Doença de Alzheimer pode ser evitada tomando este medicamento barato e disponível todos os dias

Por , em 27.03.2018

Uma equipe de pesquisa liderada pelo neurocientista Patrick McGeer sugere que um regime diário de anti-inflamatórios não-esteroides, como o ibuprofeno, pode prevenir o início da doença de Alzheimer se seguido precocemente.

Isso significa que, ao tomar um remédio vendido sem receita médica diariamente, as pessoas podem evitar uma doença que é a quinta principal causa de morte em pessoas com 65 anos ou mais.

De acordo com o Alzheimer’s Disease International, a condição afeta cerca de 47 milhões de pessoas em todo o mundo, custando aos sistemas de saúde globais mais de US$ 818 bilhões.

Os cientistas

O Dr. McGeer é presidente e diretor executivo da Aurin Biotech, empresa com sede em Vancouver. Ele e sua esposa, a Dra. Edith McGeer, estão entre os neurocientistas mais citados no mundo.

Seu laboratório é reconhecido mundialmente por 30 anos de trabalho em neuroinflamação e doenças neurodegenerativas, particularmente Alzheimer.

Um artigo detalhando suas descobertas mais recentes foi publicado na revista científica Journal of Alzheimer’s Disease.

Teste para Alzheimer

Em 2016, o Dr. McGeer e sua equipe anunciaram que desenvolveram um teste simples de saliva que pode diagnosticar a doença de Alzheimer, bem como prever seu início futuro.

O teste baseia-se na medição da concentração da proteína beta amilóide peptídica 42 (Abeta42), secretada na saliva.

Todas as pessoas, independentemente do sexo ou da idade, produzem mais ou menos a mesma taxa de Abeta42. Se essa taxa de produção for duas a três vezes maior do que a média, esses indivíduos estão destinados a desenvolver Alzheimer.

Isso acontece porque o Abeta42 é um material relativamente insolúvel e, embora seja produzido em todo o corpo, depósitos se acumulam apenas no cérebro, causando neuroinflamação e destruindo neurônios.

Medidas precoces

Ao contrário da crença generalizada de que o Abeta42 era produzido apenas no cérebro, a equipe do Dr. McGeer demonstrou que o peptídeo é produzido em todos os órgãos do corpo e é secretado na saliva pela glândula submandibular.

Como resultado, com apenas uma colher de chá de saliva, é possível prever se um indivíduo terá Alzheimer, mesmo antes de seus sintomas aparecerem.

Isso, por sua vez, lhes dá a oportunidade de tomar medidas preventivas precoces, como o consumo de medicamentos como o ibuprofeno.

“O que aprendemos com nossa pesquisa é que as pessoas que estão em risco de desenvolver Alzheimer exibem os mesmos níveis elevados de Abeta42 do que as pessoas que já a possuem; além disso, exibem esses níveis elevados durante toda a vida e, teoricamente, podem ser testados a qualquer momento. Sabendo que a prevalência de Alzheimer começa aos 65 anos, recomendamos que as pessoas sejam testadas dez anos antes, aos 55 anos. Se apresentam níveis elevados de Abeta42, então é a hora para começar a tomar o ibuprofeno diário”, explicou o Dr. McGeer.

Esperança

A maioria dos ensaios clínicos até hoje se concentraram em pacientes que já possuíam déficits cognitivos, de leves a graves. Como resultado, nenhum conseguiu evitar a progressão da doença.

De acordo com o Dr. McGeer, sua descoberta é uma virada de jogo.

“Temos agora um teste simples que pode indicar se uma pessoa está fadada a desenvolver a doença de Alzheimer muito antes de ela começar a se desenvolver. Os indivíduos podem impedir que isso aconteça por meio de uma solução simples que não requer receita médica ou visita a um médico. Isso é um verdadeiro avanço, pois aponta em uma direção em que o Alzheimer pode eventualmente ser eliminado”, afirmou.

Alerta: Os resultados deste estudo não significam que você deve começar a tomar um remédio diariamente por conta própria. Se você possui dúvidas quanto a sua saúde, consulte um especialista. [ScienceDaily]

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1 comentário

  • Jaime Alexandre Custodio:

    Sinto que estou viajando no futuro quanto leio sua páginas, embora leigo em muitos assuntos sei que armazeno conhecimento.

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