Estudo: cientistas criam “fio magnético” capaz de detectar câncer através de teste simples

Por , em 17.07.2018

Cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Stanford (EUA) desenvolveram um fio magnético que pode ser utilizado para detectar células cancerosas no corpo que outras técnicas de diagnóstico não conseguem identificar.

O fio pode, em tese, ser inserido na veia de uma pessoa, onde capturaria células que podem estar vagando pela corrente sanguínea se você tiver um tumor em algum lugar do corpo.

A técnica só foi testada em porcos até agora, mas detectou de 10 a 80 vezes mais células tumorais do que os atuais métodos de detecção de câncer baseados no sangue, tornando-se uma poderosa ferramenta para diagnosticar a doença mais cedo.

A técnica

Células que se desprendem de um tumor e cruzam a corrente sanguínea livremente são conhecidas como células tumorais circulantes e podem servir como biomarcadores de câncer, sinalizando a presença da doença.

No entanto, essas células circulantes são frequentemente escassas, e uma amostra de sangue normal provavelmente não as detecta – afinal, estamos falando de alguns mililitros do volume total de sangue, que em humanos adultos é de cerca de 5 litros.

É aqui que o fio magnético pode fazer a diferença.

No estudo, os pesquisadores primeiro inseriram nos porcos nanopartículas especiais que contêm propriedades magnéticas e um anticorpo que se liga às células tumorais circulantes. Em seguida, inseriram o fio em uma veia perto da orelha dos animais – ele tem aproximadamente o comprimento de um dedo mindinho e a espessura de um clipe -, que é semelhante às veias do braço de um ser humano. Quando as células do tumor magnetizado flutuavam pelo fio, aderiam a ele. Finalmente, o fio magnético foi removido das veias dos porcos, com as células tumorais que “grudado” nele.

Aplicações

Segundo Sam Gambhir, um dos pesquisadores do estudo, a nova abordagem deve enriquecer nossa capacidade de detecção do câncer e nos dar uma melhor percepção de quão raras são essas células tumorais circulantes, e quão cedo aparecem uma vez que o câncer esteja presente.

A técnica também pode ser usada para coletar informações genéticas sobre tumores localizados em locais de difícil biópsia, ou para fornecer informações sobre a eficácia de um tratamento contra o câncer, ou seja, se está funcionando ou não.

A aplicação mais intrigante da tecnologia, contudo, é que o fio magnético pode até se tornar um tratamento em si mesmo. “Se conseguirmos que seja realmente bom em sugar células cancerígenas, quase age como um filtro que as agarra e as impede de se espalhar para outras partes do corpo”, sugere Gambhir.

No momento, a equipe está preparando a técnica para ser testada em seres humanos, o que envolve a adaptação de nanopartículas aprovadas para uso em pessoas ao fio magnético e estudos de toxicidade em camundongos. Em última análise, o objetivo é transformar a tecnologia em uma ferramenta multifacetada que melhorará a detecção, o diagnóstico, o tratamento e a avaliação da terapia contra o câncer.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Nature Biomedical Engineering. [ScienceDaily, LiveScience]

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