Negadores do aquecimento global devem parar de distorcer as evidências

Por , em 1.10.2013

Está acontecendo novamente: a cada seis anos, mais ou menos, o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) publica seu relatório sobre o entendimento científico atual da mudança climática causada pelo homem. Ao mesmo tempo, os grupos da indústria do combustível fóssil começam a atacar o relatório, e também iludir e enganar o público acerca de sua mensagem.

Michael Mann, professor de meteorologia da Universidade Penn State (EUA) e um dos autores do IPCC, explica que os negadores do aquecimento global parecem estar divididos em sua retórica anticiência. Alguns afirmam que o IPCC está minimizando a força da evidência e o grau da ameaça. Outros acusam o consenso de distorcer o que está acontecendo com o clima.

Entre os primeiros críticos, encontram-se a mídia conservadora Fox News, que inclusive chega a confundir seus leitores, ao utilizar o “relatório” de um “painel” paralelo, o NIPCC, com um nome parecido, como “prova” de que o aquecimento global é mínimo e inócuo. Só que o “relatório” do NIPCC contém distorções e inverdades e não é aberto a críticas ou revisões.

A mensagem do relatório do IPCC aumentou o grau de certeza de que a queima de combustível fóssil e outras atividades humanas são responsáveis pelo aquecimento global que estamos experimentando. Da mesma forma, aumentam as certezas de que já estamos experimentando o impacto deste aquecimento na forma de derretimento de geleiras, aumento do nível do mar e vários fenômenos meteorológicos extremos (secas, chuvas intensas, ondas de calor, etc).

A segunda alegação, de que o IPCC exagerou as evidências, é ainda mais absurda. Isso porque, pelo contrário, em muitos aspectos o IPCC tem sido bastante conservador. O relatório reportou dessa vez, por exemplo, uma leve diminuição na sensibilidade climática de equilíbrio – um número que indica a mudança de temperatura esperada para uma quantidade duplicada de CO2 atmosférico em relação ao CO2 da era pré-industrial. Este número variava de 2°C a 4,5°C e passou a ser de 1,5°C a 4,5°C. Esta alteração foi baseada em uma linha de evidências bastante limitada: a superfície não aqueceu tanto durante a última década (outras linhas de evidência não apoiam esta redução do limite inferior da sensibilidade climática), conta Mann.

Da mesma forma, as estimativas de elevação dos níveis do mar também são conservativas, apontando para uma elevação de 1 metro até o fim do século — apesar de haverem estimativas esperando 2 metros.

Outra das distorções que os negadores do aquecimento global fizeram se relacionam com os gráficos de temperatura. Uma das alegações é de que o IPCC descartou as conclusões do gráfico que apontam que o aquecimento global atual não tem precedentes naturais.

Entretanto, as conclusões do IPCC sobre a temperatura foram reforçadas, apontando que o período entre 1983 e 2012 foi provavelmente o período de 30 anos mais quente dos últimos 1.400 anos.

Um dos alvos dessa campanha de desinformação é a inclusão dos dados do aquecimento que aconteceu em algumas regiões no período medieval — de fato, em algumas regiões houve um aquecimento que se equipara ao do fim do século 20. Mas, quando se toma a média global, o aquecimento da Idade Média nem chega perto do aquecimento experimentado nos últimos 30 anos.

Outras distorções certamente vão aparecer, mas, de acordo com Mann, o leitor não pode se deixar enganar: a mudança climática é real e é causada pelos seres humanos. As próximas décadas vão experimentar impactos mais perigosos e potencialmente irreversíveis, se não fizermos algo para reduzir as emissões globais de carbono. [LiveScience]

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13 comentários

  • Anibal Vilela:

    Caro Cesar, você já teve a chance de ir atrás de informações confiáveis sobre as reais margens de erros das afirmações do IPCC. Poderia ter feito isso, e estaria precavido contra as afirmações sem base científica, feitas pelo IPCC.

    Poderia consultar alguns especialistas do processo, como os responsáveis pela elaboração de cada etapa do conjunto da obra.

    A regra matemática básica de probabilidade combinada de dois eventos simultâneos ou sucessivos, é capaz de colocar abaixo todas as afirmações do IPCC. Elas se baseiam em uma série de eventos com probabilidades de 80 a 90%, que se fossem corretamente computada a probabilidade de acerto, não chegaria a 10%.

    Por isso, até hoje nunca acertaram. Os relatórios passados erraram. As tentativas de projetar o clima passado e confornatr com medições também deram errado. Não acertam nem pra frente e nem pra trás.

    Mas dessa vez, garantem que estão certos, e que inclusive baixaram a bola do aquecimento…

    Quem acredita, que dessa vez, nessa única vez, eles irão acertar ?

    Quem acredita que um próximo relatório virá, daqui uns 7 anos, onde nada será dito sobre os erros sistemáticos dos anteriores, mas ainda garantindo que o mundo vai se acabar, e que nós somos os culpados ?

  • Anibal Vilela:

    Os emirados árabes, acabaram de gastar 20 bilhões de dólares, construindo ilhas artificiais em Dubai.

    Será que eles não contrataram nenhuma consultoria a respeito das projeções de aumento do nível do mar ?

    Logo eles que ajudam na emissão de CO2, com a fartura de petróleo ?

    Alguém gastaria tanto dinheiro assim, se essa obra corresse o risco de durar só até o ano de 2100 ?

    Cadê as previsões do IPCC ?

    Para que servem ?

    A quem servem ?

  • Rogerio79:

    César Grossmann, Gosto muito de ler as suas matérias! Mas Não concordo que as mudanças climática seja causada pelo homem, mas você defende a tal TEORIA de unhas e dentes!!! Por favor seja um pouco mais cauteloso ok.

  • Enzo:

    Aw ok. http://www.dailymail.co.uk/news/article-2415191/And-global-COOLING-Return-Arctic-ice-cap-grows-29-year.html

  • Guilherme Artur Zippin:

    Cesar,
    Se me permitir, gostaria de indicar a leitura de um texto de Reinaldo Azevedo com alguns questionamentos verdadeiramente pertinentes ao novo relatório do IPCC.
    Abraços

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/apocalipticos-ressuscita-a-expressao-aquecimento-global-e-aposentam-mudancas-climaticas-nao-tinha-o-mesmo-peso-escatologico-ou-posso-fazer-algumas-contas-ou-ain/

  • Daniel Iserhard:

    Sei que o texto não é de vocês, mas ainda assim é importante ressaltar as inverdades do texto. Sou biólogo e não recebo dinheiro de nenhuma petrolífera.

    Em primeiro lugar, deixo o link do blog http://wattsupwiththat.com/ que combate as bobagens do IPCC e é mantido por cientistas INDEPENDENTES.

    O IPCC é um órgão governamental e com apoio político. Isso por si só já tira o crédito do órgão.

    Em segundo, o IPCC já distorceu dados anteriormente pra pode manter a teoria FURADA deles.

    E agora, o pior, nesse último relatório, os dados CRUS mostravam um decréscimo da temperatura. Eles não souberam explicar os dados dentro da teoria catastrofista deles. PAssaram uma semana VIRADOS tentando dar um jeito de interpretar os dados pra que pudessem ser finalmente expostos e mostrar o contrário do que apontavam.

    Isso, por si só, já não é mais ciência: A partir do momento que os dados é que devem servir a tua teoria e não a tua teoria mudar de acordo com os dados, a credibilidade científica vai pro LIXO.

    Já viram a margem de erro do aumento da temperatura? Pois isso não é mais margem de erro, passa a ser adivinhação da mais barata.

    Um órgão CATASTROFISTA mantido por um governo que se recusa a diminuir emissões não é estranho? Que interesse tem os EUA de mostrar dados trágicos, quando eles mesmos são os maiores interessados no uso do petróleo??? Vejam o filme SYRIANA e entendam.

    Não seria interessante pra esses países, que outros apostassem na redução de emissão de carbono enquanto eles detem o monopólio do petróleo?

    Pq será que Obama espionava a petrobrás?

    Tudo que estou escrevendo poderia ser considerado LIXO. Mas os dados coletados apontam pro “erro” do IPCC.

    Não é curioso que a mídia americana seja a primeira a crucificar os que rejeitam a teoria do IPCC? LOGO ELES?

    Gráficos apontam o aumento do carbono mas, nesse milênio, a temperatura não acompanha o crescimento. Basta procurar os dados, não é difícil de encontrar.

    E pra terminar, um órgão que muda de “aquecimento global” pra “mudanças climáticas globais” NÃO PODE SER LEVADO A SÉRIO. Pq?

    1 – A teoria do “aquecimento” foi por água a baixo e RECONHECIDO por eles, por isso a mudança do termo oficial.

    2 – “mudanças climáticas globais” é um termo tão genérico e imbecil, que o resto de credibilidade cai por terra. Mudanças climáticas ocorrem o tempo todo, desde que a Terra é Terra. Já passamos por períodos de glaciação e aquecimento, VÁRIAS VEZES. Asism será novamente, o homem estando aqui ou não.

    ACEITEM.

  • Jaenio Jasmim:

    Concordo em partes que nós humanos somos culpados pelo aquecimento global, mas os grandes governantes são os principais causadores. Temos recursos para usarmos energia limpa como: solar, eólica mas os governos fingem não encontrar a solução. Podem usar outro combustível que não seja derivado de combustíveis fósseis, mas não usam. Moral da história o grande culpado é o governo por causa dos seu interesse capitalista voraz.

  • samuel.martins:

    Diante do volume de evidências, é provável que o homem tenha grande parcela de culpa nas mudanças climáticas. Porém, não devemos esquecer do escândalo do “Climagate” que revelou que alguns cientistas do IPCC manipularam e ocultaram dados para vamos dizer assim: calar os céticos. E isso, deixou a imagem do IPCC bastante arranhada.

    • Cesar Grossmann:

      Samuel, não houve ocultamento de dados. O que foi é que os cientistas estavam discutindo uma maneira de ajudar o público leigo a entender o que eles estavam vendo nos dados, e usaram uma expressão infeliz. Junte uma expressão infeliz com gente que tem má vontade em relação ao IPCC, e está pronta a interpretar da pior forma tudo que ouve (chegando a distorcer as conclusões dos relatórios do IPCC), e está cometida a injustiça.

      Foi feita uma auditoria independente nos emails e dados e ela concluiu que não houve nada de errado, nenhuma conduta espúria, antiética, ou ilegal (fraude). Pelo menos não da parte do IPCC, agora da parte de quem invadiu os servidores de email…

      Mas você tem todo o direito de duvidar. O professor Richard A. Muller, professor de física, era um dos que estava cético quanto às conclusões do IPCC, e também aos dados, particularmente ao chamado “taco de hóquei”. Ele conseguiu acesso aos dados originais (não é difícil, eles estão disponíveis publicamente, qualquer um pode baixar eles), e refez todas as análises. Cada passo do trabalho do IPCC foi questionado e refeito, o método foi avaliado, as decisões foram examinadas com atenção, e depois de fazer toda a análise, chegou à conclusão que os dados e conclusões do IPCC eram impecáveis ou, se pecavam, era por conservadorismo.

      A história toda foi bem resumida pelo blog haeckeliano, na seção “de cético a crente“. O trabalho do professor Muller continua até hoje.

  • Velho Pescador:

    A notícia correta seria:

    Só cientistas do IPCC entendem que as mudanças climáticas são causadas pelo ser humano.
    Os cientistas sérios de diversos países e entidades confirmam que isso é uma farsa.
    Abraço.

  • Edir Marcelo Zucolli:

    Eu acho curiosa esta preocupação em silenciar os “céticos”, como se eles representassem algum perigo… Acontece que tanto o IPCC quanto a ONU são organismos políticos. Ele não tem compromissos com a ciência ou com a verdade, buscando somente os resultados políticos que convém às nações poderosas que os patrocinam e que sofreriam grande perda se a maioria pessoas principiasse a questionar o AGA. Seu temor se justifica, pois como disse um grande sábio e teólogo chamado Apóstolo Paulo: “Um pouco de fermento leveda a massa toda” (Gálatas 5:9). Seja como for, o clima e a natureza estão acima da propaganda alarmista e dos amargos vaticínios deles. Logo terão de reconhecer que o tempo está esfriando.

  • Cesar Grossmann:

    Negadores da ciência em… ops?

  • Rafael Carvalho:

    “Me engana que (não) gosto”!

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