O ser vivo mais velho que os humanos já mataram

Por , em 16.09.2013

Em 1964, um pinheiro (Pinus longaeva) foi cortado em Nevada, estado americano, em nome da pesquisa científica. Após a contagem dos seus anéis, o mundo descobriu que ele tinha cerca de 5.000 anos. E nós havíamos acabado de matar o que, na época, era o ser vivo mais antigo da Terra.

Donald Currey foi o responsável pelo “assassinato”. Ele estava procurando evidências sobre a Pequena Idade do Gelo, um período de tempo entre os anos 1300 e 1800 no qual a temperatura da Terra presumivelmente caiu ligeiramente, atingindo seu ponto mais baixo em algum momento de 1600.

Ele queria encontrar uma árvore que tivesse vivido todo esse período para que pudesse estudar seus anéis, e a localizou no que é hoje o Great Basin National Park, um parque florestal em Nevada. Para analisá-la, decidiu usar uma ferramenta de perfuração para tirar uma amostra.

No entanto, a madeira desse exemplar era muito densa, e a árvore era muito grande, eventualmente prendendo sua ferramenta de perfuração. Ele não poderia retirá-la sem uma motosserra.

Currey em seguida pediu ao Serviço Florestal se poderia cortá-la. Neste ponto, ninguém sabia quantos anos essas árvores realmente tinham. Elas viviam em um clima severo, e a árvore que o cientista queria cortar tinha uma aparência retorcida e abatida no auge dos seus meros cinco metros de altura.

Currey obteve permissão e, acompanhado dos guardas florestais, pode cortar a árvore. Foi só mais tarde, depois de contar mais de uma vez para ter certeza, é que ele se deparou com a dura realidade de que aquele ser, até então vivo, tinha mais de 5.000 anos de idade.

Na época, isso a tornava a mais antiga árvore conhecida no mundo. Ela tinha até mesmo nome, dado por um grupo de amantes da natureza: Prometeu. Esse era o elemento que faltava para torná-la o dramático símbolo de um debate que se seguiu sobre o custo da ciência sobre os recursos que destrói.

Hoje, estima-se que a árvore estava mais perto dos 4.800 anos de idade, em vez da suposição inicial de mais de 5.000: um novo anel não é necessariamente produzido a cada ano, então a análise foi mais complicada do que isso.

Sim, Donald Currey “matou” uma árvore de 4.800 anos. Mas, se ele não tivesse feito isso, nós nunca saberíamos que ela tinha 4.800 anos. Ou que outro pinheiro da mesma floresta, Matusalém, também tem 4.841 anos – e esse está vivo e secretamente protegido pelo Serviço Florestal, que aprendeu sua lição. Hoje, também sabemos que existem abetos com quase 10.000 anos de idade. Sim, a ciência tem um preço. Mas quão alto ele é? [KnowledgeNuts]

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10 comentários

  • Jessica Mapo:

    Só penso na tristeza desse cientista quando descobriu a idade da árvore que matou. Eu me entristeci, pense ele.

  • Leonardo Gomes:

    Seria esta uma prática do “Gato de Schrödinger”?! :O

  • Sidney de Souza:

    Foda se. Daqui cinco mil anos teremos outras arvores idosas para satisfazer os ecologistas pé no saco.

  • digirobson:

    Na minha opinião esta imbecilidade, impaciência e ignorância, além de não valer a pena na relação “custo benefício” para a ciência, é uma idiotice tão grande quanto abrir a mãe para ver de onde veio (NERO).

    Deviam abrir este idiota para ver de onde vem tanta falta de respeito com os seres vivos. Mas deu certo, ele esta ai de alguma forma “famoso”, mesmo não trazendo nada de bom.

    Falta de respeito com a natureza.

    F…………… mesmo!!!!

    • digirobson:

      Natasha Romanzoti, parabéns! Muito bom.

      Ótimo trabalho.

  • Malforea Shin:

    Um dia alguém saberia, quando ela morresse naturalmente. Mas assim é o ser humano… Sua curiosidade significa a decadência de todos os outros.

  • Evandro Oliveira:

    Como já dizia C. S. Lewis, todo avanço da Ciencia é um retrocesso para o homem.

    • Cesar Grossmann:

      C. S. Lewis dizia isto do conforto que o mundo tecnológico e científico moderno proporcionou a ele, então parece, para mim, um bom tanto de hipocrisia.

      O que eu penso é que as pessoas continuam essencialmente as mesmas: cometendo erros. Nem religião, nem ciência, nem tecnologia transformam o homem em alguém melhor, ou impedem que pessoas cometam erros. A educação ajuda a diminuir os erros, mas também não os impede.

    • Jivago Chaves:

      Ok, avise seu médico a próxima vez que ficar doente que você não usa antibióticos nem nenhuma medicação que tenha sido desenvolvida com pesquisas científicas. Nunca use aviões e não preciso falar nada da internet não é…

    • Filipe Freitas:

      E isso não é desculpa pra nada.

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