Esse organismo com três sexos foi encontrado prosperando em um lago quase morto

Por , em 28.09.2019

O Lago Mono fica na Califórnia e é supersalgado, alcalino e com níveis altíssimos de arsênio. Além de bactérias e algas, apenas o crustáceo Artêmia aguenta este ambiente. Esses crustáceos atraem dois milhões de aves migratórias todos os anos, que buscam este alimento. Mas agora uma outra forma de vida foi encontrada prosperando nesta região.

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA) descobriram recentemente oito novas espécies microscópicas de vermes na água o lago e ao seu redor, e uma delas é particularmente esquisita.

A nova espécie de nemátodeo batizada de Auanema sp. não tem um, mas três sexos diferentes, e consegue sobreviver a uma concentração de arsênico 500 vezes mais alta que um humano suportaria.

Os nemátodeos normalmente se dividem em machos e hermafroditas. Mas o Auanema sp. também tem exemplares do sexo feminino. Além disso, os filhotes desses vermes microscópicos não nascem de ovos como é a forma mais comum, mas nascem diretamente do adulto.

Esta criatura não vive em um ambiente extremo por coincidência. A equipe pesquisadora acredita que as características estranhas deste verme são parte do que permite que ela exista em águas três vezes mais salgada que a água do mar e mais alcalinas que bicarbonato de sódio.

Comparando a nova espécie de nemátodeo com outras do mesmo gênero, os pesquisadores encontraram duas outras espécies com resistência igualmente alta ao arsênio. Mas nenhuma dessas espécies vivem atualmente em ambientes com alto nível de arsênio. Então tinha que ter outro motivo para esta tolerância extraordinária.

A resposta para este mistério é que espécies Auanema têm alta tolerância a fosfato. O curioso é que o mesmo mecanismo que transporta o fosfato também transporta o arsênio, então os nemátodeos estavam acidentalmente pré-adaptados a este ambiente extremo. 

A descoberta de oito novas espécies onde anteriormente acreditava-se que viviam apenas bactérias, algas e crustáceos não é tão espantosa assim, já que os nematódeos vivem em todos os habitats e são mais numerosos que os outros animais em número de espécies e também de indivíduos. Para cada pessoa na Terra, há 57 bilhões deles. Enquanto algumas espécies são microscópicas, outras chegam a atingir 13 m de comprimento.

“Análises filogenéticas sugerem que os nemátodoeos se originaram de vários eventos de colonização, o que é surpreendente considerando a história curta de condições extremas do Lago Mono”, dizem os autores do trabalho.

Até 1941 o lago não era tão extremo assim. O problema começou quando a cidade de Los Angeles desviou água do rio Owens para o aquaduto da cidade em 1913 e aumentou este desvio de água doce em 1941. A evaporação da água do lago significou uma perda rápida de água, e logo a superfície da água baixou e sua concentração de sais aumentou. Em 1990 o lago já tinha perdido metade de seu volume relativo a 1941. Em 1994 uma lei obrigou a cidade de Los Angeles a deixar de desviar toda a água do rio, e a superfície do lago tem subido lentamente.

A pesquisa foi publicada na revista Current Biology.  [Science Alert, Current Biology]

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