Supercomputador compõe música clássica em menos de um segundo

Por , em 7.01.2013

A composição que você ouve ser executada no vídeo acima se chama “Nasciturus”, e foi criada por Iamus – que por acaso é um computador.

Iamus, que acaba de lançar um álbum com seu nome, já criou 10 peças de música clássica contemporânea. O aglomerado de computadores, alojados na Universidade de Málaga, na Espanha, é capaz de produzir composições com zero influência humana (além da programação inicial, é claro).

Como funciona

Iamus não toca a música; apenas cria as composições.

“Nasciturus” é um exemplo do que é conhecido como música evolutiva, na qual o computador começa com uma pequena entrada inicial e, em seguida, usa um algoritmo complexo para “evoluir” a peça em uma composição completa, adaptando e aumentando a complexidade do “passo inicial” para melhor atender os critérios estéticos buscados.

Demora menos de um segundo para Iamus completar este processo, emboraleve um pouco mais de oito minutos para traduzir a música em formatos que os seres humanos conseguem ler e entender.

O pianista e compositor Gustavo Díaz-Jerez é consultor de software para Iamus. Segundo ele, o computador é alimentado com informações específicas que definem, por exemplo, quais instrumentos ele tem que compor para, e a duração desejada da peça.

“Nós ensinamos um computador a escrever partituras musicais. Agora, nós podemos produzir música clássica moderna com o toque de um botão”, diz.

Além de música clássica contemporânea, Iamus tem o potencial para compor em outros gêneros e instrumentos os quais não conhece ainda. Díaz-Jerez explica que, atualmente, utiliza o que chamamos de escala temperada ocidental – em que há 12 notas em uma oitava. “Mas, se instruir o computador a usar mais notas, como por exemplo na música hindu ou árabe, então Iamus será capaz de compor peças que se relacionam com essas culturas. É apenas uma questão de estender o conhecimento do computador”, conclui.

A criação

O primeiro passo foi ensinar ao computador técnicas gerais. Por exemplo, a equipe informou Iamus de que é impossível para um pianista tocar um acorde de 10 notas com uma mão, pois só temos cinco dedos em uma mão.

O projeto então seguiu como um desdobramento da pesquisa de vida artificial, usando a evolução como sua base. Cada composição tem um núcleo musical que se torna cada vez mais complexo, e evolui automaticamente.

Depois que Iamus recebe a informação inicial (os instrumentos para os quais tem que compor e a duração da peça), a atividade de criação é controlada por um algoritmo inspirado por processos biológicos.

Assim como genomas humanos mutados ao longo do tempo para criar uma multidão de pessoas únicas, Iamus altera e reorganiza seu material de origem para criar peças complexas de música.

As únicas restrições são determinadas por aquilo que pode ser reproduzido de forma realista por um músico e seu instrumento.

Supercomputador fazendo sucesso

As composições criadas por Iamus já foram gravadas pela Orquestra Sinfônica de Londres. O violinista e diretor Lennox McKenzie diz que foi algo inédito para a organização.

“Esta peça não é o tipo de coisa que você ouve e depois sai assobiando. É um som realmente muito grande. Me lembra um pouco de Varese ou Frank Zappa”, comenta.

O musicólogo Peter Russell também se referiu à música como “artística e deliciosa”, depois de ouvi-la e antes de saber sua origem.

Pode parecer ameaçador que um computador tenha o potencial de se tornar um compositor mais prodigioso do que Mozart, Haydn, Brahms e Beethoven combinados, mas, por enquanto, músicos podem refugiar-se no conhecimento de que Iamus ainda exige seus próprios sentimentos pessoais e talento para interpretar a música que cria, trazê-la à vida.

Entretanto, a inovação abriu a porta para um novo tipo de venda musical. O ramo comercial de Iamus, a norte-americana Melomics Media, está oferecendo as composições criadas pelo computador a uma taxa semelhante ao que custaria o download de uma faixa do iTunes, Google Play ou alguma outra loja online.

A grande diferença é que não só os compradores podem obter uma cópia das criações de Iamus, como também seus direitos autorais. E com um número ilimitado de faixas, não há risco de ficar sem material.[io9, BBC]

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10 comentários

  • Luís Eduardo Trajano Lins:

    parece mais musica de um compositor moderno… , eu mesmo não gostei,achei dissonante demais, se bem que da música clássica eu gosto mais do período barroco não entendo bem do período moderno não…

  • Alex Freitag:

    Tirando o fato de eu me sentir preso dentro de uma caixa de metal ao ouvir a simulação da composição de uma música feita por uma suposta inteligência artificial, bonita sim, se a intenção era ser angustiante, essa música atingiu o seu objetivo com perfeição.
    Porém é absurdo pelo menos hoje, pensar que “…um computador tenha o potencial de se tornar um compositor mais prodigioso do que Mozart, Haydn, Brahms e Beethoven combinados…”
    Qualquer pessoa que já ouviu este ou aquele compositor sabe que essa realidade está longe de acontecer.

    • Luís Eduardo Trajano Lins:

      é verdade…a parte matemática da música (progressões harmônicas,contraponto,resolução de dissonâncias) eu acho que um computador poderia dominar perfeitamente já que é algo mais matemático , mas a parte artística eu acho que seria quase impossível já que é algo puramente humano e mais emocional e na minha opinião essa parte é a que da a emoção da música…

  • Mauricio Pedrosa:

    A estupidez humana é surpreendente, você programa uma máquina para fazer uma coisa e depois se admira dela ter feito. Não, máquinas não criam, máquinas não pensam, máquinas são e serão sempre capazes de fazer aquilo que sua programação lhes disser para ser feito. Os resultados podem ser surpeendentes mas é estúpido pensar: ohhhh! composto por um computador. Bullshit

    • Luís Eduardo Trajano Lins:

      cara ,eu acho que foi uma ideia interessante mais pela curiosidade mesmo , mas não acho que uma máquina poderia substituir um humano em coisas que exijam emoções não..realmente tem estudos na música que é algo puramente matemático na música , mas o que dá a beleza mesmo na música é o fato de ter emoções…

  • Mellanie Farfer:

    Teria que ouvir por longas horas pra tentar “entender” a composição. Sem emoção, a musica não acontece…muito artificial. Mas não deixa de ser interessante!

  • Afonso Do Carmo:

    Tem algo de estranho, mas pode ser só impressão…
    Precisa programar a máquina para fazer uso intensivo do trítono, o que seguramente dará mais emoções (humanas) às composições.

    • Luís Eduardo Trajano Lins:

      Afonso , eu tenho a certeza que o trítono é só mais um intervalo entre duas notas assim como os aumentados e diminutos,na verdade o trítono serve para dar tensão,destacar uma tonalidade ,servir para um acorde modulante entre outros ,se a máquina usasse mais esse intervalo a música ficaria mais tensa ainda e não necessariamente daria emoções humanas principalmente se a máquina não resolver as dissonâncias como os compositores mais modernos fazem…

  • Pedro Teixeira:

    Muito desagradável de se ouvir. Passou uma sensação de ser mesmo uma obra não-humana, estranha, alienígena. Eu não compraria.

  • Fernando José Guimarães Leal:

    Simplesmente avassalador para a alma. Uma viagem que não se quer voltar mais…

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