Mistério da estrela com “megaestrutura alienígena” é mais estranho do que imaginávamos

Por , em 19.01.2016

O estranho escurecimento da estrela KIC 8462852, que ficou famosa por especulações de que poderia hospedar uma megaestrutura alienígena, é ainda mais estranho do que imaginávamos. Novas descobertas, se sobreviverem a uma revisão por pares, não tornam mais provável que a estrela esteja hospedando uma civilização alienígena altamente evoluída, mas provavelmente desacreditam a explicação atual para o fenômeno: a de que a estrela foi brevemente obscurecida por cometas.

Um artigo submetido ao Astrophysical Journal Letters revela que a estranheza da KIC 8462852 não é apenas uma coisa recente. Bradley Schaefer, da Universidade Estadual de Louisiana, nos EUA, encontrou velhas imagens da estrela que remontam a década de 1890 nos arquivos de Harvard e mostram que ela já era visivelmente mais brilhante do que é hoje.

Em outubro de 2015, identificação feita pelo telescópio Kepler de diminuições estranhas na luz de KIC 8462852, chegando até a 20%, deixaram a internet em polvorosa. A excitação foi alta porque uma das possíveis explicações era uma vasta estrutura construída por uma civilização muito avançada.

Sem explicação

Esta chamada “megaestrutura”, possivelmente um sistema parcialmente concluído de coletores solares conhecidos como Esfera de Dyson, capturou a imaginação do público. Essa nunca foi a explicação mais provável, no entanto, e a ausência de luz infravermelha de ondas curtas em torno da estrela foi vista como algo que eliminava essa possibilidade completamente.

No entanto, para os astrônomos, tal comportamento ainda é muito interessante, e exige uma explicação. Desde o início, foi levantada a possibilidade de que um enxame de cometas estivesse bloqueando a luz da KIC 8462852 e, conforme outras teorias caiam por terra, esta hipótese parecia ser a única plausível.

Quando Schaefer examinou as imagens extensas da constelação de Cygnus, onde fica a estrela, armazenadas por Harvard, ele descobriu flutuações de curto prazo em uma tendência geral de queda. As medições foram um desafio, uma vez que os dispositivos de carga acoplada eliminaram em grande medida a arte de calcular as magnitudes de estrelas em placas fotográficas. Schaefer, um dos poucos astrônomos que trabalham com experiência nisto, tinha de encontrar estrelas semelhantes de brilho conhecido na mesma placa e compará-las com a KIC 8462852.

Schaefer descobriu que KIC 8462852 desapareceu por 0,193 magnitudes entre os anos 1890 e 1980. Estrelas variáveis ​​podem experimentar mudanças no brilho muito maiores do que isso, mas KIC 8462852 é uma estrela do tipo F, que é altamente estável. “O escurecimento de um século e os mergulhos de um dia inteiro são ambos apenas extremos de um espectro de eventos de escurecimento únicos, por isso, segundo a Navalha de Ockham (princípio lógico que busca sempre a explicação mais simples), tudo isso é produzido por um mecanismo físico”, afirma Schaefer. O que esse mecanismo pode ser, no entanto, permanece um mistério.

Não são cometas

A descoberta de que a estrela teve um aumento em seu escurecimento durante todo o século derruba a teoria dos cometas. “Seriam necessários mais de 600.000 cometas, cada um com 200 km de diâmetro, todos orquestrados para passar na frente da estrela durante do século passado. A improbabilidade de um evento como esse é impressionante”, refuta o astrônomo.

“Eu não vejo como é possível que esta quantidade de cometas gigantes exista ao redor de uma estrela”, escreveu ele. “Então eu tomo este escurecimento de um século como um forte argumento contra a hipótese da família de cometas para explicar este fenômeno”.

Além da falta de luz infravermelha, o lento declínio no brilho não se encaixa bem com a hipótese de civilização alienígena, a menos que acreditemos que os alienígenas conseguiram construir grandes estruturas do nada no espaço de um século. [IFLS]

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1 comentário

  • Alberto Carvalhal Campos:

    Acredito que seja efeitos magnéticos desta estrela. O nosso sol apresenta manchas negras provocadas por campos magnéticos que desviam a luz, como fazem os tubos de raios catódicos, os buracos negros, etc.

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