que conduz a este fim.

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1 comentário

  • Abelanarco Carpen Die:

    Desculpe-me os relativistas, mas esta é mais arghhhh das filos.

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