Fusão antiga de estrelas de nêutrons pode ter banhado nosso sistema solar com ouro

Por , em 8.05.2019

Dois astrônomos acreditam ter encontrado a colisão interestelar exata que deu um banho de ouro e outros metais na nossa região do universo há milhões de anos. O estudo publicado na revista Nature no início de maio analisa os isótopos radioativos de um meteorito bastante antigo.

Eles compararam então esses valores com as taxas de isótopos produzidos por um modelo computacional de uma colisão entre estrelas de nêutrons, as menores e mais densas estrelas. Essas explosões são tão poderosas que causam ondulações no tecido do espaço-tempo.

Os pesquisadores descobriram que uma única fusão entre estrelas de nêutrons, que ocorreu cerca de 100 milhões de anos antes da formação do nosso sistema solar, pode ter fornecido à nossa região os elementos mais pesados que o ferro. Isso inclui os átomos de cúrio e de plutônio, assim como o ouro, platina e iodo.

Vídeo da NASA ilustra a fusão XT2 de estrelas de nêutron detectadas pelo Chandra X-ray Telescope

“Em cada um de nós é possível encontrar uma quantidade desses elementos equivalente a um cilho, em sua maioria na forma de iodo, que é essencial para a vida”, diz o autor principal Imre Bartos, um astrofísico da Universidade da Flórida.

Ele também diz que se você usa um anel de ouro ou de platina, você está carregando com você um pedacinho daquela explosão cósmica.

Elementos como plutônio, ouro e platina são criados em um processo chamado captura neutrônica (processo r), em que um núcleo atômico rapidamente se agarra a outros nêutrons livres antes que o núcleo tenha tempo de passar por decaimento radioativo.

Esse processo ocorre apenas nos eventos mais extremos do universo, como em explosões supernova e colisões entre estrelas de nêutrons. Até agora, pesquisadores não entraram em um consenso sobre qual desses dois eventos seria o responsável pela formação desses elementos.

Mas Bartos e Szabolcs Marka defendem que são as estrelas de nêutrons as responsáveis pela presença dos elementos pesados no sistema solar.

O meteorito analisado pela dupla incluía isótopos de átomos de plutônio, urânio e cúrio. Ao comparar esses dados com modelos de computador, eles concluíram que essa explosão aconteceu a mil anos-luz do nosso sistema solar.

A fusão de estrelas de nêutrons é muito rara na nossa galáxia, ocorrendo apenas algumas vezes a cada milhões de anos. A colisão de supernovas, por outro lado, é muito mais comum, acontecendo, em média, a cada 50 anos em nossa galáxia. A taxa de colisões de supernova, portanto, é muito alta para ser responsável pelos níveis de elementos pesados observados nos meteoros do início do sistema solar. Por isso, Bartos e Marka concluíram que provavelmente essas colisões não são a fonte desses elementos. Por outro lado, uma única colisão entre estrelas de nêutrons parece explicar melhor a presença desses elementos. [Live Science]

Belas imagens de colisão de estrelas de nêutron

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