Mistério se aprofunda em torno das ondulações recém-detectadas no espaço-tempo

Por , em 25.09.2019

Uma detecção misteriosa de ondas gravitacionais feita pelo Observatório LIGO em agosto aponta possibilidades incríveis para a ciência, mas provavelmente será um mistério nunca resolvido, de acordo com os cientistas.

Ao analisar medições do observatório, os pesquisadores notaram o que parecia ser uma colisão entre um buraco negro e uma estrela de nêutrons, o que seria a primeira detecção do tipo na história.

Estamos falando de um objeto com 5 vezes mais massa do que o nosso sol e outro com pouco menos de 3 vezes a massa do nosso sol. Isso se encaixaria perfeitamente na colisão de dois dos objetos espaciais mencionados acima; o único problema é que observações adicionais não encontraram emissões de radiação eletromagnética, o que seria esperado de tal evento.

Desta forma, pode ser que, ao invés de um buraco negro colidindo com uma estrela de nêutrons, o LIGO tenha detectado dois buracos negros colidindo, o que também seria inédito – uma vez que nunca encontramos um buraco negro com massa menor do que 5 vezes a do sol antes.

Ambiguidade

No último 14 de agosto, cientistas do Observatório de Ondas Gravitacionais com Interferômetro a Laser (LIGO) observaram pela primeira vez o evento, nomeado de S190814bv.

Depois da confirmação de que não era um alarme falso, os astrofísicos calcularam que as ondas gravitacionais detectadas haviam sido criadas por duas massas colidindo a cerca de 900 milhões de anos-luz de distância.

Caso se tratasse de um buraco negro e uma estrela de nêutrons, a teoria prevê que essa colisão viria com uma emissão de radiação eletromagnética chamada kilonova (como um resíduo da estrela de nêutrons destruída). Depois da descoberta do LIGO, telescópios varreram o céu em busca de tal sinal eletromagnético, sem sucesso.

“Não ver isso deixa uma ambiguidade”, explicou Edo Berger, professor de astronomia da Universidade de Harvard (EUA) que trabalhou nas missões de acompanhamento da observação, ao Gizmodo. “Vamos ter que esperar alguns meses até que LIGO e Virgo publiquem seus resultados finais, mas minha suspeita é que [a identidade dessa detecção] permanecerá ambígua”.

De qualquer forma, interessante

Podemos nunca saber se vimos dois buracos negros colidindo, ou um buraco e uma estrela de nêutrons, mas ambas as possibilidades são empolgantes.

Por exemplo, alguns modelos preveem que um buraco negro colidindo com uma estrela de nêutrons resultaria em uma explosão muito mais fraca. Talvez, se a diferença de massa entre os dois objetos vistos fosse grande o suficiente, não haveria mesmo nenhuma emissão eletromagnética, tendo em vista que a estrela teria sido engolida inteira pelo buraco negro.

Já se for o caso de dois buracos negros se unindo, isso significa que encontramos o menor objeto deste tipo já visto. “De qualquer maneira, a ciência deste evento será incrível, um buraco negro engolindo uma estrela de nêutrons ou a descoberta potencial de um buraco negro muito leve”, resumiu Scott. [Gizmodo]

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