Objeto visitante interestelar ficou ainda mais confuso com nova descoberta

Por , em 21.12.2017

Os cientistas continuam estudando o Oumuamua, o estranho objeto que veio do espaço interestelar e foi o primeiro do seu tipo que registramos. Agora, a novidade está em sua composição. Um grupo internacional de cientistas liderados por Alan Fitzsimmons e Michele Bannister, da Escola de Matemática e Física da Queen’s University, na Irlanda do Norte, usou a espectroscopia para analisar a maneira como ‘Oumuamua reflete a luz solar e descobriu que ele faz isso de forma semelhante aos planetas menores gelados no Sistema Solar Externo: com uma crosta seca envolta em torno de um núcleo de gelo.

Esta crosta pode ter protegido o núcleo gelado quando Oumuamua passou pelo Sol a uma distância de apenas 37 milhões de quilômetros em 9 de setembro. “Nós descobrimos que a superfície do Oumuamua é semelhante aos pequenos corpos do sistema solar que são cobertos de gelados ricos em carbono, cuja estrutura é modificada pela exposição a raios cósmicos”, disse Fitzsimmons.

Eles descobriram que o objeto era da mesma cor que alguns dos planetas menores gelados que haviam estudado nos arredores do nosso sistema solar. Isso implica que diferentes sistemas planetários em nossa galáxia contêm planetas menores como os nossos. “É fascinante que o primeiro objeto interestelar descoberto se pareça muito com um mundo minúsculo do nosso sistema doméstico. Isso sugere que a forma como se formaram nossos planetas e asteroides tem muito parentesco com os sistemas em torno de outras estrelas”, aponta Michele Bannister.

O primeiro objeto interestelar que nos visitou é mais incrível do que esperávamos

“Continuamos nossa pesquisa sobre o Oumuamua e esperamos que possamos fazer mais descobertas no futuro próximo. Descobertas como essa realmente ajudam a dar uma pequena visão sobre o que está por aí e encoraja as pessoas a procurarem e se perguntarem”, completa a pesquisadora.

Como visto em cometas muito antigos, conforme a radiação cósmica evapora o gelo rico em carbono nas camadas superficiais do objeto, o material deixado para trás é um resíduo orgânico que tem uma tonalidade avermelhada – e isso é observado no Oumuamua.

Cometa ou asteroide?

Quando nosso visitante interestelar apareceu, houve muita discussão sobre o que ele era, se um cometa, um asteroide, ou até mesmo uma nave espacial alienígena. A princípio, os cientistas acreditavam se tratar de um cometa, mas após análises mais aprofundadas, chegaram à conclusão de que estávamos vendo um asteroide. Agora, com esta nova descoberta, parece que há algo de cometa nele, afinal de contas.

A diferença entre cometas e asteroides é o que eles são feitos. Os cometas são feitos de gelo, poeira e um pouco de rocha. Os cometas em nosso Sistema Solar se formaram longe do Sol, onde o calor de nossa estrela não é forte o suficiente para derreter o gelo.

Quando a órbita de um cometa se aproxima do Sol, o calor vaporiza um pouco do gelo, que também libera poeira e partículas de rocha embutidas no gelo, criando as caudas que caracterizam estes objetos.

Um asteroide, por outro lado, é feito de pedra, poeira e metal. Eles são capazes de se formar um pouco mais perto do Sol do que cometas, e eles não perdem sua massa se eles se aproximam demais

Oumuamua não mostrava nenhuma das características associadas aos cometas. Era de cor avermelhada e não mostrava nenhum sinal de poeira ao redor – indicando que era composto de rocha e metal densos, avermelhados por radiação cósmica e sem água ou gelo. Esta suposição, como vimos, acaba de ser desmentida.

A pesquisa da equipe de Fitzsimmons e Bannister foi publicada na revista Nature Astronomy. [Science Alert, QUB]

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