Jejum intermitente e seus efeitos inesperados: atrasa regeneração capilar. Mas há solução!

Por , em 18.12.2024

A prática do jejum intermitente tem ganhado fama como um aliado da saúde, prometendo desde perda de peso a melhor controle glicêmico e até uma vida mais longa. No entanto, um estudo recente trouxe um alerta curioso: ele pode desacelerar o crescimento do cabelo.

Os cientistas da Universidade de Westlake, na China, publicaram no dia 13 de dezembro, na revista Cell, um trabalho que revelou esse efeito inesperado. Ao estudar camundongos, os pesquisadores descobriram que, embora o jejum beneficie o metabolismo, ele também pode prejudicar a regeneração capilar. Um pequeno estudo em humanos apontou que a mesma tendência, embora menos acentuada, pode ocorrer.

O dilema dos cabelos em pausa

Ao investigar dois regimes de jejum em camundongos, os pesquisadores se depararam com resultados inusitados. No primeiro grupo, os animais seguiram uma rotina de alimentação com tempo restrito: comiam durante 8 horas e jejuavam por 16. No segundo, praticaram o jejum em dias alternados, consumindo livremente nos dias de pausa. Os cientistas rasparam os pelos dos camundongos e acompanharam a velocidade de regeneração.

Para surpresa geral, os camundongos com acesso irrestrito à comida recuperaram a maior parte dos pelos em apenas 30 dias. Por outro lado, os que jejuaram demoraram mais de três vezes esse tempo — 96 dias — e ainda apresentaram crescimento incompleto. A chave desse fenômeno está nas células-tronco dos folículos capilares (HFSCs). Durante o jejum, essas células enfrentaram um estresse oxidativo acentuado, causado por uma enxurrada de ácidos graxos livres liberados pela queima de gordura corporal, o que levou muitas delas à morte programada.

Humanos e o ritmo mais lento de crescimento capilar

Para entender se o mesmo ocorre em humanos, os pesquisadores realizaram um pequeno estudo com 49 voluntários jovens que jejuaram 18 horas por dia. Eles observaram uma redução de 18% na taxa de crescimento capilar em comparação àqueles que não jejuaram. O autor do estudo, Bing Zhang, destacou que o impacto foi menos severo nos humanos, possivelmente devido ao metabolismo mais lento da nossa espécie. “A regeneração do cabelo ainda ocorre, mas de forma um pouco mais lenta”, explicou.

Outra descoberta interessante foi que células-tronco epidérmicas, que ajudam na manutenção da pele, não sofreram os mesmos efeitos. Elas possuem uma maior capacidade antioxidante, o que parece protegê-las do estresse causado pelos radicais livres.

Antioxidantes: um potencial aliado?

Na tentativa de mitigar os impactos do jejum sobre os HFSCs, os cientistas testaram a aplicação tópica de vitamina E e outras abordagens que aumentam os níveis antioxidantes. Os resultados preliminares foram promissores, com maior sobrevivência das células e melhora no crescimento capilar.

Essa abordagem pode abrir portas para soluções que conciliem os benefícios metabólicos do jejum com a preservação da saúde capilar.

Jejum intermitente: a ciência vai além do cabelo

Pesquisas anteriores já destacaram que o jejum intermitente pode fortalecer células-tronco em tecidos como sangue, intestinos e músculos. O estudo de Zhang agora chama atenção para como ele também afeta outros tecidos, como pele e cabelos.

Próximos passos incluem explorar o impacto do jejum na cicatrização de feridas e identificar metabólitos que possam proteger HFSCs. Segundo Zhang, o objetivo é compreender melhor como equilibrar os benefícios e os possíveis efeitos colaterais do jejum.

O que fica para o dia a dia

Antes de abandonar o jejum intermitente, vale lembrar que ele traz uma série de benefícios comprovados para a saúde. A desaceleração do crescimento capilar pode parecer um preço pequeno para muitas pessoas, mas a informação é valiosa para quem considera os efeitos estéticos como prioritários.

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