Para as aranhas, tamanho importa: quanto menor, melhor

Por , em 5.08.2010

Os machos podem ser dezenas de vezes menores e pesarem um centésimo do que suas contrapartes fêmeas pesam. Novas pesquisas sugerem que essas diferenças de tamanho nas aranhas podem ser em parte devidas a um comportamento chamado “ponte”.

A ponte é um meio de transporte para as aranhas que vivem em árvores e outras vegetações de florestas e prados. Na ponte, a aranha lança um fio de seda ao vento, e a seda é carregada até uma vegetação vizinha. A aranha então puxa o fio esticado e passa de cabeça para baixo ao longo da ponte até o seu novo local, onde poderá encontrar um parceiro disposto ou uma presa saborosa.

Os pesquisadores descobriram que fazer a ponte é muito mais fácil para aranhas pequenas do que para seus colegas um pouco maiores. Os investigadores concluíram que as vantagens conferidas em um macho pequeno que seja eficiente na ponte – como mais acasalamento com as fêmeas – pode ter conduzido a evolução das aranhas do sexo masculino para tamanhos menores.

No estudo, os cientistas colocaram aranhas a cerca de 30 centímetros de distância de uma planta. Eles também colocaram aranhas fêmeas a cerca de 3 metros de distância do lado oposto da planta. Eles testaram aranhas machos e fêmeas, pertencentes a 13 espécies coletadas em toda a Espanha, incluindo um parente menos venenoso da aranha viúva-negra encontrada na América.

Eles testaram espécies de aranha em que as fêmeas e os machos são pequenos, e espécies em que as fêmeas são gigantes, mas os machos são pequenos. Indivíduos menores apresentaram maior propensão a fazer a ponte, seja macho ou fêmea.

Quase todas as aranhas com peso superior a 150 miligramas acharam a façanha impossível. Os pesquisadores testaram aranhas que pesavam até um grama.

Mas para as aranhas, os machos é que devem procurar os parceiros, de modo que é particularmente vantajoso para os machos serem pequenos e conseguirem fazer a ponte. Para as fêmeas, a demanda por ovos é facilitada se elas são maiores, dessa forma a evolução não deve ter limitado seu tamanho, que afeta a capacidade de fazer a ponte.

Essa ideia – de que o comportamento da ponte tem desempenhado um papel fundamental na condução de machos de algumas espécies para tamanhos menores – pode explicar por que, em algumas espécies, machos e fêmeas são de tamanhos muito diferentes, enquanto em outros são quase do mesmo tamanho.

Aranhas que vivem na terra não precisam fazer pontes. E entre aquelas que vivem no alto das copas das árvores, algumas estão impedidas de fazer pontes por outros aspectos de sua anatomia, tais como a forma do corpo ou a fraqueza da sua seda. Para essas espécies, os machos e as fêmeas tendem a ser de tamanho similar.

Segundo os pesquisadores, a previsão é de que nenhuma espécie de machos e fêmeas do mesmo tamanho use ponte. [LiveScience]

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