O que são estes blocos de gelo na Antártida?

Por , em 18.12.2017

Nós costumamos imaginar a Antártida como um grande deserto de gelo, mas o continente frio possui formações naturais tão incríveis quanto todos os outros. A imagem acima, intitulada “Icy Sugar Cubes” (algo como ‘cubos de açúcar gelados’), foi tirada na Antártida em 1995, em um voo sobre a costa inglesa na península da Antártida do Sul. O British Antarctic Survey, organização responsável pelas pesquisas britânicas no continente gelado, digitalizou recentemente a foto e ganhou o prêmio geral na competição de fotografia científica anual da Royal Society em 2017 (veja os outros vencedores aqui). Mas como essas enormes formações retangulares apareceram na paisagem do continente?

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De acordo com Ted Scambos, glaciologista e cientista principal da equipe de ciência do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos EUA, a foto parece representar uma área de “gelo de fluxo rápido e flutuante”, em entrevista ao portal Live Science.

O que faz as formações aparecerem são os constantes movimentos das massas de gelo, que estão sempre fluindo e esbarrando umas nas outras. “Uma enorme placa de gelo começa a flutuar”, diz Scambos, “e, inicialmente, porque ela é muito espessa, ela se espalha lateralmente [de lado a lado], criando profundas covas de fluxo. Mais tarde, com mais fluxo, o gelo começa a esticar longitudinalmente, e a superfície da neve se rompe perpendicularmente às primeiras calhas”, explica.

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É como se o gelo procurasse por onde seguir seu caminho. Ao fazer isso e esbarrar em outras placas, ele acaba formando estes caminhos entre os blocos que são vistos na imagem. Primeiro, as fendas aparecem paralelamente ao movimento para a frente do gelo, criando uma série de fendas horizontais. Mais tarde, outra série de rachaduras aparece perpendicular à direção do fluxo de gelo, completando a grade estranhamente regular.

A imagem oferece pistas que podem ajudar a sabermos em que direção o gelo estava fluindo. “As calhas que correm mais perpendiculares à aeronave são um pouco mais antigas, mais cheias de neve – eu acho que elas são paralelas à direção do fluxo”, aponta Scambos. A explicação é que estas aberturas existem a mais tempo, portanto mais tempestades de neve passaram por elas, preenchendo-as.

“Os cortes mais acentuados que fazem os blocos, mais na direção do voo do avião, são mais novos”, acredita o pesquisador. Ou seja, o gelo provavelmente fluía ao longo dos caminhos mais rasos, e os cortes mais profundos e retos apareceram mais recentemente.

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