Descoberta científica “extremamente relevante” para a origem da vida é feita

Por , em 17.05.2018

Uma descoberta feita no Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA, pode ter influências no nosso conhecimento sobre a origem da vida. Cientistas da Universidade Estadual de Montana, nos EUA, descobriram uma nova linhagem de micróbios que vivem nas águas termais do parque. Os seres são Arquea, um tipo de ser vivo morfologicamente parecido com as bactérias, mas geneticamente diferente. As arqueas geralmente são encontradas em ambientes extremos – como os lagos termais de Yellowstone.

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“A descoberta de linhagens de arqueas é fundamental para nossa compreensão da árvore universal da vida e da história evolutiva da Terra”, escreveu o grupo. “Ambientes térmicos geoquimicamente diversos no Parque Nacional de Yellowstone oferecem oportunidades sem precedentes para o estudo de arqueas em habitats que podem representar análogos da Terra primitiva”.

O Arquea é um dos três domínios de seres vivos, juntamente com as bactérias e os eucariotas. Como as bactérias, os arqueas são organismos unicelulares – o domínio eucariota contém os organismos mais complexos, como os animais, as plantas e os fungos.

Redução do ferro

Os cientistas chamaram a nova linhagem arqueótica de Marsarchaeota. O nome é uma homenagem a Marte, o planeta vermelho, porque esses organismos prosperam em habitats contendo óxidos de ferro, como aqueles encontrados por lá. Dentro dos Marsarchaeota, os cientistas descobriram dois subgrupos principais que vivem em Yellowstone e prosperam em águas quentes e ácidas, onde o óxido de ferro é o principal mineral. Um subgrupo vive na água com temperatura acima de 50ºC, e o outro vive em águas ainda mais quentes, com temperaturas de 60 a 80ºC.

“É interessante que o habitat desses organismos contenha minerais de ferro semelhantes aos encontrados na superfície de Marte”, diz Bill Inskeep, autor do estudo e professor do Departamento de Recursos Terrestres e Ciências Ambientais da Universidade Estadual de Montana.

Assim como estes tapetes microbianos – comunidades microscópicas em ambientes aquáticos -, a cor vermelha característica de Marte também vem da oxidação do ferro em sua superfície.

O cientista explica que, diferente de outros micróbios, os Marsarchaeota não produzem óxido de ferro. Eles podem estar envolvidos na redução do ferro em uma forma mais simples. É essa característica que pode ser importante do ponto de vista da origem da vida e do início da Terra. “O ciclo do ferro tem sido implicado como extremamente importante nas primeiras condições da Terra”, diz Inskeep.

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Os Marsarchaeota vivem em profundos tapetes microbianos, mas mesmo assim precisam de baixos níveis de oxigênio para sobreviver. Os subgrupos são tão abundantes que, juntos, podem representar até a metade dos organismos que vivem dentro de um único tapete microbiano.

Os cientistas já estudaram tapetes microbianos por todo Yellowstone. Microorganismos nessas “barragens microbianas” produzem óxido de ferro que cria plataformas que, por sua vez, bloqueiam as correntes. Como a água (com apenas alguns milímetros de profundidade) passa por essas plataformas, o oxigênio é capturado da atmosfera e fornecido aos Marsarchaeota.

Biologia extrema

Além de apresentar dados importantes sobre a vida no início da Terra e sobre o potencial de vida em Marte, Inskeep diz que a pesquisa pode ajudar os cientistas a entender mais sobre a biologia nas altas temperaturas.

“Conhecer este novo grupo de arquea fornece peças adicionais do quebra-cabeça para entender a biologia de alta temperatura. Isso pode ser importante na indústria e na biologia molecular”, exemplifica.

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O trabalho que resultou no artigo da Nature Microbiology foi o ponto culminante da pesquisa que ocorreu na última década, conta Inskeep, que estudou a geoquímica e a microbiologia dos ambientes de alta temperatura do Yellowstone nos últimos 20 anos. [I Fucking Love Science, Phys.org]

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