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O primeiro objeto interestelar que nos visitou é mais incrível do que esperávamos

Por , em 21.11.2017

Os astrônomos determinaram que o objeto misterioso visto pela primeira vez em outubro, nomeado oficialmente 1I / 2017 U1 e apelidado de Oumuamua, é um asteroide vindo de outro sistema estelar.

Essa é a primeira observação de um objeto interestelar nos visitando.

“Durante décadas, teorizamos que tais objetos interestelares estavam por aí, e agora – pela primeira vez – temos provas diretas de que eles existem”, disse Thomas Zurbuchen, da NASA, em um comunicado.

Trajetória

Segundo os cálculos dos pesquisadores, o asteroide fez uma volta em torno do sol em 9 de setembro, passando mais próximo da Terra em 14 de outubro. Em 19 de outubro, os astrônomos utilizaram o telescópio Pan-STARRS1, no Havaí, para observá-lo pela primeira vez.

Originalmente, os cientistas pensavam que 1I / 2017 U1 era um cometa antigo. A análise dos dados, no entanto, revelou que ele era um asteroide vindo de outro sistema estelar, muito diferente de tudo que já havíamos visto.

As estimativas iniciais mostraram que o objeto veio da direção da estrela Vega, na constelação de Lyra. Mesmo viajando a incríveis velocidades, porém, ele teria levado centenas de milhares anos para chegar de Vega até aqui. Isso sugere que Oumuamua pode estar viajando pelo espaço sem ligação a qualquer sistema estelar por centenas de milhões de anos.

Oumuamua significa “um mensageiro de longe chegando primeiro” no idioma havaiano. Atualmente, ele está a cerca de 200 milhões de quilômetros do nosso planeta, se afastando de nós a aproximadamente 137.900 km/h.

Precioso

Esse é um objeto muito raro. Diversos astrônomos têm o estudado, como Ralf Kotulla, da Universidade de Wisconsin-Madison, e seus colegas da Universidade da Califórnia em Los Angeles e do Observatório Nacional de Astronomia Óptica no Arizona.

A equipe de Kotulla capturou algumas das primeiras imagens do asteroide usando o Telescópio WIYN, no Arizona. Essas imagens confirmaram que o objeto não tinha coma – a “cauda” de poeira e gás que faz parte de um cometa. Logo, ficou provado que se tratava de um asteroide – só que bastante incomum.

Características fascinantes

Em um estudo publicado na revista Nature, os astrônomos do Telescópio Muito Grande do Observatório Europeu no Chile descreveram algumas características estranhas do objeto.

Depois de fazer medições espectroscópicas muito precisas do Oumuamua, os cientistas descobriram que o seu brilho varia em um fator de 10 enquanto gira em seu eixo a cada 7,3 horas.

Esta variação de brilho excepcionalmente grande significa que o objeto é altamente alongado. Com uma forma distinta de charuto, ele pode ser até 10 vezes mais comprido do que é largo, formato nunca antes visto em um asteroide.

“Nós também descobrimos que ele tem uma cor vermelha escura, semelhante aos objetos no sistema solar externo, e confirmamos que é completamente inerte, sem o menor vislumbre de poeira ao seu redor”, afirmou a astrônoma Karen Meech, do Instituto de Astronomia no Havaí, em outro comunicado.

Estima-se que Oumuamua tenha pelo menos 400 metros de comprimento, seja rochoso (talvez misturado com algum metal) e relativamente denso. Provavelmente, adquiriu sua cor depois de ser bombardeado por raios cósmicos de alta energia durante milhões de anos.

Expectativas

Os pesquisadores vão continuar a observar e estudar Oumuamua enquanto ele se dirige para o sistema solar externo, usando o telescópio espacial Hubble e o telescópio espacial Spitzer, da NASA.

Os astrônomos estimam que esses visitantes interestelares passem pelo sistema solar interno cerca de uma vez por ano, mas até recentemente tínhamos muita dificuldade em detectar esses objetos fracos.

Felizmente, com a ótica incrivelmente poderosa de telescópios como o Pan-STARRS1, finalmente estamos dando passos decisivos para estudá-los. [LiveScience, ScienceAlert]

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9 comentários

  • Gustavo Arueira:

    Asteróide uma ova… Isso é uma nave alienígena camuflada que está nos observando.

    • Cesar Grossmann:

      E como você sabe disso, Gustavo?

    • Gustavo Arueira:

      Se fosse um asteróide teria sido sugado pela gravidade de algum dos milhões de planetas que passou ou colidido com algo. Ou pode ser smart..

    • Cesar Grossmann:

      Gustavo, a gravidade não funciona como um aspirador de pó. Veja por exemplo as sondas Voyager e Pioner, passaram bem perto de planetas gigantes, para usar a gravidade deles para acelerar. E nós estamos todos sob influência da gravidade do Sol, mas não vejo ninguém sendo “sugado” para o Sol.

  • Tibulace:

    “Fez uma volta em torno do Sol”, uma ova! A velocidade desse asteroide, é HIPERBÓLICA, superior à velocidade de escape, assim, NÃO dá volta!

    • Cesar Grossmann:

      “Dar a volta” não pode ser simplesmente fazer uma curva em torno, sem necessariamente completar um círculo? Não tem esta figura de linguagem em português?

  • Paulo Felix:

    Encontro com Rama?

    • Cesar Grossmann:

      Exatamente o que eu pensei…

    • Paulo Felix:

      Seria épico em todos os sentidos.

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