Novo rato-toupeira gigante é descoberto na África

Por , em 2.05.2013

Embora o termo “rato-toupeira gigante” não inspire fascinação de primeira, esses animais africanos são, de fato, fascinantes.

Eles passam praticamente toda a sua vida em túneis subterrâneos elaborados, se alimentando de plantas. Com orelhas e olhos pequenos, dentes fortes e narinas que podem abrir e fechar à vontade, algumas espécies são bastante sociais, como a mais famosa, o rato-toupeira-pelado (Heterocephalus glaber), enquanto outras vivem solitárias.

Na ciência, eles são conhecidos principalmente na pesquisa pela cura do câncer. Esses roedores vivem bastante (de 20 a mais de 30 anos) e tornaram-se foco dos cientistas por não desenvolverem cânceres.

Em 2002, o pesquisador Paul Van Daele e sua equipe da Universidade de Gante (Bélgica) notaram um rato-toupeira de aparência distinta em Zâmbia. Embora fosse semelhante ao rato-toupeira-gigante (Fukomys mechowii), era visivelmente menor.

Vários anos e testes de DNA e cromossômicos depois, um estudo confirmou a hipótese de Van Daele de que eles tinham descoberto uma nova espécie. O mais recente rato-toupeira do mundo foi nomeado “rato-toupeira-de-Caroline” (Fukomys vandewoestijneae), e distingue-se dos demais por uma forma de crânio diferente.

Região rica

O novo rato-toupeira foi encontrado em Ikelenge, área geográfica que cobre partes da Zâmbia, República Democrática do Congo e Angola. Embora pouca pesquisa tenha sido conduzida na região, cientistas acreditam que é um local de grande diversidade com muitas espécies endêmicas (encontradas somente lá).

Pesquisadores já descobriram 28 espécies endêmicas em Ikelenge: um anfíbio, cinco mamíferos, três borboletas, e 19 libélulas. A região única é composta por matas ciliares ao longo de rios e zonas úmidas, bem como florestas dominadas por árvores de miombo, onde o novo rato-toupeira foi descoberto. Mas, como a maioria das florestas do mundo, estas estão em perigo.

“À medida que tanto a mata ciliar quanto a floresta de miombo são transformadas em terras agrícolas em um ritmo cada vez maior, a manutenção de um teatro evolucionário, presumivelmente, só será possível por meio da conservação de áreas protegidas mais amplas”, argumentou Van Daele.

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Todos os anos, os cientistas descobrem cerca de 20.000 novas espécies, metade das quais são insetos. Descobrir novos mamíferos é particularmente raro. Por exemplo, em 2009, de 19.232 novas espécies descritas, apenas 41 eram mamíferos (0,2%). Normalmente, os novos mamíferos são pequenos e pertencem as famílias de roedores ou morcegos.

Rato-toupeira-de-Caroline

O novo rato-toupeira provavelmente enfrenta ameaças adicionais de extinção, já que é alvo frequente de caça e controle de pragas.
Van Daele nomeou a nova espécie em homenagem a sua falecida esposa, Caroline Van De Woestijne, que a ajudou a descobrir.

“Ela produziu o primeiro cariótipo [descrição dos cromossomos] desta espécie”, disse. “Ela morreu de malária enquanto estávamos vivendo na África, no mesmo dia em que completamos 16 anos juntos. Ela estava, naquele momento, envolvida em um projeto-piloto de educação ambiental, resultando na infusão da [educação ambiental] no currículo primário da Zâmbia”, conta.

A descrição do animal recém-encontrado foi publicada no jornal Zootaxa.[Mongabay]

Rato-toupeira-de-Caroline (à esquerda), em comparação ao rato-toupeira-gigante

Rato-toupeira-de-Caroline (à esquerda), em comparação ao rato-toupeira-gigante

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