A NASA faz simulações de isolamento para testar como as pessoas se sairiam em uma missão à Marte

Por , em 31.05.2016

Enviar uma tripulação à Marte não é fácil em muitos aspectos. Os especialistas da agência espacial norte-americana, a NASA, precisarão descobrir primeiro como vão fornecer alojamento, alimentação, água e ar para todos os astronautas da missão em um ambiente que não é nada parecido com o da Terra.

Mas, mesmo que resolvam todos esses problemas, há ainda uma dificuldade muito importante que não tem uma solução exata: as pessoas.

“Em missões no espaço profundo, as pessoas ficam isoladas, confinadas, são missões extremas”, disse a psicóloga da NASA, Lauren Leveton, ao portal CNN. A tripulação vai experimentar “uma distância sem precedentes, duração sem precedentes e confinamento sem precedentes”.

Maiores riscos

A maioria das pessoas não gosta de ficar confinada a lugares pequenos por longos períodos de tempo (pergunte a qualquer passageiro de avião no banco do meio da classe econômica). A maioria também não gosta de ficar muito longe dos parentes e amigos (pergunte a qualquer soldado). Ou de ter seus dias e noites bagunçados (pergunte a qualquer um que já trabalhou em turnos noturnos). Ou ainda de colegas de trabalho chatos (pergunte a qualquer um!).

Todas essas situações serão enfrentadas pelas pessoas selecionadas para a viagem à Marte.

A NASA está tentando entender as potenciais consequências através de um programa chamado “Desempenho de Saúde Comportamental” (Behavioral Health and Performance, no original), que se concentra em três riscos principais de missões longas:

  • Risco de condições cognitivas ou comportamentais adversas que podem surgir do isolamento. Em outras palavras, o risco de que um membro da tripulação surte e faça algo louco;
  • Risco de mau trabalho em equipe. Isto é, quando os membros da tripulação cometem erros, porque não se dão bem uns com os outros;
  • Risco do sono. Todo mundo dormir o suficiente é uma grande prioridade para a NASA, visto que a falta de sono aumenta o risco de cometer erros devido à fadiga.

Os análogos

NASA está usando “análogos” – situações comparáveis na Terra – para estudar soluções para esses riscos.

Um desses análogos é o Human Exploration Research Analog, um habitat onde as pessoas ficam isoladas por semanas a cada vez.

Outro é o HI-SEAS, abreviação de Hawaii Space Exploration Analog and Simulation. Nesse experimento, cientistas se ofereceram para viver em um habitat no topo do vulcão Mauna Loa no Havaí por oito meses, para ver como o isolamento os afetava.

HI-SEAS

HI-SEAS

Um dos participantes, Neil Scheibelhut, disse que a situação ficava mais difícil perto de feriados, pois aumentava a sensação de solidão.

Scheibelhut também aprendeu que, para que as coisas corram bem, é necessário ser tranquilo e descontraído. “Pequenas coisas no cotidiano que normalmente não te chateiam, te incomodam quando você está junto das mesmas pessoas durante oito meses”.

Casais

Scheibelhut pensa que uma missão à Marte, na qual a tripulação pode ficar longe da Terra por quatro anos, seria muito complicada para os relacionamentos dos envolvidos. “Se você é casado, quem vai ficar junto por quatro anos sendo que o seu parceiro não está ali?”, argumenta.

Ele acha que a resposta pode ser enviar casais para Marte.

Apesar de todos os problemas, no entanto, depois de oito meses trancado com as mesmas pessoas, Scheibelhut acha que uma missão a Marte é factível.

A razão pela qual ele tem certeza? Porque a tripulação estaria focada em explorar um novo mundo. “[As pessoas vão pensar] Eu quero sair e explorar Marte. Eu quero colocar meus pés em Marte”, diz. [CNN]

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