O corpo deste homem fabrica a própria cerveja

Por , em 21.10.2019

Um americano começou a produzir cerveja em seu próprio intestino depois que este se tornou acidentalmente colonizado por altos níveis de levedura.

Parece divertido, mas realmente não é. De outra forma saudável, o homem de 46 anos passou a ter tontura e perda de memória, bem como outras alterações de personalidade, incluindo depressão, embaçamento mental e comportamento agressivo.

A situação chegou ao ponto em que ele precisou deixar seu trabalho. Um psiquiatra o prescreveu antidepressivos em 2014, mas sua condição não melhorou.

Em um estudo de caso, médicos explicam os sintomas bizarros de sua doença raramente diagnosticada: síndrome da autofermentação (SAF), quando a simples ingestão de carboidratos pode ser suficiente para te deixar totalmente inebriado. E o pior de tudo: ninguém acredita que você não bebeu nada.

Os problemas

Foi o que aconteceu quando o homem foi parado pela polícia por “dirigir bêbado” e se recusou a fazer o teste de bafômetro. Depois de hospitalizado, exames indicaram que o nível de álcool no seu sangue era de 200 mg/dL, ou cerca de 10 doses de bebida alcoólica.

“O pessoal do hospital e a polícia se recusaram a acreditar nele quando ele negou repetidamente a ingestão de álcool”, observaram os pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Richmond (EUA), em seu relatório de caso.

O homem finalmente procurou ajuda em uma clínica, onde amostras de fezes mostraram a presença de Saccharomyces cerevisiae, também chamada de levedura de cerveja, e um fungo relacionado em seu intestino.

Sua SAF não foi descoberta naquele momento, no entanto. O americano acabou tendo outro incidente ainda pior, envolvendo uma queda quando “bêbado” que resultou em sangramento intracraniano. No hospital, as leituras de seu nível de álcool no sangue chegaram a 400 mg/dL – e, mais uma vez, ninguém acreditou que ele não havia bebido.

O caso

Os problemas do paciente começaram em 2011, depois que ele tomou antibióticos para um ferimento no dedão. Depois de cerca de uma semana, as alterações em seu comportamento começaram.

“Acreditamos que os sintomas de nosso paciente foram desencadeados pela exposição a antibióticos, o que resultou em uma alteração na microbiota gastrointestinal, permitindo o crescimento excessivo de fungos”, explicam os autores do relatório.

Felizmente, o paciente eventualmente procurou ajuda junto aos especialistas de Richmond, que usaram uma combinação de terapias antifúngicas e probióticas para tratar a microbiota do homem.

Levou cerca de um ano e meio para que ele pudesse retomar seu estilo de vida normal e abandonar a dieta controlada, mas o final da história é feliz: ele permanece sem sintomas.

O estudo de caso foi publicado na revista científica BMJ Open Gastroenterology. [NewScientist, ScienceAlert]

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (34 votos, média: 4,79 de 5)

Deixe seu comentário!