Não segure os gases se não quiser que isso aconteça

Por , em 13.10.2018

Todo mundo solta pum. Faz parte da natureza humana. Muitas vezes, porém, você pode estar em uma situação em que isso pode não ser socialmente aceito, como em um encontro ou em uma reunião no trabalho. O que fazer então? Provavelmente você se esforce para segurar seus gases dentro do seu corpo. Porém, da próxima vez que fizer isso, se lembre de uma coisa: ele pode vazar pela sua boca. Em um texto publicado no portal The Conversation, a professora de nutrição da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, Clare Collins, explica que os gases reprimidos podem atravessar sua parede intestinal e ser reabsorvidos em sua circulação, e então ser liberados quando você exala.

Por que gostamos do próprio pum?

“Um acúmulo de gás intestinal pode provocar distensão abdominal, com alguns gases sendo reabsorvidos na circulação e exalados em sua respiração. Aguentar muito tempo significa que a acumulação de gases intestinais acabará escapando”, escreve Collins. Só que talvez pelo lado errado.

Em seu texto, Collins explica o que é o pum e fala sobre alguns estudos que explicam a natureza desse fenômeno intestinal.

“Flatulências são gases intestinais que entram no reto devido aos processos gastrointestinais habituais de digestão e metabolismo e, em seguida, saem através do ânus. À medida que seu corpo digere alimentos no intestino delgado, componentes que não podem ser quebrados se movem ao longo da trilha gastrointestinal e, eventualmente, para o intestino grosso. As bactérias intestinais quebram alguns dos conteúdos por fermentação”, explica.

Segundo ela, esse processo produz gases e produtos chamados ácidos graxos que são reabsorvidos e usados ​​em vias metabólicas relacionadas à imunidade e prevenção do desenvolvimento de doenças. Os gases podem ser reabsorvidos através da parede intestinal para a circulação e, eventualmente, exalados pelos pulmões ou excretados pelo reto”, explica a especialista.

Quantidade média

Estudos já foram feitos para tentar mensurar a quantidade normal de gases que uma pessoa solta durante um dia. “Pode ser um desafio para os pesquisadores conseguir que as pessoas se inscrevam em experimentos que medem puns. Mas, felizmente, dez adultos saudáveis ​​se ofereceram para ter a quantia de gás que soltaram ao longo de um dia quantificada”, aponta Collins.

Nesse estudo, todos os gases expelidos foram coletados através de um cateter retal em um período de 24 horas. Os voluntários se alimentaram normalmente, mas para garantir um aumento na produção de gás, eles também precisaram comer 200 gramas de feijão cozido.

“Soltar gases”, uma arte e uma ciência

“Os participantes produziram um volume total mediano de 705ml de gás em 24 horas, mas isso variou de 476ml a 1.490ml por pessoa. O gás hidrogênio foi produzido no maior volume (361ml), seguido pelo dióxido de carbono (68ml). Apenas três adultos produziram metano, que variou de 3ml a 120ml. Os gases restantes, considerados como sendo principalmente nitrogênio, contribuíram com cerca de 213ml.

Segundo Collins, homens e mulheres produziram aproximadamente a mesma quantidade de gás e foram em média oito episódios de flatulência por pessoa, individuais ou em série, durante 24 horas. O volume variou entre 33 e 125 ml por pum, com maiores quantidades de gás intestinal liberado na hora após as refeições.

“Os gases também foram produzidos enquanto eles estavam dormindo, mas com metade da taxa em comparação com durante o dia (média de 16ml / h vs 34ml / h)”, escreve.

Fibra

Collins também comenta sobre outro estudo em seu texto, sobre a influência de uma dieta rica em fibras na produção de gases.

“Os pesquisadores conseguiram dez voluntários adultos saudáveis ​​para comer sua dieta habitual por sete dias, consumindo 30 gramas da fibra psyllium por dia (…). No final de cada semana, os participantes eram levados para o laboratório e, em um experimento cuidadosamente controlado, tinham um cateter intra-retal inserido para quantificar como o gás (em termos de volume, pressão e quantidade) se movia através do intestino por algumas horas”, conta.

“Eles descobriram que a alta dieta de fibra de psyllium leva a uma retenção inicial mais longa de gases, mas o volume permaneceu o mesmo, o que significa menos puns, mas puns maiores”. Collins lembra que, entre outras coisas, a produção excessiva de gases intestinais pode causar inchaço e dor.

Puns: tudo que você sempre quis saber e nunca teve coragem de perguntar

Outro estudo, realizado com 16 adultos saudáveis, mostrou que os gases mais fedidos são aqueles contendo enxofre. Os participantes foram alimentados com feijão e lactulose, um carboidrato não absorvível que é fermentado no cólon. A intensidade de odor das amostras foi avaliada por dois pobres juízes. “A boa notícia foi que, em um experimento de acompanhamento, os pesquisadores identificaram que uma almofada revestida de carvão era capaz de ajudar a eliminar o cheiro dos gases sulfurosos”, diz a pesquisadora.

Melhor para a saúde

Collins recomenda que o melhor a se fazer é deixar a natureza seguir seu curso. “A próxima vez que você sentir um grande volume de gás intestinal se preparando para fazer o que ele faz, tente se mover para um local mais conveniente. Se você consiga ou não fazer isso, a melhor coisa para a sua saúde digestiva é apenas deixá-lo acontecer”.

Segundo matéria publicada no site Mental Floss, a literatura científica também parece apoiar o conselho de Collins. De acordo com o texto, um artigo de 2010 sobre “Metano e o trato gastrointestinal” diz que o metano, o sulfeto de hidrogênio e outros gases produzidos no trato intestinal são eliminados do corpo pela ânus ou “expelido pelos pulmões”. Segurá-los pode levar a arrotos, flatulência, inchaço e dor. E em alguns casos graves, bolsas podem se formar ao longo da parede do cólon e infeccionar, causando diverticulite. [Mental Floss, The Conversation]

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