A poluição no ar da China está matando 4 mil pessoas por dia

Por , em 24.08.2015

A camada de fumaça espessa que cobre muitas das cidades da China não está apenas deixando os residentes doentes, segundo um novo estudo. Ela também está causando morte prematura. Até 4 mil pessoas por dia estão morrendo devido à poluição no ar da China.

O levantamento, realizado pelo grupo de pesquisa Berkeley Earth e aceito para publicação no periódico PLOS One, mediu, de hora em hora, a composição do ar em 1.500 estações em todo o país ao longo de um período de quatro meses. Embora existam vários tipos de poluição perigosos, partículas chamadas PM 2,5 são uma preocupação em especial, já que podem penetrar profundamente nos pulmões. Estas partículas não só podem causar doenças debilitantes como câncer de pulmão e asma, como também podem desencadear paradas cardíacas e acidentes vasculares cerebrais. Cerca de 17% das mortes na China, anualmente, são atribuídas diretamente à poluição do ar. Isso significa 1,6 milhões de mortes por ano.

Os pesquisadores estimam que 38% dos residentes chineses são regularmente expostos ao ar que não é saudável para respirar. “Na última vez que estive em Pequim, a poluição estava no nível perigoso: cada hora de exposição reduzia minha expectativa de vida em 20 minutos. É como se cada homem, mulher e criança fumassem 1,5 cigarros por hora”, explica o coautor Richard Muller, diretor científico do Berkeley Earth.

Energia suja

A culpa, de acordo com os pesquisadores, é das usinas de carvão. Atualmente, o país obtém cerca de 64% de sua energia do carvão. Como parte dos acordos de mudanças climáticas, a China tem planejado fechar algumas usinas e reduzir as emissões de carbono. Porém, também estão sendo construídas três vezes mais usinas em um modelo novo, que afirmam ser de “carvão limpo”, que cortam CO2 e outras emissões.

Como se os dados do número de mortes não fossem assustadores o suficiente, o estudo foi ainda mais longe ao apontar que, embora estas usinas estejam localizadas fora das grandes cidades, as partículas não ficam restritas a estas áreas. Até mesmo cidades como Pequim estavam recebendo PM 2.5 de áreas industriais distantes.

É importante notar que isso não é um problema exclusivo da China. Em todo o mundo, cerca de três milhões de mortes por ano podem ser atribuídas à poluição do ar. O novo plano de energia renovável da administração de Barack Obama, anunciado no início deste mês, estimou que o fechamento de usinas a carvão impediria de 1.500 a 3.600 mortes prematuras nos EUA anualmente. No Brasil, as termelétricas, em geral, são uma fonte de energia emergencial e muito mais cara, mas a crise no setor elétrico fez com que o seu uso aumentasse drasticamente – em 2011, elas geraram 4,5% da energia consumida no país; em 2013, 16,3%; e em dezembro de 2014, a soma do início do verão e da estiagem prolongada elevou este número a 30,13%. [Gizmodo, Deutsche Welle Brasil]

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