Pessoas que evitam comer “produtos químicos” estão fazendo isso errado

Por , em 11.04.2016

Estamos rotineiramente sendo avisado por sites sérios, anúncios e artigos bem-intencionados sobre os riscos dos “produtos químicos” desagradáveis ​​à espreita em nossas casas e cozinhas. Muitos falam sobre os benefícios da mudança para um “estilo de vida livre de produtos químicos”. O problema é: a palavra químico é totalmente mal utilizada nestes contextos. Tudo é um produto químico – do sal comum de cozinha (cloreto de sódio), por exemplo, a até mesmo a água (monóxido de di-hidrogênio).

Os produtos químicos em nossa dieta são frequentemente classificados em quatro grandes categorias: carboidratos, proteínas, gorduras e lipídios, e todo o resto. Este último grupo não tem características definidoras, mas inclui vitaminas, minerais, produtos farmacêuticos e as centenas de vestígios de produtos químicos que cada um de nós consumimos todos os dias.

Claro, há produtos químicos tóxicos e prejudiciais, mas há também vários que são completamente bons para o consumo humano. Então aqui está um guia prático para os produtos químicos em sua cozinha, e o que eles significam para sua saúde.

Os produtos químicos de macronutrientes

Proteínas, lipídios (como gorduras) e carboidratos são conhecidos como macronutrientes, e fornecem a maior parte das nossas necessidades energéticas diárias. Apesar de haver 118 elementos conhecidos na tabela periódica, estas três categorias predominantemente contêm apenas quatro deles – carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio – com vestígios dos elementos restantes.

Produtos químicos chamados aminoácidos se unem para criar proteínas. As fontes mais ricas incluem carne e ovos, mas quantidades significativas também são encontradas em grãos, legumes e farinha de trigo.

Os carboidratos contêm apenas carbono, hidrogênio e átomos de oxigênio, todos conectados de maneiras muito particulares. Eles incluem açúcares, amido e celulose, todos os quais são digeridos de forma diferente. Embora os açúcares sejam um tipo de carboidrato, adoçantes artificiais, tais como aspartame e sacarina, não o são.

Apesar das preocupações sobre os efeitos na saúde de adoçantes artificiais, o centro das atenções de saúde foi recentemente colocado sobre os adoçantes naturais: os açúcares. Açúcar branco (sacarose) e xarope de milho (uma mistura de frutose e glicose) têm sido associados a uma gama de condições de saúde generalizadas.

Assim como os carboidratos, gorduras só contêm carbono, hidrogênio e oxigênio, mas grama a grama elas liberam mais do que o dobro de energia do que proteínas ou carboidratos. Talvez seja por essa razão que as gorduras têm uma má fama há mais tempo do que os açúcares. No entanto, um pouco de gordura é absolutamente essencial para uma dieta saudável.

Ácidos e bases

Ácido soam como uma coisa ruim. Mas há muitos ácidos descansando pacificamente em nossas despensas e geladeiras.

Considere a variedade de comidas e bebidas que são ácidas. Um exemplo clássico que muitas vezes ouvimos é que a Coca-Cola tem um valor de pH de cerca de 3,2 ou menor (lembrando que as menores médias são mais ácidas, com o valor neutro sendo o 7). Isso é forte o suficiente para remover a oxidação do metal. E isso é verdade, graças ao ácido fosfórico na Coca-Cola. Mas, na verdade, maçãs e laranjas têm um valor de pH semelhante à Coca-Cola. O suco de limão é dez vezes mais ácido.

As características ácidas de comidas e bebidas combinam com outros produtos químicos para fornecer sabor, e sem algum caráter ácido, muitos alimentos seriam insossos.

Quimicamente falando, o oposto do ácido é conhecido como básico, ou alcalino. Enquanto substâncias ácidas têm um pH menor que 7, os alimentos básicos têm pH maior que 7. Exemplos de alimentos básicos na cozinha são mais raros, mas incluem ovos, alguns produtos assados, ​​como bolos e biscoitos, e bicarbonato de sódio.

Produtos químicos tóxicos na cozinha

Obviamente, há também produtos químicos tóxicos à espreita em nossos armários da cozinha. Mas estes são geralmente mantidos sob a pia, e muitas vezes têm valores de pH nas extremidades do espectro. Produtos de limpeza, tais como amônia e soda cáustica, são muito básicos. Sabões e detergentes também estão na extremidade básica da escala.

Soluções de limpeza ácidas também são comuns, tal como ácido sulfúrico concentrado, que também pode ser utilizado para desbloquear o sistema de esgotos.

Cozinhar é química

O próprio ato de cozinhar é, na verdade, apenas química. Aquecimento, congelamento e todos os processos de mistura são utilizados tanto no laboratório quanto na cozinha.

Quando cozinhamos alimentos, uma miríade de diferentes processos físicos e químicos acontecem simultaneamente para transformar os ingredientes (ou seja, produtos químicos) envolvidos.

Os carboidratos são um interessante estudo de caso. Os açúcares simples combinam com proteínas na reação de Maillard, que é responsável pelo escurecimento do alimento quando ele é cozido. Adicione um pouco mais de calor e acontece a caramelização, enquanto muito calor durante demasiado tempo leva a sabores queimados.

O amido é outro carboidrato bem conhecido pela sua capacidade de criar géis, como em uma panna cotta. Depois do aquecimento, amido em pó combinado com a água cria uma textura completamente diferente.

Então, da próxima vez que você ouvir alguém dizer “eu não gosto de colocar produtos químicos em meu corpo”, fique à vontade para rir. Tudo é feito de produtos químicos. [Science Alert]

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3 comentários

  • marcstei:

    Laranja e limão depois da digestão tornam-se alcalinos.

  • Ademar Souza:

    Muitos frutos, catchups, molhos de mostarda e maioneses industrializadas têm pH abaixo de 4,0 e não significam risco à saúde. Moderação.

    • EvandroJGC:

      Exato!

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